O poço mais contaminado do mundo
Você já ouviu falar em Berkeley Pit? Não?
Trata-se de um poço enorme, onde tem uma água tão horrivelmente contaminada que os pássaros que entram em contato com a água rapidamente morrem. Praticamente nada habita o poço, além de microorganismos super-resistentes.
A esta altura você já está com a sensação de que tem dedo da poluição humana no lugar, né? Se pensa assim, você está certo.
Foi do cobre extraído desta mina a céu aberto que muitas das linhas elétricas dos EUA foram erguidas. Agora o buraco está preenchido com mais de 181.844.000.000 litros de água ácida, metais pesados, e sua limitada fauna microscópica.
O buraco de Berkeley fica em Butte, Montana, e atualmente é um dos únicos lugares no mundo onde você pode pagar para ver resíduos tóxicos; (custa dois dólares por cabeça).
A própria escala do buraco é algo bizarro de se ver. Nas fotos aéreas, ele aparece simplesmente como uma mancha negra.
Com impressionantes proporções, o poço mais contaminado do mundo tem mais de 1.600 km de comprimento por um quilômetro de largura e mais de 540 metros de profundidade, dos quais 300m estão preenchidos com água ácida contendo altíssimas concentrações de metais pesados e produtos químicos tóxicos, incluindo o cobre, ferro, arsênio, cádmio, zinco e ácido sulfúrico.
A água rica em ferro fica perto da superfície e é avermelhada, cedendo a uma tonalidade verde-limão vibrante não muito abaixo da superfície, onde as concentrações de cobre são mais elevadas. Se você fosse retardado o suficiente para beber um copo dessa água aí, ela iria matá-lo por corrosão através de seu sistema digestivo. Hummm… Dilícia!
Estas águas residuais estão tão saturadas de cobre que a mina Montana Resources Inc., que opera a mina de cobre nas proximidades da margem, é capaz de minerar o cobre diretamente da água.Para isso, a água de Berkeley Pit é retirada numa taxa de 13 milhões de litros por dia, que são bombeados a partir do canto mais profundo. Apenas com esta operação de filtragem, os caras retiram cerca de um milhão e oitenta e sete mil reais de cobre ao mês.
A água rica em ferro é bombeado de volta para o Pit Berkeley, criando uma cachoeira contaminada que pode ser vista na borda nordeste.


O bagulho é tão tóxico que em novembro de 1995, um bando de gansos desavisados que vinham migrando resolveram dar uma parada no Pit Berkeley. Após vários dias de tempestade e neblina que impedia que as aves saíssem, cerca de 342 foram encontradas mortas. Após uma análise dos laboratórios do Estado de Montana, ficou determinado que as aves morreram em decorrência da água do poço, que tinha corroído o esôfagos das aves. Desde então, os administradores do buraco tem um programa de observação de aves por 24 horas, para impedi-las de pousar na água por mais de algumas horas.
Obviamente que com o grau de contaminação do poço, as aves não são a única coisa que o Estado de Montana tem que se preocupar. O nível da água no buraco está em constante elevação. Se chover muito no local e a água se elevar, há um grande risco do poço contaminar o lençol freático nas proximidades do vale de Butte, onde vivem mais de 30.000 pessoas. Através de fluxos de águas subterrâneas, a contaminação poderia potencialmente se espalhar por rios da região atingindo uma enorme área. O medo fez com que a comunidade dos arredores já começasse a instalar bombas de água potável para obter o recurso a partir de reservatórios em torno das montanhas, já que o histórico de exploração e mineração do local já podem ter contaminado o aquífero do vale.
Para evitar uma calamidade ambiental, uma estação de tratamento de água foi construída em 2003 para evitar que a água do poço Berkeley chegasse perto do nível crítico.
Curiosamente, novas espécies de fungos e bactérias foram encontrados em um processo de adaptação às duras condições no interior do poço. A intensa competição pelos recursos limitados obrigou estas espécies a evoluir a produção de compostos altamente tóxicos para melhorar a capacidade de sobrevivência. Cientistas estão usando esses fungos e bactérias para estudos que podem contribuir para uma futura cura do câncer.
A mina de Berkeley esteve em operação desde 1955 a 1982, quando várias minas subterrâneas foram combinados para criá-lo.
Em 1982, a mineradora ARCO encerrou as operações e desligou as bombas subterrâneas que retiravam a água do poço, levando ao lago tóxico que vemos hoje. Ao longo da vida ativa dessa mina, cerca de 320 milhões de toneladas de minério de ferro e mais de 700 milhões de toneladas de resíduos de rocha foram extraídos.
Pedir carona pela internet vira mania em São Paulo
Em cinco meses, o site do empresário Marcio Nigro formou 100 grupos em 70 municípios. Mais de 10 mil pessoas se cadastraram.
Conseguir uma carona pra ir e voltar do trabalho nem sempre é fácil. Mesmo em São Paulo, que tem uma frota de sete milhões de veículos. Até que alguém teve a ideia de pedir carona pela internet.
Carros com apenas uma pessoa estão em toda cidade grande. É a síndrome do motorista solitário. “O transporte mais confortável que existe no mundo inteiro é o automóvel. Ele é de porta a porta. Isso acaba acarretando em um grande volume de veículos num sistema viário já congestionado”, aponta o engenheiro de trânsito Humberto Pullin.
As ruas de são Paulo, por exemplo, ganham 700 carros novos por dia. Por mais confortáveis que sejam, alguém gosta de ficar horas nele? A quantidade de carros que mal consegue se movimentar no trânsito todos os dias está levando muita gente a começar um movimento novo que não é nada mais do que resgatar o velho hábito de pedir e dar caronas.
Páginas de internet ajudam a aproximar pessoas que moraram perto e que trabalham na mesma região. Para garantir a segurança no site administrado pelo empresário Marcio Nigro, só podem se inscrever os funcionários de empresas cadastradas. “Você deixou seus documentos na empresa, foi entrevistado, tem pessoas no trabalho que te conhecem, tem seu número de telefone. Então, essa é uma garantia que existe de que essas pessoas realmente têm uma procedência”, explica.
Em cinco meses, ele formou 100 grupos em 70 municípios, mais de 10 mil pessoas se cadastraram. Não foi a solução para problemas de cidades que precisam muito investimento em transporte público, mas Fabiano adotou a idéia.
O empresário Fabiano Ferreira sai de casa sozinha, vira a esquina e encontra o analista de sistemas Mauricio Lisbão no posto. Ele nem reclama mais do trânsito. “Eu ficava um pouco estressado e, quando o Maurício começou a vir comigo pro trabalho, a gente ia conversando, trocando ideia. Me deixou um pouco mais calmo para vir também”, revela o empresário.
Para Maurício, foi melhor ainda. Ele levava mais de uma hora de ônibus. Hoje, vai em 40 minutos ao lado do amigo. “A gente descobriu por acaso que, trabalhando um do lado do outro, a gente morava próximo. Então, começou essa parte da carona solidária. As pessoas precisam conversar mais para se entender melhor”, declara o analista de sistemas.
O feijão transgênico está na mesa
A decisão foi tomada ontem, por 15 pessoas. Não por acaso, quinze também foi o número de membros da CTNBio que endossaram abaixo-assinado na internet que circulou nas últimas semanas pedindo a liberação comercial do feijão transgênico. O autor da petição on-line é o representante do Ministério das Relações Exteriores na Comissão, também relator do processo.A legislação brasileira estabelece que o envolvimento profissional ou pessoal enseja impedimento em votações nas matérias de interesse, sob possibilidade de perda de mandato. Aquilo que deveria ser entendido como falta de isenção foi defendido juridicamente pela consultoria especializada do Ministério de Ciência e Tecnologia, pasta que abriga a CTNBio, segundo seu presidente, Edílson Paiva. Ao final da sessão, Paiva informou que um procurador da República estava no ministério reunido com os advogados do órgão. A Articulação do Semiárido, a AS-PTA, o Idec e a Terra de Direitos haviam protocolado no MPF representação alertando para o fato.Cinco integrantes da CTNBio votaram pela diligência, defendendo a realização de mais estudos. Entre eles estava o representante do Ministério da Saúde, que argumentou que com as informações disponíveis será inviabilizada a criação de um sistema de vigilância em saúde que possa identificar potenciais efeitos adversos da nova semente quando cultivada e consumida em escala. Foi voto vencido, assim como os que questionaram a validade dos estudos sobre saúde baseados em apenas 3 ratos de laboratório de uma única espécie, número pequeno demais para se extrair conclusões estatisticamente válidas. Mesmo assim, nesses 3 animais identificou-se tendência de diminuição do tamanho dos rins e de aumento do peso do fígado. Por que? O produto foi liberado sem essa resposta. Apesar dos alertas, a aprovação também ocorreu com a dispensa da exigência legal de estudos em duas gerações de animais e em animais prenhes.Francisco Aragão, o pesquisador que desenvolveu o feijão modificado, afirmou aos jornais que “foram realizados testes de 2004 a 2010” (Folha de São Paulo, 16/09), que “Fizemos estudos entre 2005 e 2010” (O Estado de São Paulo, 16/09) e que “as pesquisas em campo foram feitas desde 2006” (O Globo, 16/09). Quem abrir o processo enviado à CTNBio, assinado por Aragão, verá, logo nas páginas 17-19, que “os ensaios foram realizados em casa de vegetação e campos cultivados por um período de 2 anos”. A Seção VII do dossiê “Avaliação de risco ao meio ambiente” apresenta dados referentes a 2008 e 2009. Só.A viabilidade da tecnologia e a durabilidade da resistência ao vírus patogênico também foram colocadas em questão. A primeira geração de sementes originadas do feijão transgênico apresentou até 36% de plantas suscetíveis ao vírus (p. 143 do processo). O que ocorrerá com as sementes comerciais a serem vendidas, também derivadas de matrizes transgênicas? O processo foi aprovado sem essa resposta. A presença de plantas vulneráveis ao ataque do vírus pode acelerar o desenvolvimento de resistência.Quem estudou o assunto também sentiu falta de uma referência bibliográfica no processo, de 2008, de pesquisadores italianos que estudam tomates com o mesmo enfoque de transformação genética aplicada ao feijão da Embrapa. Lucioli e colaboradores concluem que novas estratégias de engenharia genética são necessárias para controlar o vírus, já que suas pesquisas apontaram para o rápido desenvolvimento de resistência e mutação do vírus. Na mesma revista Nature Biotechnology (dezembro de 2009), Aragão defendeu seu projeto por meio de réplica publicada na seção “carta ao editor”, que foi respondida pela equipe de Lucioli reafirmando, com apoio em outras referências, que a metodologia empregada tem um “calcanhar de Aquiles” que a torna vulnerável.Já no processo do feijão da Embrapa, protocolado na CTNBio em dezembro de 2010, lê-se que “Não há na literatura nenhum estudo sobre o efeito de uma planta GM semelhante” (p. 329).Questões apresentadas em audiência pública não foram devidamente respondidas, lembrando que o evento foi realizado na sede da empresa proponente. O mesmo tratamento foi dispensado à análise independente de geneticistas da Universidade Federal de Santa Catarina, encaminhada à CTNBio. Entre outros, o documento aponta genes em duplicidade e critica a apresentação de dados sem a respectiva análise estatística: “Fica claro que a empresa proponente não se porta adequadamente, pois até os estudantes de iniciação científica não ousariam fazer as mesmas conclusões”.O ministro Aloizio Mercadante chancelou o procedimento. Desconsiderou manifestação do CONSEA e do MPF e alertas de organizações da sociedade civil. Seu representante na CTNBio ouviu exposição detalhada relativa às falhas do processo e aos atropelos às regras da Comissão. Não se manifestou, absteve-se de votar e deixou a reunião em seguida.
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