Política Nacional de Resíduos Sólidos: a responsabilidade é coletiva. Entrevista com Elisabeth Grimberg


28 de maio de 2012
"Já se têm acúmulos, instrumentos, expertises para se implantar a PNRS de forma plena”, assegura a especialista.
A instituição da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS"mobilizou tanto o setor público como o setor privado e a sociedade civil, o que por sua vez tem gerado inúmeros debates que cumprem papel de formação”, avalia Elisabeth Grimberg, ao analisar os primeiros resultados da PNRS. Entre as propostas da PNRS está a de responsabilizar o fabricante, importadores, distribuidores e comerciantes pelas embalagens produzidas. Os benefícios dessa medida serão percebidos a médio e longo prazo, quando as empresas revisarem e repensarem o "padrão de produção, pois excesso de embalagens terão custos no pós-consumo e isto deverá ser um estímulo para a reprogramação de produtos e embalagens”, assinala.
Um dos desafios da PNRS é a adesão dos municípios à coleta seletiva dos resíduos úmidos domiciliares, atribuição da prefeitura e a implantação da logística reversa, ou seja, coleta seletiva dos resíduos secos domiciliares. Mas na avaliação da coordenadora da área de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis, será possível terminar com os lixões até 2014 se os gestores municipais contribuírem para este processo. "É possível desde que os municípios sejam pró-ativos no sentido de se habilitar a acessar recursos públicos federais, por exemplo, disponíveis para a implementação de sistemas de recuperação de resíduos sólidos”, assegura.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail para a IHU On-Line, Elisabeth também comenta a PNRS e os desafios acerca da implantação completa da logística reversa. "Houve assinatura de termos de compromisso entre a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e quatro setores da indústria – fabricantes de óleos lubrificantes, de embalagens de agrotóxicos, de pilhas e baterias portáteis (estes já têm ações há mais de 10 anos) e de produtos de higiene pessoal, perfumaria, cosméticos, de materiais de limpeza e afins (estes não tinham nenhuma iniciativa antes) para estabelecimento de logística reversa. Porém, o desafio é muito maior, porque está em questão o setor empresarial viabilizar a coleta seletiva, triagem e garantia de escoamento de 30% de todo o resíduo seco gerado em 5.565 municípios brasileiros”, esclarece.
Elisabeth Grimberg é coordenadora executiva do Instituto Pólis para a área de resíduos sólidos. Também compõe a coordenação do Fórum Lixo e Cidadania da Cidade da Cidade de São Paulo. É mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Quais os efeitos práticos da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS até o momento?
Elisabeth Grimberg – A instituição da PNRS e o processo público e participativo de construção doPlano Nacional de Resíduos Sólidos (2011) mobilizaram tanto o setor público como o setor privado e a sociedade civil, o que por sua vez tem gerado inúmeros debates que cumprem papel de formação. Os debates também repercutem positivamente porque pressionam especialmente prefeituras e setor empresarial a implementarem ações de sua responsabilidade, previstas na Lei número 12.305.
IHU On-Line – Será possível terminar com os lixões até 2014, conforme o previsto pela Política Nacional de Resíduos Sólidos?
Elisabeth Grimberg – É possível desde que os municípios sejam pró-ativos no sentido de se habilitarem a acessar recursos públicos federais, por exemplo, disponíveis para a implementação de sistemas de recuperação de resíduos sólidos. A responsabilidade das prefeituras é de implantar a coleta seletiva dos resíduos úmidos (60% do total gerado nos domicílios) e destiná-los preferencialmente para compostagem. E a responsabilidade pela coleta seletiva dos resíduos secos (40% do total) é dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, segundo a PNRS (Art.33, § 1º). O rejeito, sendo composto de resíduos secos, também é atribuição do setor empresarial.
IHU On-Line – Apesar de a lei diferenciar o que é lixo que não pode ser aproveitado e o que é passível de reaproveitamento, a informação é de que na cidade de São Paulo, por exemplo, apenas 1,17% do lixo é reciclado. Quais as razões do baixo índice de reciclagem?
Elisabeth Grimberg – A Prefeitura de São Paulo não apostou e não investiu no modelo criado no início de 2001, quando a então prefeita Marta Suplicy iniciou processo participativo de construção de um modelo socioambiental sustentável. Foram construídas 15 unidades de triagem operadas porcooperativas de catadores durante sua gestão. De lá para cá, passados quase oito anos, foram implantadas apenas cinco unidades, o que revela a falta de vontade política de implementar um novo padrão de gestão e destinação de resíduos em São Paulo.
IHU On-Line – Esse percentual é estendido às demais capitais ou cidades do Brasil?
Elisabeth Grimberg – A média de desvio de resíduos de aterro sanitário por ações de recuperação, seja realizadas por catadores seja por intermediários (sucateiros), é estimada entre 10 a 15%. Encontram-se, porém, cidades que chegam a recuperar até 23% dos seus resíduos em programas oficiais de coleta seletiva, que é o caso de Londrina-PR.
IHU On-Line – O que dificulta a adesão de muitos municípios brasileiros à coleta seletiva?
Elisabeth Grimberg – Antes da PNRSpode-se atribuir essas dificuldades à cultura política que rege a gestão de resíduos, ou seja, tratar resíduos reaproveitáveis como lixo e jogá-lo, portanto, nas costas da cidade, em lixões – uma forma de não ter despesas com tratamento adequado. Em parte também porque, para implantar coleta seletiva, é preciso investimentos/orçamento para tal, e uma maior capacidade técnica e gerencial para implementar um sistema que funcione a contento – programa de educação da população para separar adequadamente, sistema de controle e punição para os que não aderirem, unidades de triagem e investimentos na estruturação de cooperativas de catadores para viabilizar sua integração de forma digna e sustentável. Isso tudo requer também planejamento estratégico, algo que não é muito frequente ocorrer nos municípios brasileiros. Contudo, a partir de 2010, esta atribuição passou a ser dos geradores, do setor produtivo – fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes – que deverá investir na estruturação e operação de toda a cadeia da recuperação dos resíduos secos.
IHU On-Line – Como os estados e municípios têm se organizado no sentido de elaborar planos de ação para garantir o destino correto do lixo? Já é possível perceber algum movimento nesse sentido?
Elisabeth Grimberg – Sabe-se que têm municípios elaborando seus Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PMGIRS, mas quantos são e em que estágios estão, não se sabe.
IHU On-Line – Quantos mil catadores estão integrados ao sistema de recuperação dos resíduos?
Elisabeth Grimberg – Segundo pesquisa do IPEA, hoje são em torno de 40.000 a 60.000 catadores, organizados em 1.100 cooperativas ou associações no país.
IHU On-Line – A logística reversa já está sendo aplicada?
Elisabeth Grimberg – A logística reversa está sendo aplicada parcialmente para coleta de alguns produtos pós-consumo, mas não de forma a abranger a totalidade dos resíduos gerados, tais como pneus, pilhas, baterias, que já eram alvo de resoluções Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA. Outros resíduos que foram introduzidos como de responsabilidade dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes ainda não foram devidamente contemplados, tais como eletroeletrônicos, lâmpadas fluorescentes, mas principalmente os resíduos secos domiciliares – papel/papelão, vidro, metal e plástico não estão sendo contemplados por sistema de logística reserva.
IHU On-Line – Como estão os acordos nesse sentido entre o poder público e o setor privado?
Elisabeth Grimberg – Houve assinatura de termos de compromisso entre a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e quatro setores da indústria – fabricantes de óleos lubrificantes, de embalagens de agrotóxicos, de pilhas e baterias portáteis (estes já têm ações há mais de 10 anos) e de produtos de higiene pessoal, perfumaria, cosméticos, de materiais de limpeza e afins (estes não tinham nenhuma iniciativa antes) para estabelecimento de logística reversa. Mas o desafio é muito maior, porque está em questão o setor empresarial viabilizar a coleta seletiva, triagem e garantia de escoamento de 30% de todo o resíduo seco gerado em 5.565 municípios brasileiros. A responsabilização do setor empresarial, considerado na lei como poluidor-pagador, pode se dar por meio do custeio desta atividade contratando, por exemplo, diretamente cooperativas de catadores para operarem as etapas de coleta, triagem e pré-beneficiamento dos materiais recicláveis. Podem também repassar os recursos para que as prefeituras coordenem estes serviços e, nesse sentido, também a proposta é que contratem as cooperativas para os executarem.
Certamente, o setor produtivo, especialmente as grandes multinacionais, que têm acúmulos com aoperação de logística reversa nos países europeus, saberá como adaptar estas experiências à realidade brasileira. Além disso, temos no país uma extensa rede de atores que têm vivências significativas e que poderá ser chamada para pensar e desenhar junto como implantar este sistema e orientar os municípios nas diversas alternativas para melhor implementar a PNRS: Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis – MNCR, 994 prefeituras que têm programas de coleta seletiva, inúmeras ONGs que têm colaborado na implantação de programas de coleta seletiva com integração de catadores. Também instituições de pesquisa, como IPEA, já produziram uma série de análises que podem subsidiar tanto o setor empresarial como o setor público na estruturação de soluções ambientais, sociais e econômicas sustentáveis.
IHU On-Line – Quais as implicações do processo de incineração dos resíduos?
Elisabeth Grimberg – A incineração tem impactos nocivos à saúde humana, ao meio ambiente (os poluentes são biocumulativos), gera desperdício ao não garantir o alargamento da vida útil dos resíduos passíveis de reciclagem, gera menos postos de trabalho (a incineração de dez mil toneladas de resíduos por ano gera um posto de trabalho, ao passo que sua recuperação pode gerar 647 postos de trabalho), e praticamente desconsidera a presença e contribuição dos catadores na cadeia do reaproveitamento.
Os custos também são exorbitantes e deixam dívidas para gestões posteriores a que a implanta. Além disso, ao se queimar desconsidera-se a alternativa de aproveitamento de 90 a 95% dos resíduos para finalidades ambientalmente saudáveis e duráveis: compostagem e reciclagem. Os aterros sanitários podem ser utilizados de forma consorciada por um conjunto de municípios que estariam destinando apenas 5 a 10% dos seus resíduos para estes locais, ou seja, o rejeito. Com isso aterros teriam longa vida útil.
IHU On-Line – Como dar conta do lixo produzido numa época em que a obsolescência tecnológica e o consumo de produtos embalados imperam e, obviamente, se descartam mais papel, plástico e embalagens de modo geral?
Elisabeth Grimberg – A lei ao responsabilizar fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes deverá levar a médio e longo prazo a uma revisão e reprogramação do padrão de produção, pois o excesso de embalagens terá custos no pós-consumo e isso deverá ser um estímulo para a reprogramação de produtos e embalagens. Também produtos tais como eletroeletrônicos (computadores, telefones etc.), eletrodomésticos, entre outros, poderão ter estruturas duráveis e serem recondicionáveis de tal forma que possam ser substituídos por mecanismos/motores ecoeficientes, o que reduzirá a geração de resíduos. Caberá à sociedade pressionar por uma legislação que exija mudanças no padrão de produção industrial na direção contrária à obsolescência programada e também ações cidadãs no sentido da recusa ao consumo de bens com este perfil. As redes sociais são potentes e poderão cumprir este papel de conscientizar e mobilizar a sociedade para que atue sobre fabricantes e o Estado.
IHU On-Line – Que aspectos da Política são mais difíceis de serem implantados?
Elisabeth Grimberg – Não creio que haja aspectos difíceis de serem implantados; já existem acúmulos, instrumentos, expertises para se implantar a PNRS de forma plena.

Como o diabo gosta e os ruralistas adoram, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

Apicuns salgado

Os ruralistas plantaram na sociedade brasileira não um bode, nem apenas um jumento, sequer um hipopótamo: plantaram a monocultura mental do setor no coração da nação. Fizeram uma guerra e ganharam. Venceram todos, inclusive o governo que finge ter resgatado algo de digno no vilipendiado Código Florestal. Enfim, plantaram um ruralista na encruzilhada à meia noite.
A ameaça de 50 emendas é apenas demonstração de força, prepotência total, que esse setor da sociedade acumula desde os tempos dos coronéis e jagunços, mentalidade que jamais abandonaram.
Não vão pagar as dívidas. Os morros vão estar entregues às enchentes, erosões e catástrofes humanas. Os apicuns continuarão sendo palco das fazendas de camarão. Reduziram a pó as Reservas Legais e as Áreas de Preservação Permanente. O que mais uma cabeça ruralista poderia querer?
Mas, por que esperávamos algo diferente? Concentram em suas mãos a terra e os grandes volumes de água. Representam 40% das exportações brasileiras. Podem utilizar trabalho escravo em suas fazendas. Semeiam anualmente 5,2 litros de veneno na mesa de cada brasileiro. Tem uma bancada no Congresso proporcional à acumulação de terras.
Nada adianta setores da esquerda proclamarem que os ruralistas perderam algo, ainda que seja os anéis. Saem fortalecidos, nessa ditadura da oligarquia rural imposta ao resto da nação.
Quem achava que a terra não é mais poder no Brasil, seria bom refazer suas análises.
Roberto Malvezzi (Gogó), Articulista do Portal EcoDebate, possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.
EcoDebate, 31/05/2012
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Afinal é SÓ UMA PONTE...pra onde vai o minério!!!!

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Há uma semana, o governo da China inaugurou a ponte da baía de Jiaodhou, que liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Construído em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão e custou o equivalente a R$2,4 bilhões.

Há uma semana, o DNIT escolheu o projeto da nova ponte do Guaíba, em Ponte Alegre , uma das mais vistosas promessas da candidata Dilma Rousseff. Confiado ao Ministério dos Transportes, o colosso sobre o rio deverá ficar pronto em quatro anos. Com 2,9 quilômetros de extensão, vai engolir R$ 1,16 bilhões.

Intrigado, o matemático gaúcho Gilberto Flach resolveu estabelecer algumas comparações entre a ponte do Guaíba e a chinesa. Na edição desta segunda-feira, o jornal Zero Hora publicou o espantoso confronto númerico resumido no quadro abaixo:

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Os números informam que, se o Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte não teria prazo para terminar e seria calculada em trilhões. Como o Ministério dos Transportes está arrendado ao PR, financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o País do Carnaval abrigaria o partido mais rico do mundo.

Corruptos existem nos dois países, mas só o Brasil institucionalizou a impunidade. Se tentasse fazer na China uma ponte como a do Guaíba, Alfredo Nascimento daria graças aos deuses se o castigo se limitasse à demissão.

Dia 19/07/11, o Tribunal chinês sentenciou a execução de dois prefeitos que estavam envolvidos em desvio de verba pública.

(Adotada esta prática no Brasil, teríamos que eleger um Congresso por ano)

TV SALITRE APRESENTA - EXPEDIÇÃO AO RIO SALITRE - PARTE I


Expedição retrata situação atual da Bacia do Rio Salitre



Teve início no final do mês de abril uma “Expedição à Bacia do Rio Salitre”, que nasce no município de Morro Chapéu e deságua em Juazeiro, na Bahia. A iniciativa pretende dar visibilidade a situação atual deste afluente do Rio São Francisco que a algumas décadas vem sendo cada vez mais degradado devido tanto à ação humana inconseqüente quanto à ausência da gestão de suas águas, usadas de forma desordenada, principalmente para irrigação de grandes lavouras. Ao longo das visitas, registros em fotografias, áudios e vídeos estão sendo feitos sobre o rio e a vida do povo que vive em suas margens.
A “Expedição” partiu da foz, no povoado de Sabiá II, município de Juazeiro e pretende percorrer até a nascente, em Morro do Chapéu. A intenção é reunir elementos que possam compor um banco de dados sobre a situação do rio e assim subsidiar possíveis soluções para os diferentes problemas que hoje o afetam, o que traz diferentes consequências para a população que depende de suas águas, seja nos municípios mais próximos da nascente ou as comunidades situadas no baixo Salitre, região da foz.
Além disso, a Expedição busca também cumprir o objetivo de veicular as informações levantadas em alguns meios de comunicação da região, bem como nos veículos institucionais de entidades e movimentos sociais comprometidos com a questão ambiental. Neste sentido, matérias, boletins, sugestões de pautas, mini-vídeos para disponibilização na internet, redes sociais serão alguns dos instrumentos usados.

Não deixe de acompanhar acessando nossos principais instrumentos de comunicação!



ÁGUA PARA TODOS E PARA NÓS!

Vista aérea de Juazeiro(BA) e Petrolina(PE)


Antes que você leia a matéria do Geraldo José sobre a reunião que o Comitê da Bacia do São Francisco realizou no dia 25 no Auditório da CODEVASF em Juazeiro, não podia deixar de externar que quando lia e ouvia o mundo político relatar o quanto de investimentos a Bahia perde para o vizinho estado do Pernambuco pensava que era apenas argumentos politiqueiros da "base alugado" que apoia a presidente Dilma.

Nesta reunião ficou claro para os presentes de 05 estados (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe), que estavam no auditório da CODEVASF quando assistiram a aula do Diretor da APAC - Agência Pernambucana de Águas e Climas, Marcelo Asfora apresentou como ha 08 anos o estado vem se preparando para conviver com a seca e neste período crítico não fez nenhum pedido de braço ou eixo novos da famigerada Transposição do São Francisco porque o estado tem o mapa da seca, o controle e o balanço hídrico do estado, enquanto os representantes do governo da Bahia, representando a CERB e a SEMA/INEMA sequer tiveram nada para apresentar a não ser um institucional conhecido pelos membros dos comitês baianos como "Água para Todos", menos para os Comitês que o estado instituí em 2006 e nesta gestão vem sendo enfraquecidos por não aportar recursos para os comitês,  comprometendo todo o "Sistema"

Assim, por termos passado em 5 anos de governo Wagner por três metamorfoses no Órgão Gestor, que inicialmente era  SRH, foi transformado em INGÁ  e  ha 1 anos atrás em INEMA e por isso não têm  o  mapa da seca, o controle e o balanço hídrico do estado. Quem não conhece a situação da escassez de água na Bacia do Salitre e do verde Jacaré? Talvez só o Eugênio por ter vindo do sul como consultor da BAMIN e agora sai pedindo dispensa de licitação para conclusão da adutora do São Francisco que vai levar água para Mirorós e sai atirando no escuro pedindo o terceiro eixo ou eixo sul da transposição avaliado em 600 milhões para levar água ao Rio Itapicuru detonado pela mineradoras e Vaza Barris, historicamente seco desde os tempos remotos, principalmente para quem conhece a história da Bahia como a do Antônio Conselheiro.

No dia 22 em reunião no Ministério da Integração o conterrâneo Amaury Teixeira, deputado federal do PT, através da indicação 2899/12 solicita que as obras da transposição do São Francisco possa levar água para o rio Jacuipe pertencente a Bacia Hidrográfica do Paraguaçu, alegando levar água para as cidades de Baixa Grande, Capela do Alto Alegre, Gavião, Nova Fátima, Pé de Serra, Pintadas, Quixabeira, Riachão do Jacuipe, Serra Preta, Várzea do Poço e da Roça, Ipirá e Mairi, que segundo o deputado, fica próximas ao "Velho Chico". Parece que o deputado não foi aluno do saudoso professor de geografia Adonel Moreira de Freitas (carinhosamente conhecido como compêndio), e da professora Celma.

Assim, fica evidente a diferença entre os técnicos do estado do Pernambuco e os representantes da Bahia que foram representar o Governador Wagner e o Secretário Eugênio Spengler que optou fazer a abertura da 3ª Conferência Estadual de Meio Ambiente em Paulo Afonso, encerrando a 20ª conferência regional que ironicamente temo como tema "Integração das políticas de Meio Ambiente e Recursos Hídricos"

MATÉRIA DA ASCOM DO CBH SÃO FRANCISCO PUBLICADA NO http://www.geraldojose.com.br/index.php?sessao=noticia&cod_noticia=26885




26/05

SÁBADO

COMITÊS DA BACIA DO RIO SÃO FRANCISCO QUEREM MELHOR GESTÃO DA ÁGUA


A necessidade de melhorar a gestão dos recursos hídricos foi a conclusão que emergiu da discussão pública sobre os efeitos da estiagem na bacia do Rio São Francisco, que se estendeu durante todo o dia de hoje (25.5), no auditório da Codevasf, em Juazeiro. O encontro, promovido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco - CBHSF, reuniu dirigentes dos governos federal, estaduais e municipal, representantes de seis comitês de bacias de rios afluentes, conselhos de seis açudes e a categoria dos produtores irrigantes do Oeste da Bahia.

No primeiro relato do dia o representante do comitê da bacia do rio Salitre, Almack Luiz Silva, distinguiu entre “a seca natural, cíclica, e a seca de gestão”. A abordagem predominou nas diversas intervenções, consolidando o entendimento de que a escassez de água que penaliza atualmente as populações, culturas e criações no Nordeste decorre tanto do fenômeno cíclico da estiagem como também de outros fatores, relacionados com a gestão dos recursos hídricos. No encerramento da programação matutina, o presidente do Comitê do São Francisco, Geraldo José dos Santos, destacou este como o sentimento emergente entre os participantes:
“É um anseio geral, todos desejam uma melhor gestão dos recursos hídricos, quer seja nas ações de governo, ou nas ações dos próprios comitês”. Os depoimentos evidenciaram problemas de toda ordem, desde a falta de água, falta de recursos para investimentos em obras hidroambientais, até o desmatamento, poluição, assoreamento, degradação das nascentes, técnicas predatórias, convergindo para o convencimento de que é necessário desenvolver meios de convivência com a estiagem, enquanto fenômeno cíclico.   
O presidente da Agência Pernambucana de Águas e Climas - Aspac, Marcelo Asfora,  opinou que “devemos ter uma visão clara sobre o que é situação de calamidade e o que é a  convivência com o semiárido. Neste momento, em relação à estiagem, estamos diante de um evento catastrófico, que deve ser tratado como tal, isto é, uma situação de emergência. Ao mesmo tempo, se aprendermos a conviver bem com o semiárido, se desenvolvermos procedimentos e tecnologias adequados, teremos meios para enfrentar a estiagem”.
A matéria na íntegra leia aqui...
Ascom CBHSF



AMBIENTALISTA JACOBINENSE ABRE CONFERÊNCIA REGIONAL DE MEIO AMBIENTE DE JUAZEIRO


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QUINTA-FEIRA
MATÉRIA DO SITE GERALDO JOSÉ
VARIADAS ÀS 06:00
CONFERÊNCIA TERRITORIAL DO SERTÃO DO SÃO FRANCISCO É REALIZADA EM JUAZEIRO
Amacks Luiz Silva, presidente do CBH Salitre, fez abertura da Conferência Territorial do Meio Ambiente do Território Sertão do São Francisco

A Prefeitura de Juazeiro através da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente participou nesta quarta-feira (23), no auditório da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) em Juazeiro; da Conferência Territorial do Sertão do São Francisco, etapa que antecede a 3ª Conferência Estadual do Meio Ambiente e que objetiva discutir a integração das Políticas de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos no Estado da Bahia.
O evento tem como proposta, ampliar a reflexão e o debate sobre as problemáticas e os desafios impostos à área socioambiental nos municípios que integram o Território Sertão do São Francisco – Juazeiro, Curaçá, Sento Sé, Casa Nova, Sobradinho, Remanso, Pilão Arcado, Campo Alegre de Lourdes, Uauá e Canudos. “A etapa territorial faz parte de um processo que estamos realizando em todo estado, atendendo aos 27 territórios de identidade, que resulta na realização de 20 conferências. O objetivo principal do evento é a sistematização e a unificação do ponto de vista da execução do plano plurianual do governo em relação as políticas de recursos hídricos e de meio ambiente”, informou Aldo Carvalho da Silva, Coordenador de Política e Articulação Institucional da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.
Aldo explicou também que tanto a política de recursos hídricos como a de meio ambiente são prioritárias para o Governo do Estado, porém elas estavam caminhando separadamente; “e para que possamos dar mais agilidade e celeridade nos processos, melhorando a eficiência do governo na sua ação, é necessário que a gente articule as duas juntas”, observou. O evento que é uma realização da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) e conta com o apoio da Prefeitura de Juazeiro, reuniu representantes do poder público, sociedade civil e do setor produtivo. De acordo com Kitty Tavares, diretora de estudos avançados do meio ambiente e representante do titular da SEMA, Eugênio Spengler, a metodologia utilizada nessa etapa é um pouco diferente, porque já traz o plano plurianual pronto - discutido pela sociedade e aprovado pela administração do estado.
Vinte e três delegados escolhidos durante a conferência municipal, irão representar o território na etapa estadual. Na ocasião, as 37 propostas de diretrizes (atividades para políticas públicas integradas) aprovadas em Juazeiro deverão ser discutidas em Salvador. Para Minéia Clara dos Santos, uma das delegadas que representará Juazeiro, este é um momento importantíssimo. “Pretendemos focar durante a etapa estadual, na destruição dos rios - São Francisco e Salitre; além da degradação nas áreas de preservação permanente, e os métodos de extração no que diz respeito à mineração. Tudo que a gente puder falar e debater, nós iremos. Esse é um momento muito importante, um fórum de discussão onde a gente pode levar para os nossos políticos – poder legislativo e executivo, a nossa insatisfação com a destruição ambiental”, frisou.
Lene Radina – Assessoria de Comunicação/SEADRUMA (Prefeitura Municipal de Juazeiro)

http://www.geraldojose.com.br/index.php?sessao=noticia&cod_noticia=26787

TV SALITRE


A equipe de comunicação do IRPAA - Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada através de Érica Daiane, lança pelo YOUTUBE o canal TV SALITRE. Apresentamos o protesto que os estudantes fizeram durante a reunião que aconteceu na comunidade do Junco/Juazeiro-BA no dia 17/05/2012, sobre a água que o Salitreiro bebe.

Cheia dos rios no Amazonas e seca no Nordeste do Brasil espanta cientistas

Cheia no Rio Negro

Seca no Nordeste

Os extremos climáticos nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, que enfrentam cheia e seca recordes, respectivamente, estão desafiando os cientistas. Apenas nos últimos sete anos, a Bacia Amazônica registrou as duas maiores estiagens da História, em 2005 e 2010, e as duas maiores inundações, em 2009 e em 2012.

Na última quinta, o Serviço Geológico do Brasil, conhecido como CPRM, informou que o nível do Rio Negro subiu mais dois centímetros, chegando aos 29,80 metros.

Enquanto isso, o semiárido nordestino viu muito pouca chuva cair na última estação úmida, encerrada no mês passado, e agora a maior parte de seus 25 milhões de habitantes distribuídos em 1,1 mil municípios encara a perspectiva de ter que esperar até o início do ano que vem por mais água vinda do céu.

Segundo os especialistas, as causas pontuais destes dois eventos extremos são relativamente fáceis de serem apontadas. No caso da cheia da Bacia Amazônica, ela ainda estaria ligada ao fenômeno conhecido como “La Niña”, uma redução da temperatura da superfície na faixa equatorial do Oceano Pacífico que provoca mais chuvas na região.

Apesar de a Organização Mundial de Meteorologia (WMO, na sigla em inglês) ter declarado seu término esta semana, a influência da “La Niña” fez aumentar a precipitação em dezembro, janeiro e fevereiro na parte Oeste do Norte da América do Sul.

Agora, toda essa água já desceu os Andes e as calhas dos rios afluentes, elevando o nível do Rio Negro. Já no caso do Nordeste, é o resfriamento do Oceano Atlântico que está provocando o surgimento de sistemas de alta pressão atmosférica que invadem o continente, impedindo a formação de nuvens e, consequentemente, as chuvas.

Embora os cientistas evitem afirmar que o aumento na frequência de eventos extremos esteja diretamente relacionado às mudanças climáticas, eles admitem que isso pode ser um sinal de que os modelos sobre a influência da ação humana no clima estão corretos.

— Tanto a cheia no Norte quanto a seca no Nordeste são fenômenos de causas naturais, que já aconteceram antes – diz José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). — O que é incomum, porém, é a sincronicidade que estamos vendo este ano. Normalmente, as duas regiões costumam se comportar de forma similar, com a “La Niña” provocando mais chuvas em ambas. Assim, o estranho neste ano é que a “La Niña” tomou conta da Amazônia, enquanto a situação no Atlântico Tropical Sul influenciou o Nordeste. E este tipo de divisão que leva a extremos de ambos os lados da região tropical da América do Sul é o que os modelos climáticos preveem que vai acontecer no futuro.

Javier Tomasella, coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), segue a mesma linha. Segundo ele, a situação é “inusitada”, com o recém-criado órgão tendo que lidar com casos opostos de muita e falta de chuvas em duas regiões vizinhas.

— A rigor, não temos indícios suficientes para afirmar as mudanças climáticas estão alimentando este processo — conta. — Sabemos que os dois eventos extremos estão ligados à temperatura na superfície dos oceanos, mas o caráter dinâmico dos fenômenos climáticos faz com que se tenha uma incerteza muito grande quanto a suas causas. O fato, porém, é que fenômenos que deveriam ocorrer uma vez por século estão se repetindo a cada quatro ou cinco anos. E o por que disso é a grande pergunta que a gente tem.

De olho na gravidade da situação, os técnicos do Cemaden, Inpe, e outros órgãos, junto com representantes das defesas civis das duas regiões, vão se reunir hoje para nova avaliação, que será apresentada à Casa Civil
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Fonte: O Globo

Marcio Pochmann: ‘Ascensão da classe trabalhadora dá sinais de esgotamento’

Prestes a disputar a eleição municipal em Campinas, o economista Marcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), nega a existência de uma nova classe média no Brasil em seu novo livro A Nova Classe Média?, da Editora Boitempo.

Na obra, o economista defende a tese de que a mudança social dos últimos oito anos não resultou na criação de uma nova classe média no País. Segundo ele, os empregos gerados nos últimos anos criaram uma classe trabalhadora consumista, individualista e despolitizada.
Esse movimento de ascensão da classe trabalhadora, segundo Pochmann, apresenta sinais de esgotamento, e agora o governo deve buscar outras maneiras de gerar emprego.
O economista deve sair em breve do Ipea, onde está desde 2007, para concorrer à prefeitura de Campinas pelo PT. O livro será lançado no próximo dia 29, durante debate na sede da PUC, em São Paulo.
CartaCapital: O senhor fala que há um despreparo das instituições democráticas para canalizar os interesses da nova classe trabalhadora. Por quê?
Marcio Pochmann: Estamos observando uma despolitização nesta ascensão social no País. Ela vem envolvida nos valores do mercado, e não poderia ser diferente. Foi assim nos anos 70. Naquela época, havia uma ação mais direta das instituições, o que nós não estamos vendo hoje.
Há um despreparo das instituições para lidar com esse segmento que, possivelmente, liderará o processo político brasileiro. De alguma forma, esse segmento conduzirá a política brasileira. Seja pela direita, seja pela esquerda.
Os sindicatos, associações de bairro e partidos políticos estão observando esse avanço social que não se traduz em aumento das filiações nos sindicatos, nas associações de bairros, nos partidos políticos.
Veja que cerca de 1 milhão de jovens ingressaram na universidade através do Prouni. Isso é uma ascensão na universidade, mas se traduziu na ampliação e reforço do movimento estudantil? A gente não observa isso.
Acontece a mesma coisa em relação aos leitores. Houve um avanço de mais de 40 milhões de leitores no Brasil, mas a ampliação da mídia escrita não se traduziu nesse mesmo sentido.
CC: Há uma explicação para isso?
MP: As instituições democráticas não entenderam ainda o que tem sido essa mobilidade social. Como nós temos pouco conhecimento, não temos uma ação mais identificada. Os sindicatos acabam sendo mais defensores do passado que protagonistas do futuro porque não conseguem criar um diálogo com esse segmento. É um desafio evidente para todos nós.
CC: O senhor fala que a classe trabalhadora é consumista. Isso é necessariamente ruim?
MP: Não, é um movimento natural que ocorre quando você não tem a politização, consegue um emprego e tem a elevação da sua renda. Você entende como sendo resultado do seu esforço individual quando, na verdade, nós sabemos que a geração e a elevação da renda dependeram de um acordo político, de uma decisão política, de um resultado eleitoral.
Portanto, o que eu quero chamar a atenção é que essa manifestação que se observa de forma mais clara é natural do ponto de vista da individualidade de cada um. Mas se não vem acompanhada de um processo de conscientização, essa ascensão pode ao mesmo tempo retroagir ou ser encaminhada para uma visão de sociedade muito diferente da que levou a uma ascensão social recente.
CC: Porque as pessoas identificam a ascensão como resultado do próprio esforço individual…
MP: Esse é o papel da politização, até porque você percebe que as coisas foram feitas com esses segmentos. Eles são favoráveis ao crescimento, ao emprego e assim por diante. Mas na questão dos valores mais amplos da política, como pena de morte, eles majoritariamente estão atrelados a visões muito ultrapassadas.
CC: A maior parte dos empregos gerados foi com rendimento próximo a um salário mínimo. Como o governo pode gerar empregos com melhor remuneração?
MP: Primeiro quero dizer que foi muito bom ter gerado esses empregos acompanhados da formalização e do aumento do salário mínimo, tendo em vista o estoque de desempregados que nós tínhamos. Nos anos 2000 eram praticamente 12 milhões de pessoas desempregadas. Se o Brasil não gerasse esse tipo de oportunidade, se gerasse empregos de classe média, que exigem maior escolaridade, esse segmento que ascendeu não teria ascendido. Mas esse movimento está apresentando sinais de esgotamento. Porque a questão fundamental neste momento é a ampliação dos investimentos para aumentar a capacidade produtiva. E o aumento de investimento, novas fábricas, novos avanços da produção vêm acompanhados de inovação tecnológica, maior exigência de qualificação, maior demanda de trabalhadores com escolaridade, portanto maiores salários e ocupações melhores.
CC: No livro, o senhor diz que as pessoas que acenderam socialmente nos últimos anos não podem ser consideradas de uma nova classe média. Por quê?
MP: Uma classe média tem ocupações diferentes dessas que foram geradas. Se fossem vinculadas a bancários, professores ou dirigentes de empresas, possivelmente nós poderíamos associar isso a classe média, mas não foram essas ocupações que deram razão a essa mobilidade social.
No caso brasileiro, parcelas significativas das ocupações não são geradas pela indústria, mas sim por serviços. Por isso, entendemos que são novos segmentos no interior da classe trabalhadora. A classe média tradicionalmente tem uma estrutura muito diferente desses segmentos novos que surgiram no Brasil. Ela tem mais gastos com educação e com saúde. O peso da alimentação é muito menor do que o que se identifica nesse segmento de renda de até 1,5 ou 2 salários mínimos mensais.
Ao mesmo tempo, a classe média poupa, não gasta tudo que ganha. Nela, a elevação da renda não se traduz necessariamente na elevação do consumo. Especialmente porque os bens que mais têm sido dinamizados no país, como eletrodomésticos, são bens que a classe média já possui. Então a classe média poupa. E isso é uma diferença que nós não identificamos nos segmentos agora em ascensão.
A classe média tem ativos e patrimônio. São várias características que infelizmente nós não conseguimos observar nesses segmentos que estão ascendendo. E são segmentos que, ao nosso modo de ver, dizem respeito à classe trabalhadora, tal como foi o padrão de expansão do Brasil nesses últimos dez anos.
CC: Essas particularidades mudam, alguma forma o foco das políticas voltadas a essa parcela da população?
MP: Esse debate, de como se identifica essa ascensão social no Brasil, tem implicações evidentes no posicionamento do Estado brasileiro, das políticas públicas. Se nós identificarmos essa ascensão como um movimento vinculado à classe média, certamente o papel do Estado estaria ligado à difusão dos serviços privados, por intermédio de subsídios, como através do Imposto de Renda, que subsidia gastos do setor privado da classe média. Hoje é possível descontar despesas de educação, saúde e previdência privada. São interesses diferentes da classe trabalhadora, que são por bens públicos de interesse coletivo: saúde pública, educação pública, transporte público.
CC: Quando o senhor deve sair do Ipea para se dedicar à campanha?
MP: Essa é uma resposta que eu não tenho condições de dar. Até o 6 de julho, eu sei que tenho que sair inexoravelmente. O dia que eu vou sair depende da presidenta, estou aguardando o posicionamento dela.
CC: O senhor até hoje só tinha ocupado cargos técnicos e agora está tentando a sua primeira eleição. Por que tomou a decisão de ser candidato?
MP: Eu me considero um intelectual de perfil engajado. Foi a partir de uma conversa com o próprio presidente Lula, em que ele chamava atenção às mudanças que o Brasil estava passando no começo desse século. As mudanças são muito diferentes daquela que o Brasil estava passando nos anos 70, começo dos 80, quando o PT foi criado. Hoje temos um ciclo de lideranças que foram forjadas num Brasil que quase não existe mais. Existe uma necessidade de renovação do PT, especialmente quando o partido está no auge ainda.
E tem também, outro lado. Em geral, a prefeitura existe como um cargo com menor visibilidade quando se compara com o Executivo estadual e nacional. No caso do Brasil, uma federação, o exercício de um mandato na prefeitura é absolutamente fundamental. Quando se lança uma política pública, se fala da experiência em determinada localidade, para saber se dá certo, dá errado, de poder tornar um programa de abrangência nacional. Temos uma oportunidade de testar experiências inovadoras no ponto de vista da administração pública a partir da experiência local. Campinas é uma cidade que permite essa oportunidade de iniciar um ciclo de inovações em políticas públicas que são necessárias para o Brasil de hoje.
CC: O senhor foi indicado pelo presidente Lula, a exemplo do que aconteceu em São Paulo com o Fernando Haddad. Há setores do partido que se incomodam com essas decisões tomadas com base no desejo do ex-presidente.
MP: No meu caso, tive essa conversa com o presidente Lula e depois comecei uma conversação longa com os militantes, com o PT na cidade de Campinas e tanto assim que me submeti a uma prévia dentro do PT com outro candidato. Foi a prévia com a maior participação na cidade de Campinas e maior apoio a um candidato. Porque participei de um processo interno democrático, aprendi muito, gostei.
CC: Tem falado com o ex-presidente?
MP: Eu estive com ele há duas semanas e conversamos um pouco sobre esse período pós-prévia, organização da campanha. Ele manifestou desejo de apoiar da melhor forma que puder.
CC: A presidenta Dilma já disse como será a presença dela na campanha?
MP: Eu ainda não tive essa oportunidade. Estou esperando o momento oportuno para conversar com ela.
CC: Quais partidos vão fazer parte da aliança?
MP: Também não há definição. A gente ainda começa a ouvi-los, vai consultar vários partidos e fazer o balanço das oportunidades para partidos. E tem tempo para a definição até julho, na verdade.
CC: Campinas teve um prefeito cassado recentemente, Dr. Hélio (PDT). Haveria algum constrangimento em se aliar ao PDT?
MP: Não. Na verdade, eu imagino que a discussão nesse âmbito da prefeitura se deu no passado, embora isso seja um elemento a ser discutido. Se nós ficarmos discutindo o passado, não teremos respostas para o futuro. Quero ser um candidato do futuro, ter respostas para a sociedade. O passado serve só para a gente não repeti-lo nem cometer os mesmo erros.

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Viagem às terras Payayá



Fotos do arquivo pessoal de Juvenal Payayá


A muito que se fazia necessário uma confirmação do resquício da cultura dos povos Payayá nas regiões historicamente reconhecidas. Os Payayá são povos Indígenas dados como desaparecidos, exterminados. Entre os séculos XVI e XIX dominavam o território vale do Rio Paraguaçu, bem como o território que compreende hoje a região onde estão os municípios de Morro do Chapéu, Jacobina, Saúde, Utinga  e Tapiramutá. Também se encontra a presença inconteste deste povo na região de Alagoinhas, onde existe o povoado de nome São José dos Payayá. Em Serra Preta, região de Feira de Santana, há um monte chamado Payayá. No município de Saúde há uma fazenda com esta denominação, em Jacobina existia um cinema, segundo seus construtores, em homenagem aos primitivos habitantes.


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Na verdade, os povos Payayá não desapareceram, misturaram-se. Devido sua enorme resistência ao colonialismo, os Payayá foram perseguidos por fazendeiros, mineradores, bandeirantes e autoridades em geral. Suas mulheres foram tomadas, estupradas, os homens foram dizimados. Sabe-se que as famílias Gonzaga, Góis e Martins de Cabeceira do Rio são frutos da união deste povo. A família que não trocava de nome sofria as sanções da polícia da época.

A luta para que os remanescentes Payayá sejam reconhecidos ressurgiu a partir da década de 90 com Juvenal Teodoro, da família Gonzaga da Cabeceira do Rio. Mesmo diante de incompreensões, naturais desconfianças por parte das organizações indígenas, desencontros com os intelectuais e historiadores, esta luta não teve trégua, nunca houve desânimo. Compreendendo que apesar da mistura seria necessário encontrar os remanescentes dos Payayá.

A luta do Cacique Juvenal Teodoro valeu. O município de Utinga que foi desmembrado do município de Morro do Chapéu em 1953, vale resaltar que o município de Morro do Chapéu foi desmembrado do município de Jacobina em 1864, que caracteriza toda esta região como território Payayá, está prestes a ser reconhecido pela FUNAI – Fundação Nacional do Índio a aldeia Payayá do município de Utinga com quase cinquenta famílias.

No trabalho de resgate e reconhecimento que o cacique Juvenal Teodoro vem realizando, narra-se um de extrema emoção: o encontro com os velhos Sr. Manoel Góis e dona Nega de Cocota; talvez os últimos índios vivos da região que confirmam a história deste povo. Pela fisionomia e convicção são remanescentes incontestes dos primitivos Payayá.

Após visitas, os índios seguiram para o pé da gameleira (cabendo ressaltar que a gameleira era a árvore sagrada para os Payayá). Quando foram forçados a trocar de nome eles adotaram o nome da árvore sagrada daí o nome de Yayá Gameleira (nome de dona Maria Gameleira morta com mais de 100 anos) que é uma forte lembrança entre os mais velhos, esta mulher foi a chefe do clã dos Góis e Gonzaga.
Queremos reforçar a luta dos povos indígenas dizendo que para o governo muitas etnias foram totalmente dizimadas, mas nós índios, sabemos que ainda existe muitos na zona urbana e muitas vezes precisando de apoio. Pessoas essas que tinham suas terras e que o homem branco foi e roubou e que para nós os Payayá estão vivos e vivendo na região da chapada. Reafirmamos que existem os índios Payayá.

E, com grande alegria recebi a notícia de que algumas famílias do povo Xakriabá, que atualmente habitam o norte de Minas Gerais, migraram para o município de Jacobina e buscam a reconquista de suas terras em nosso município.
Quem falou que Jacobina e região não tem índio? É com muita alegria que sou neto de dona Yayá (não a do fato narrado acima mas uma sua xará), campesina sem terra que criou os seus filhos catando licuri em propriedades de terceiros para quebrar,  vender e tirar o sustento da família que criou com dignidade.




Arsênio liberado pela Kinross em Paracatu já está bioaccessível, revela estudo



mina de ouro a céu aberto da mineradora canadense em Paracatu
Por Sergio U. Dani, de Heidelberg, Alemanha, 17 de maio de 2012.

Estudo financiado pela Kinross Gold Corporation (NYSE:KGC; TSX: K) e realizado por uma equipe da Universidade de Lavras fornece novas evidências sobre a gravidade da contaminacao ambiental causada pelas atividades da própria empresa em Paracatu (1). 
Os pesquisadores colheram amostras de solos em vários locais da mina de ouro a céu aberto da mineradora canadense em Paracatu. A quantidade de arsênio total nessas amostras variou entre menos de 18mg/kg nos solos da Reserva do Mundeu e 2666mg/kg na barragem de rejeitos.

A concentração de arsênio total na barragem de rejeitos variou entre 1065mg/kg e 2666mg/kg, uma das mais altas concentrações de arsênio em solos jamais reportadas na literatura científica. Em seguida, os cientistas trataram as amostras de solo com soluções químicas que reproduzem as condições prevalentes no trato gastrointestinal de uma pessoa.

A quantidade de arsênio solúvel liberada após esse tratamento representa, conforme explicam os pesquisadores, a fração bioaccessível, ou seja, a fração do arsênio total contido na amostra que seria absorvida de fato por uma pessoa se ela ingerisse a amostra.

Os valores médios de arsênio bioaccessível nas amostras de solo variaram entre 5mg/kg e 79mg/kg, exceto nos solos intocados da Reserva do Mundeu, cujos valores estavam abaixo do limite de detecção. Quando esses valores de arsênio bioaccessível foram lançados em proporção aos respectivos valores de arsênio total, a porcentagem média de arsênio bioacessível variou entre indetectável na Reserva do Mundeu e 4,2% na barragem de rejeitos. Os valores de arsênio total e bioaccessível foram menores na porção mais superficial do solo (0-2cm), quando comparados aos da porção mais profunda (2-10cm). Os autores do estudo não explicam a razão deste fenômeno que pode estar relacionado à lixiviação do arsênio para a profundidade, e também à perda de arsênio para a atmosfera pelos processos de oxidação, pulverização e gaseificação, não analisados no presente estudo. Valores de arsênio para a porção mais profunda da barragem de rejeitos não foram fornecidos pelos autores do estudo. Os autores estimaram o valor de uma dose de exposição diária num período de 182dias/ano (equivalente a 12 horas/dia) para uma criança pesando 15kg que ingerisse 100mg de solo contaminado por dia. Os valores variaram entre 0,022 microgramas de arsênio por kilograma de peso corporal por dia (ug/kg/d) e 0,381 ug/kg/d. Esses resultados foram comparados com o limite máximo provisório de 0,3ug/kg/d sugerido pela ATSDR (2) acima do qual efeitos tóxicos são verificados. Para a maioria dos solos analisados, os autores do estudo concluíram que o risco de intoxicação é baixo. Para o material depositado na barragem de rejeitos, o risco é alto.

Considerando a massa de rejeitos atual em torno de 300 milhões de toneladas e a massa final de 1 bilhão de toneladas daqui a 30 anos, os dados desse estudo revelam perspectivas sombrias. Atualmente, a quantidade de arsênio total depositada na barragem de rejeitos da Kinross em Paracatu é estimada entre 319500-799800toneladas, e a fração bioaccessível entre 13419-33591toneladas. Daqui a 30 anos, se a mineração continuar no mesmo ritmo, a quantidade bioaccessível será da ordem de 44730-111972toneladas. Trocando em miúdos, o arsênio bioaccessível da Kinross em Paracatu é suficiente para matar entre 93,9 bilhões e 780bilhoes de pessoas adultas, ou um número certamente maior de crianças (3). A genocida Kinross vai argumentar que nem todo esse arsênio bioaccessível está biodisponível, e terá a nossa concordância. Vamos imaginar então que apenas 0,1% de todo esse veneno esteja biodisponível na forma sólida, gasosa, ou nos líquidos venenosos que vertem 24 horas por dia da mina da Kinross para a bacia do Rio São Francisco e desemboca na cadeia alimentar, nos nossos corpos e no mar. Nesse nível de 0,1%, serão entre 93,9 milhões e 780milhoes de pessoas mortas, direta ou indiretamente, o maior genocídio da história da humanidade. Mas, nem todas as pessoas contaminadas apresentarão sinais de intoxicação, dirão os genocidas.

Sou novamente forcado a concordar, e a corrigi-los uma vez mais: como não existe dose segura para uma substância cancerígena como o arsênio, toda a população do planeta Terra será, cedo ou tarde, afetada pela arma mortífera da Kinross.

 Referências:

(1) Ono FB, Guilherme LR, Penido ES, Carvalho GS, Hale B, Toujaguez R, Bundschuh J. 2011. Arsenic bioaccessibility in a gold mining area: a health risk assessment for children. Environ Geochem Health. 2011 Dec 18. [Epub ahead of print]. Source: Department of Soil Science, Federal University of Lavras, CP 3037, Campus UFLA, Lavras, MG, 37200-000, Brazil, onofabiob@gmail.com.

(2) Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR). 2009. Minimal Risk Levels (MRLs). Accessed September 25, 2010 from http://atsdr.cdc.gov/cercla/07list.html.

(3) Um grama de arsênio accessível é suficiente para matar 7 pessoas adultas. Quantidades muito menores ao longo do tempo de vida de uma pessoa causam câncer, diabetes, hipertensão, doença de pele, doença renal e doença de Alzheimer, entre outras.

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Dr.med. D.Sc. Sergio U. Dani
Heidelberg, Germany
Tel. 
+49  15-226-453-423
srgdani@gmail.com

O Brasil dos desastres naturais



Urbanização descontrolada é maior responsável por tragédias no país, revela estudo

Ana Lucia Azevedo

São bem terrenas as causas dos desastres naturais que se multiplicam no Brasil, revelam novas pesquisas. Após um 2011 de devastação na Serra na Fluminense, enchentes avassaladoras no Sul e no Sudeste e um início de 2012 com a pior seca em três décadas no Nordeste, não resta lugar para o mito de que este é um país imune aos desastres naturais. Na verdade, somos muito vulneráveis. Mas as mudanças climáticas que alteram padrões temperatura e chuva pelo planeta afora, não são as maiores culpadas pelo aumento de tragédias naturais no Brasil. A principal causa de perdas de vidas e bens é humana; é a urbanização galopante e mal planejada, como mostram dados apresentados ontem na Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências (ABC), cujo tema é Ciência para o Desenvolvimento Sustentável, num evento preparatório para a Rio+20.

O dados fazem parte de estudo da resseguradora Swiss Re, que analisa o número e o impacto de desastres naturais em todo o mundo. Na conta dos desastres, os céus entram com a chuva que alimenta as enchentes relâmpagos, mas o que pesa e torna as pessoas realmente vulneráveis são as construções em áreas de risco evidente, como estradas, ferrovias, estádios e outras obras de vulto levadas a cabo sem considerar cursos de rios, áreas de baixada - por definição, alagadiças - e pontos sujeitos a desmoronamentos.

Alagamentos e enchentes

A representante da Swiss Re no evento da ABC, Claudia Garcia de Melo, destacou que, no Brasil, alagamentos e enchentes representam a maior parte dos 34 grandes desastres naturais registrados em dez anos. Esses desastres provocaram US$ 2,8 bilhões em perdas.

- O grande problema é que o Brasil ainda não tem uma cultura de prevenção. As pessoas acham que uma tragédia dessas nunca acontecerá com elas, se consideram imunes. Então, quando a chuva vem e leva tudo, ficam desorientadas. Mas não é o caso de culpar os céus, mas, sim, a falta de planejamento - afirmou Claudia, que fez a apresentação durante a sessão Desastres Naturais.

De acordo com o relatório, de 2004 a 2010, o Brasil investiu US$ 280 milhões em prevenção, ou seja, em obras e em tecnologia de previsão e remoção de áreas de risco, por exemplo. No mesmo período, o governo brasileiro gastou US$ 2,6 bilhões em ajuda emergencial a cidades afetadas por cheias e desmoronamentos.

- Hoje só agimos depois das tragédias. Seria bem mais barato evitá-las. O gerenciamento do risco é o caminho mais econômico e eficiente. Ações emergenciais não resolvem o problema, mantém a vulnerabilidade - explica a analista.

Hoje, 30 milhões de pessoas vivem expostas a algum tipo de risco de desastres naturais no país, a maioria no Sudeste. Em 2030 serão 42 milhões de brasileiros nessa situação. O problema maior está nas cidades, onde vive a maioria da população e existe a maior parte das situações de perigo. Só as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo sofreram 20% das perdas nacionais com enchentes. Quase todas, evitáveis.

- Urbanização e crescimento econômico que leva à construção de mais rodovias, hidrovias, ferrovias, estádios etc. estão associados à vulnerabilidade. A questão não é crescer, mas crescer de forma sustentável. Principalmente, nas cidades - diz Claudia. - É preciso ter códigos de construção adequados, dragagens de rios, contenção de encostas.

A análise apresentada mostrou que as mudanças climáticas representam uma ameaça maior à população dos estados do Sul e do Nordeste, devido ao aumento dos episódios de chuva intensa. O Nordeste nos últimos anos tem vivido uma situação paradoxal. Enchentes devastadoras na Zona da Mata e seca intensa no Caatinga.

- No Sudeste, as mudanças climáticas não têm tanto peso. Aqui é a urbanização sem planejamento que deixa a população vulnerável.

A associação das mudanças climáticas com a urbanização pode ter efeitos graves inclusive em áreas com baixo índice de urbanização, como a Amazônia. Os modelos de previsão climática conseguem prever com precisão as cheias dos grandes rios. Mas isso não será suficiente se padrões climáticos extremos continuarem a ser registrados na Amazônia, alerta o climatologista Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Nos últimos cinco anos, a Amazônia passou por três eventos extremos: uma enchente (2009) e duas grandes estiagens (2005 e 2010).

- A Amazônia deve estar em alerta. Se este padrão de extremos continuar, os igarapés não poderão continuar a ser ocupados e teremos que mudar o planejamento da região - afirma Nobre.

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