PUBLICAÇÃO DE ARTIGO SOBRE O RIO SALITRE

Um dos maiores portais sobre CIDADANIA E MEIO AMBIENTE (ECODEBATE http://www.ecodebate.com.br/)publicará um artigo meu sobre o Rio Salitre e é com muita alegria que recebo e-mail do Coordenador Editorial Henrique Cortez com o seguinte conteúdo:

É bom ter notícias suas. É claro que publicarei o seu artigo.

Nos esforçamos para que o conteúdo seja selecionado e publicado com o foco dos movimentos sociais, conceituado para ser uma ferramenta de incentivo ao conhecimento e à reflexão, através de notícias, informações, artigos de opinião e artigos técnicos, sempre discutindo cidadania e meio ambiente, de forma transversal e analítica. E o seu ótimo artigo está perfeitamente ajustado a este contexto.

Um abraço fraterno,

Henrique Cortez

O fim da pobreza e a sustentabilidade ambiental, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


O Brasil pode erradicar a pobreza absoluta até o ano de 2016 (ano da Olimpíada no Rio de Janeiro). Isto é o que afirma o Comunicado da Presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado no dia 12/01/2010. Segundo as projeções do documento, o Brasil pode alcançar índices similares aos apresentados pelas regiões desenvolvidas, com desigualdade da renda do trabalho abaixo de 0,5 do índice de Gini.
Independentemente da correção ou não das projeções do IPEA, só o fato de um Instituto oficial colocar a possibilidade da erradicação da pobreza absoluta no Brasil já é uma grande novidade. De fato, depois da década perdida (nos anos 80) e do baixo crescimento econômico dos anos 90, as perspectivas melhoraram muito na primeira década do século XXI. Os anos de 2004 a 2008 foram de aumento do PIB e de redução da pobreza e da desigualdade. A crise de 2009, embora tenha interrompido o “qüinqüênio virtuoso”, não chegou a provocar grandes danos sociais.
Realmente existe a perspectiva de um novo ciclo de crescimento no Brasil a partir de 2010. Se houver aumento do PIB (respeitando-se o meio ambiente), com geração de emprego decente e com ampliação do sistema de proteção social, de fato, a pobreza absoluta pode ser erradicada no curto prazo.
O que mais favorece este cenário são as condições demográficas. O Brasil passa por um período de redução da “razão de dependência”, já que existem menos pessoas dependentes, em especial, crianças de 0 a 14 anos, para cada trabalhador em idade produtiva. A menor carga demográfica implica em maior renda per capita por família, maior capacidade de poupança e consumo e maior oferta de mão-de-obra para a economia.
Além da redução das taxas de mortalidade em geral, da mortalidade infantil em particular, e o aumento da esperança de vida, a população cresce menos, vive mais e investe em sua qualidade de vida.
O aumento das taxas de atividade feminina no mercado de trabalho é um outro fator decisivo. Com menos filhos as mulheres podem dar mais atenção ao estudo, ao emprego e às suas carreiras, tendo como compensação maiores salários e rendimentos em retorno à maior experiência e ao maior capital humano aplicado.
Em famílias menores (com menos crianças e mais mulheres no trabalho remunerado) cresceram o número de casais em que ambos os cônjuges trabalham, possibilitando mais renda no numerador e menos bocas no denominador. Isto implica maior renda per capita e mais famílias entrando na “classe média”. Existe condições de acabar com a pobreza e ao mesmo tempo melhorar as condições ambientais, como os investimentos em saneamento básico.
Fantasia ou realidade?
O sonho que se sonha junta se torna realidade. Se o Brasil souber aproveitar a janela de oportunidade demográfica e fazer políticas públicas adequadas poderá, sem dúvida, erradicar a pobreza absoluta no país, indo além do que se comprometeu nos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM).
Reduzir a pobreza é a meta número um dos ODMs. Mas numa visão holística esta meta não pode ser trabalhada sem outras duas metas importantes: a de número 3: Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; e a de número 7: garantir a sustentabilidade ambiental.
Para que se atingir maior bem-estar para a população brasileira é preciso antes de tudo garantir uma qualidade de vida para a fauna e a flora brasileira, proteger a biodiversidade e ter a certeza de que o desenvolvimento sustentável será a prioridade máxima das políticas públicas, pois para vencer a pobreza é necessário limpar a nossa casa e garantir um ambiente limpo e saudável.
Referencia
José Eustáquio Diniz Alves, Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, é colaborador e articulista do EcoDebate. E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.br

WAGNER REVELA INTERESSE EM TRAZER USINA NUCLEAR


O governador Jaques Wagner (PT) já assinou o protocolo em que manifesta interesse em trazer uma das duas usinas nucleares que serão instaladas no Nordeste para a Bahia. Foi a primeira vez que o governante admitiu publicamente sua intenção de que o Estado seja contemplado com uma das estruturas, cujo investimento é estimado em R$ 13 bilhões. Wagner sabe que a tarefa não será fácil, não só porque a decisão ainda depende de estudos da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE) e do Ministério de Minas e Energia (MME), mas também por que terá de aprovar na Assembleia Legislativa uma alteração na Constituição do Estado, que  impede que o território baiano receba uma indústria deste tipo. “Num convívio para o desenvolvimento, para a sustentabilidade, se paga um preço”, disse em entrevista ao jornal A Tarde, ao demonstrar disposição para lutar pela instalação da fábrica, que seria geradora de uma energia mais limpa. Wagner acredita que o fato de a Bahia já ter a única usina de urânio em atividade na América Latina, no município de Lagoa Real, pode ajudar na decisão.

Quando o globo aquece, não dá para ficar de “cabeça fria”!


Quase todo o dia acompanhamos notícias sobre vendavais, enchentes, secas, mudanças climáticas bruscas, tufões, tsunamis, tornados, furacões, ciclones e outras catástrofes naturais. Tais fenômenos sempre existiram, mas agora se intensificam e agravam em função do aquecimento global. Uma pesquisa da Universidade de East Anglia (Inglaterra), publicada na Revista Nature Geoscience (2008) demonstrou, pela primeira vez, que o ser humano contribuiu de forma significativa com o aumento da temperatura na terra nas últimas décadas. E o faz através da emissão de gases poluentes, sobretudo, o dióxido de carbono (gás carbônico) proveniente da queima de combustíveis fósseis (gasolina, diesel e outros), do desmatamento, das queimadas etc.
Pesquisadores do National Institute for Space Research afirmam também que 52 mil grandes represas existentes no mundo participam com cerca de 4% do aquecimento global, emitindo por volta de 104 milhões de toneladas de gás metano (CH4) a cada ano. Uma tonelada de metano provoca 25 vezes mais impacto sobre o efeito estufa que uma tonelada de gás carbônico (CO2). Na somatória das emissões, o Brasil se encontra entre os 17 países maiores poluidores do planeta. Nota-se que o modelo de desenvolvimento econômico adotado e a temperatura da terra estão intrinsecamente relacionados.
Em face do aquecimento e da alteração dos ecossistemas, milhares de pessoas morrem todos os anos, além de provocar efeitos nocivos à saúde humana e ao conjunto do meio ambiente. Entre outras conseqüências, estão: ampliação das regiões desérticas, derretimento das calotas polares, morte de várias espécies animais e vegetais, aumento das catástrofes naturais provocando destruições generalizadas e proliferação de vetores transmissores de doenças. Convém ressaltar que são sempre os mais pobres e vulneráveis que mais sofrem com a degradação ambiental. 
Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC/2007), se não forem tomadas medidas urgentes, a estimativa é de que a temperatura média na terra até o final desse século oscile entre 1,1 e 6,5ºC. Estudos científicos apontam ainda que, mantendo-se o ritmo atual do aquecimento, até o ano 2050, milhões de pessoas terão de ser removidas das áreas litorâneas em função do avanço dos oceanos. De acordo com diferentes hipóteses, a continuar nesse processo, até 58% das espécies na terra e no mar serão extintas nas próximas décadas.
Os alertas mobilizam a humanidade. Por conta disso, em fevereiro de 2005 passou a vigorar o Protocolo de Kyoto que previa a redução de 5,2% dos gases poluentes até o ano 2012 como forma de minimizar o aquecimento global. O Protocolo foi assinado por 125 países. Os Estados Unidos, responsáveis pela emissão de 33% de todos os gases de efeito estufa do mundo recusaram-se a assinar, alegando que isso prejudicaria o desenvolvimento industrial do país.
Entre 7 e 18 de dezembro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, acontecerá a Cúpula sobre o Clima com o objetivo de definir um novo pacto mundial na luta contra o aquecimento global. Alguns líderes resistem a participar do acordo, obcecados pelos princípios do crescimento econômico. Outros admitem que se não houver um compromisso eficaz será uma catástrofe planetária, podendo ocorrer, num futuro próximo, impactos sociais, ecológicos e econômicos superiores aos das duas guerras mundiais.
Diante desse quadro, é necessário diminuir a poluição, mudar o modo de produção, o modelo industrial e o padrão de consumo. São imprescindíveis iniciativas efetivas de todos os países, governos, empresas, indústrias, produtores e sociedade em geral. Urge utilizar energias mais limpas, cobrar dos poluidores ações concretas para reparar os danos causados, fortalecer a consciência e a cidadania ecológica, estabelecer políticas ambientais amplas etc. Quando o globo aquece, não dá para ficar de “cabeça fria”!
Dirceu Benincá
Doutorando em Ciências Sociais - PUC/SP

Aldo Rebelo entra de vez para a Bancada Ruralista


O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) encontrou um nicho a ser explorado, a do nacionalismo cego que passa por cima de direitos humanos para alimentar a paranóia do risco do inimigo externo. Que pode vir travestido de inescrupulosos indígenas aliados dos yankees, que tramam a independência de suas terras nas regiões de fronteira, ou de perversos militantes do desenvolvimento sustentável, que impedem o Brasil de atingir seu ideal de nação previsto por Pero Vaz de Caminha e reafirmado por Celso Furtado.
E, ontem, seguindo a toada, afirmou, em audiência pública realizada em Ribeirão Preto para debater o Código Florestal, que membros do Ministério Público agem como “braços jurídicos das ONGs” ambientalistas – o que certamente provocou orgasmos em ruralistas presentes. Aldo é o relator da comissão especial da Câmara dos Deputados que dará parecer ao projeto de lei nº 1.876, de 1999, propondo alterações na lei de proteção às florestas. Defende mudanças para beneficiar o agronegócio, a economia e o país que vai pra frente…
Com isso, os instrumentos para criação de unidades de conservação e a manutenção de reservas florestais legais (aquele tanto de mata que deve ser mantido em cada fazenda) e de áreas de preservação permanente estão em risco. O Congresso também projeta o afrouxamento do licenciamento ambiental e o enfraquecimento do Conselho Nacional de Meio Ambiente, o que seria a farra de quem quer por tudo abaixo sem se preocupar com processos e embargos.
Relembrar é preciso. Quando o Supremo Tribunal Federal decidiu manter a demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, Aldo Rebelo divulgou uma nota repudiando a decisão, dizendo que ela agridia o interesse nacional e projetava incertezas quanto à unidade da nação.
É notória a boa relação do ex-presidente da Câmara com os militares. E sabe-se que há muita gente nas forças armadas cuja mentalidade não avançou desde a Guerra Fria, mantendo-se enclausurados em um bunker de paranóia. Como se a experiência da reserva Ianomâmi, bem maior e fronteiriça, não tivesse mostrado o contrário. E como se as forças armadas não tivessem livre acesso a qualquer parte do território nacional.
Para entender como pensa o deputado, seguem alguns trechos daquela nota: “O Supremo abre um precedente para que sejam implantados no Brasil um Estado multinacional e uma nação balcanizada, pois confere a tribos indígenas que fazem parte do povo brasileiro o esdrúxulo status de minorias apartadas do todo nacional, com prerrogativas negadas a outros estratos que há cinco séculos amalgamam a formação social do país.”
“O respeito aos direitos dos indígenas não pode implicar o esbulho dos não índios que há muito tempo fincaram a bandeira do Brasil naquela região”. “Os índios beneficiados foram isolados da nação. Os índios e não índios prejudicados podem recorrer à resistência não violenta na defesa de seus direitos históricos. E o Congresso Nacional, última instância da soberania popular, tem o dever de reparar este erro calamitoso do Executivo e do Judiciário.”
Claro! É notório por todos que a espécie dos Homo Arrozeirus já habitavam Roraima antes da chegada das tribos!
Garantir mínimos direitos aos povos indígenas, que amargaram séculos de genocídio, não os isola do resto da nação. Pelo contrário, decisões como essa, por mais que não sejam perfeitas, ajudam a torná-los, de fato, brasileiros. O que mais entristece não é examente a posição do deputado, uma vez que ele tem o direito de falar o que quiser. Mas os argumentos que usa, para justificar o corte seco nos direitos desses povos ou para liberar a pilhagem ambiental, são de lascar
Aldo fala de interesses externos de olho no solo e no subsolo da Amazônia, culpa as ONGs estrangeiras que atuam aqui por isso. É claro que existem ONGs canalhas, mas da mesma forma que empresas e governos. Contudo, ele não fala sobre a verdadeira degradação ambiental, social, trabalhista causada por multinacionais estrangeiras que têm interesse no tipo de “progresso” pregado pelo deputado. A agenda de Aldo o consagra como um dos grandes aliados dos ruralistas e seu modelo de desenvolvimento. E não dos movimentos sociais, entidades progressistas e dos trabalhadores brasileiros – que seriam próximos de seu partido, de acordo com seu próprio partido.
A Amazônia já está internacionalizada, deputado. E não é de agora. Parece que o senhor não se lembra o que aconteceu durante o último período ditatorial e após a redemocratização, em que a pilhagem do capital internacional correu solta pela Amazônia, Cerrado e Pantanal, passando por cima de populações tradicionais, camponeses e trabalhadores rurais.
Não acredito que Aldo Rebelo, caso resolva tentar mais um mandato neste ano, perca sua base em São Paulo. O PC do B vota com o partido e, por aqui, ele é o partido. Contudo, conheço gente na estrutura partidária que não está feliz com esse movimento tático que resultou em noivado com o agronegócio. Hoje, o deputado já poderia ser considerado um membro da bancada ruralista – o que deve lhe trazer algum dividendo eleitoral com grandes produtores rurais. Mas me pergunto qual será o comportamento de quem sempre votou nele, mas se sentiu traído, no momento em que chegar a solidão da urna.

Haitização Global, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)


Está assustado com os 200 mil mortos do Haiti? Apavorado com os cadáveres nas ruas, sendo enterrados por empilhadeiras em valas comuns? Com a brutalidade da vida, onde o enterro é coletivo, indo para debaixo da terra, literalmente, o cuidado com o corpo humano, inclusive depois de morto?
Está indignado com a forma como os americanos chegaram ao Haiti, com 20 mil soldados, defendendo o que restou de uma burguesia restrita, controlando os portos, tomando conta do país como se fosse sua área de treinamentos?
Está pasmo com aqueles que fazem da miséria um momento de ganhar dinheiro, desviar comida, atirar num faminto que disputa um copo de água ou pedaço de pão, ou traficar crianças?
Está se perguntando para onde irão os migrantes, os que restaram, aqueles que não têm outra possibilidade a não ser vagar pelas ruas ou aventurar-se em barcos perigosos, ou pelas estradas que vão ao interior?
O Haiti é o futuro, caso se confirmem os cenários dos cientistas que estudam o aquecimento global. Olhe para o Haiti e você está vendo o que pode ser toda a face da Terra em trinta, quarenta ou cinqüenta anos. Se assim for, não estaremos falando apenas em centenas de milhares de mortos, de migrantes, de famintos, de sedentos. Estaremos contando essa realidade na casa dos bilhões.
O que os gringos fazem no Haiti é muito mais que o controle estratégico de uma ilha miserabilizada pelas opressões, injustiças e catástrofes naturais. Ali está um laboratório do que vai se repetir constantemente por toda a face do planeta.
Catastrofismo? Olhe para o Haiti.
Não tenha certeza, leitor, que você estará entre os que ficarão para contar a história.
Roberto Malvezzi (Gogó) é Assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT, colaborador e articulista do EcoDebate.

OIT aguarda resposta do governo brasileiro sobre violações pela Transposição


Campanha Opará

Povos Indígenas em defesa do Rio São Francisco


Genebra, 2 de fevereiro 2010 – A ONU, a OIT e o Conselho Mundial de Igrejas receberam a delegação da “Campanha Opará - Povos Indígenas em defesa do rio São Francisco” no dia 1 de fevereiro. A OIT já pediu esclarecimentos ao governo brasileiro acerca das violações da Convenção 169 pela obra da Transposição.


A delegação Nordestina foi recebida no Palácio Wilson, das Nações Unidas. Da audiência, participaram assessores dos relatores do Alto Comissariado de Direitos Humanos, como o relator para os Direitos Humanos dos Povos Indígenas, o relator para o Direito a Água e ao Saneamento. Também o assessor do relator para direitos humanos, responsável para América Latina participou; participaram, ainda, os diretores executivos da Unidade para a Sociedade Civil, os promotores da Convenção 169 do Departamento Humano da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e outros como o coordenador do programa de monitoramento de povos isolados. Todos receberam o relatório de denuncia “Povos Indígenas do Nordeste impactados com a Transposição do rio São Francisco”.

Violências conhecidas

De fato, os representantes destas entidades internacionais já conhecem as violações dos direitos humanos decorrentes da Transposição do Rio São Francisco. As denúncias já foram apresentadas para a OIT no mês de setembro de 2008. A delegação viajou a Genebra para reforçar e atualizar essas denúncias. A comissão de expertos da OIT acompanha o caso e se pronunciou acerca das violações no mês de março 2009, pedindo esclarecimentos ao governo brasileiro até o fim de 2009. A cobrança é possível porque o Brasil assinou a Convenção 169 da OIT, comprometendo-se a respeitar os direitos humanos assegurados por esse tratado internacional. Porém, o governo Lula não deu resposta a esse pedido.

No entanto as obras avançam, em pleno território indígena, e os danos socioambientais se tornam irreparáveis.

Os representantes da OIT comentaram que as atuais informações apresentadas pela delegação são muito importantes.

Preocupação

O relator especial do Alto Comissariado da ONU para os direitos dos povos indígenas, James Anaya, visitou o Brasil em agosto 2008. Depois da viagem, publicou seu relatório, com recomendações para o governo brasileiro melhorar a posição dos povos indígenas. Anaya voltará em 2012 para monitorar a evolução das condições dos povos indígenas no Brasil.

Na mesma linha se expressou a alta comissária para direitos humanos, na viagem dela pelo Brasil, no mês de novembro passado. Ela salientou sua preocupação com a discriminação dos povos indígenas e os afro-descendentes no país.

Desrespeito

“O governo brasileiro não respeita a própria legislação, a Constituição Federal e os tratados internacionais como a Convenção 169 da OIT”, apontou Uilton Santos, cacique do povo Tuxà e presidente da APOINME. “O estado nega o direito à consulta prévia e ao consentimento livre e informado dos povos indígenas”. Isso ocorre não só no caso da Transposição, mas com muitos projetos de desenvolvimento que o governo Lula está implantando através do PAC. “Esses projetos tem um grave impacto socioambiental nos territórios indígenas, influenciando as identidades indígenas, até levando ao risco de extinção os povos não contatados, ou isolados”.

Edilene Bezerra Pajeu, a Pretinha, do povo Truká, chamou atenção aos assassinatos de lideranças indígenas que lutam pelo direito a terra e à água, contra a Transposição. Esses assassinatos também já foram denunciados na sede da ONU, em 2005. Especificamente os casos de Dena e Jorge Truká, mortos por 4 agente policiais que continuam impunes. “Quem não é assassinado é criminalizado pela própria justiça, vive constantemente ameaçado e responde a muitos processos. Um exemplo disto e o Cacique Neguinho. Quando foi denunciar o assassinato de Mozeni, ele acabou preso na delegacia”.

Sociedade civil

Ainda na segunda-feira, a delegação teve um encontro público com organizações da sociedade civil e ONG’s com sede em Genebra, tais como, Terrabrasilis, E-Changer, AYA, SIT e Terre des Hommes. Nesta ocasião, fez-se uma exposição sobre as violações aos direitos humanos dos povos indígenas decorrentes da transposição e de outros grandes projetos de desenvolvimento econômico em terras indígenas, a exemplo da Usina Hidroelétrica Belo Monte. Por fim, divulgou-se a petição em que é solicitado aos ministros do STF que julguem as ações judiciais pendentes relativas à Transposição.

No dia 3 de fevereiro, a delegação visitou Bruxelas (Bélgica), depois viajou a Berlim (Alemanha).

Arquivo do blog