Dicionário Popular do Aquecimento Global, por Roberto Malvezzi (Gogó)


1) Aquecimento global: elevação da temperatura média da Terra. Antes da era industrial a temperatura média era de 14,5ºC e hoje é de aproximadamente 15,0ºC.
2) Mudança climática: toda alteração na temperatura da Terra, seja para menos, seja para mais. A Terra já conheceu períodos mais quentes e eras glaciais. A diferença que muitos cientistas fazem entre um e outro é que o aquecimento é considerado produto da ação humana, enquanto as mudanças climáticas são processos naturais.
3) Efeito estufa: fenômeno natural de retenção de calor do sol produzido por gases que fazem parte da atmosfera da Terra. É o efeito estufa que gera a temperatura média atual da Terra e permite a existência da vida nesse planeta. Mas, essa temperatura média depende do equilíbrio entre os gases que compõem sua atmosfera.
4) Gases de efeito estufa: Os gases do efeito estufa (GEE) ou gases estufa são substâncias gasosas que absorvem parte da radiação infra-vermelha, emitida principalmente pela superfície terrestre, e dificultam seu escape para o espaço.São eles basicamente: dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), Perfluorcarbonetos (PFC’s ) e também o vapor de água.
5) Causa do aquecimento global: injeção desses gases na atmosfera a mais do que já existe. Normalmente essas emissões derivam da queima e derrubada de florestas, queima de combustíveis fósseis, animais, agricultura, etc. Para se ter uma idéia, a atmosfera de Vênus, formada por CO2 em 95%, faz com que a temperatura daquele planeta seja próxima de 484ºC. A presença de CO2 na atmosfera da Terra, não passa de 0,03%.
6) PPM: parte por milhão. Por exemplo, a concentração de CO2 na atmosfera da Terra está em 391 PPM. Isso significa que, de cada milhão de partículas de outros gases, 391 são de CO2.
7) Conseqüências do aquecimento global: a elevação da temperatura média da Terra provoca efeitos como: derretimento dos glaciais, elevação dos oceanos, aumento de água na atmosfera, com conseqüente aumento na pluviosidade. Com isso aumentam os “efeitos extremos” como furacões, nevascas, tempestades que acabam causando enchentes, desmoronamentos, deslizamentos, inundações, prejuízos econômicos, doenças e mortes. Outro efeito extremo pode ser as secas e estiagens prolongadas.
8) IPCC: Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, estabelecido em 1988 pela Organização Meterológica Mundial e PNUMA, encarregado de estudar as mudanças climáticas em curso.
9) REDD: redução de emissões por desmatamento e degradação. É um mecanismo que prevê atacar as causas do aquecimento global reduzindo os desmatamentos e a degradação ambiental em geral.
10) Crédito carbono: mecanismo econômico que possibilita um poluidor comprar em outro lugar, inclusive em outro país, estoques de carbono para compensar a emissão que ele faz em seu lugar de origem.
11) Mitigação e adaptação: mecanismos que prevêem atacar a causa do aquecimento global e propor adaptações a situações que já não tem mais retorno. Um exemplo de mitigação é a tentativa de diminuir o desmatamento, como na Amazônia. Um exemplo de adaptação é começar a remover as populações que moram em área de risco.
12) COP: Conferência das Partes. São cúpulas mundiais que reúnem países para estabelecer mecanismos de controle do aquecimento global. Já aconteceram 16 COP. Até agora têm fracassado.
13) Para muitos cientistas, como James Lovelock, ou países como a Bolívia, ou para movimentos como a Via Campesina, esses mecanismos pouco adiantam. Teríamos que mudar efetivamente o padrão civilizatório, principalmente a matriz energética do planeta.
O fato concreto é que o aumento dos gases de efeito estufa continua aumentando. Se continuarmos com esse nível de emissão em 2050 atingiremos 500 PPM e em 2090 atingiremos 760 PPM. Dessa forma, a temperatura média da Terra poderá elevar-se até 7ºC a mais. Portanto, um inferno.
Roberto Malvezzi (Gogó), articulista do EcoDebate, é Assessor da Comissão Pastoral da Terra-CP

DEPUTADO AMAURI TEIXEIRA DE JACOBINA FAZ PARTE DA CÂMARA DE NEGOCIAÇÃO DO CÓDIGO FLORESTAL


Câmara de Negociação do Código Florestal na Câmara dos Deputados define integrantes




O presidente Marco Maia instalou nesta tarde a Câmara de Negociação das mudanças no Código Florestal (Projeto de Lei 1876/99). O colegiado será composto por 14 deputados: 4 representantes da produção rural, 4 defensores do meio ambiente, 2 da liderança do governo e 2 da liderança da Minoria, além do relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e do representante da Mesa Diretora, o primeiro-secretário Eduardo Gomes (PSDB-TO), que vai coordenar o trabalho.
Os deputados Reinhold Stephanes (PMDB-PR) – ex-ministro da Agricultura -, Paulo Piau (PMDB-MG), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Assis do Couto (PT-PR) serão os representantes dos produtores.
Os ambientalistas serão representados por Sarney Filho (PV-MA), Márcio Macêdo (PT-SE), Ricardo Tripoli (PSDB-SP) e Ivan Valente (Psol-SP).
A Minoria contará com Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) e ainda vai indicar seu segundo representante. A liderança do governo ainda não definiu seus dois nomes.
Buscar o consenso
Marco Maia ressaltou que a câmara tem caráter informal, pois não é deliberativa. “Seu papel é buscar um consenso para levar um texto ao plenário”, resumiu.
Os temas mais polêmicos, na opinião do presidente, vão ser a definição do tamanho da reserva legal de área verde e a anistia para quem já desmatou. Marco Maia considera que, apesar das posições divergentes, os deputados estão “mais próximos do acordo do que do desacordo”.
Não há prazo para a conclusão dos trabalhos, mas o presidente espera que o texto final seja concluído em pouco tempo para ser levado em dois ou três meses para a votação em Plenário. Maia elogiou a compreensão e a disponibilidade do deputado Aldo Rebelo para construir o entendimento.
Compatibilizar
O relator Aldo Rebelo disse que a sociedade brasileira deseja uma solução de entendimento, que seja capaz de compatibilizar os interesses da produção rural com a necessidade de preservação do meio ambiente. “Nosso esforço será por este entendimento, mesmo porque, não se trata de matéria partidária, nem do governo ou da oposição”, destacou.
A data da próxima reunião ainda será marcada pelo coordenador Eduardo Gomes.
Além dos integrantes já definidos, também participaram da reunião o líder da Minoria, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), e os deputados Fernando Ferro (PT-PE), Rebeca Garcia (PP-AM), Paulo Cesar Quartiero (DEM-RR), Moreira Mendes (PPS-RO), Amauri Teixeira (PT-BA), Anthony Garotinho (PR-RJ), Oziel Oliveira (PDT-BA), Luci Choinacki (PT-SC), Leonardo Monteiro (PT-MG), Dr. Rosinha (PT-PR) e Padre Ton (PT-RO).
Íntegra da proposta:
Reportagem – Luiz Cláudio Pinheiro
Edição – Regina Céli Assumpção
Reportagem da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 03/03/2011

Posto de Vigília 001: A Outra Face da Moeda, por Alonso Valdi Régis


A  OUTRA  FACE  DA  MOEDA – *O título parece um lugar-comum bobo, mas nem imaginamos o quanto estamos todos afetados por  “esse” lugar-comum a que se refere esta crônica.  Senão, vejamos:
Na falsa era da liberdade em que vivemos, surgiu um “monstro” bem pior que a bomba atômica. Esse “monstro” chama-se “Controle de Informações”. Já astutamente usado na ascensão nazista de Hitler, esse controle foi sendo aperfeiçoado e implantado pelos governos e instituições de todo o mundo, no sentido de ocultar verdades, de implantar mentiras, de conquistar adeptos, para aumentar o consumo, eliminar rivais, ganhar supremacia e criar falsos ídolos e falsos deuses.

Para isso a tecnologia das comunicações foi elevada à sua milionésima potência, com recursos que hoje beiram às mil maravilhas, sobretudo no campo da Informática, da TV, do rádio, da imprensa etc.. Mas esses veículos de informação estão a serviço de sistemas que disputam a ferro e fogo o que de mais sagrado existe numa sociedade humana: o seu livre direito de escolha. Esse livre direito de escolha está, hoje, à mercê da pesada indução dos veículos de comunicação que se esmeram em pregar o melhor remédio, o melhor partido político, a melhor religião, o melhor produto comercial e – o que é pior – quando pecam por omissão, ao ocultar, negar ou desvirtuar fatos – mesmo os de extrema importância, que possam de um modo ou de outro, por em risco a estabilidade de um sistema dominante, mesmo que as suas bases estejam ruindo fragorosamente.

A verdade, portanto, é negociada como moeda de troco para sustentar sistemas já fadados à ruína e desmoralização por já  terem esgotado a sua capacidade de sobreviver, porque já deram o que tinham de dar e agora devem ceder lugar às luzes de uma nova consciência.

Na sequência desses meus artigos, apresentarei algumas das mudanças e novidades mais significativas a serem implantadas na Terra, no sentido de substituírem os velhos modelos que faliram no propósito de trazer paz e bem-estar aos seres humanos e ao planeta.

Iremos ser testemunhas da luta feroz entre o novo e o velho, entre o que chega e o que sai, entre o arauto de um novo mundo e entre os pregoeiros falsos de sistemas que já morreram, porém lutam desesperadamente por uma desonrosa sobrevida.                                              .

Estejamos, pois, atentos contra falsas mensagens e aprendamos a ler nas entrelinhas dos informes oficiais que tentam  dourar a pílula de fatos escabrosos, apresentando pérolas onde só há cascalho, ou verdades onde só há mentiras. No mais das vezes, o que está em jogo é puramente dinheiro, poder e prestígio.

E mais atenção ainda, às verdades que são omitidas ladinamente, por quem deveria propagá-las, a fim de manter as massas de cabeça baixa, tocadas pelo grito de aboio que ressoa estridentemente na boca cibernética de nossos veículos de comunicação.

Ainda bem que as tais “fontes independentes de informação”, que não têm compromisso com os órgãos do poder, também estão atentas ao monopólio das oligarquias que manipulam informações para o seu próprio benefício e não perdem oportunidade de contrapor alternativas de suas próprias pesquisas, denunciando fraudes de informação que ocultam verdades inconvenientes que devem ser varridas para debaixo do tapete.

Muitos ficarão tontos como cegos em tiroteio, confusos entre as versões oficiais e o que dizem os “alternativos”, mas logo os fatos se sobreporão às
mentiras e se verá a luz da verdade sobrepujar as inverdades, pois escrito está que do mal e da mentira não ficará pedra sobre pedra. E alguém acrescentou: “E mesmo aquela que ficar sobre outra pedra, será caçada e demolida”... Tal é o rigor com que a Natureza trata os que a profanaram...
alonsovregis@gmail.com

(Título original: 653 - PORTO CRISTAL)

DITADOR DA LÍBIA TEM NEGÓCIOS NO SALITRE - BACIA DO SÃO FRANCISCO


DITADOR DA LÍBIA TEM NEGÓCIOS NA BAHIA

07:41:01
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Não será de se espantar se o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, 42 anos no poder, que ordenou o ataque aos manifestantes nesta terça-feira (22) com jatos do exército, desembarcar na Bahia nos próximos dias. Segundo informa o jornal A Tarde, ele tem R$ 1,2 bilhões em investimentos no Vale do Salitre, no São Francisco, com a Libyan Arab Foreign Investiments (Lafico). A sede da empresa na Bahia fica em Juazeiro. Em março de 2010, o filho do ditador, o artista plástico Saif Kadafi, que agora aparece quase que como um porta voz do pai, passou alguns dias em Lençóis. Estava descansando, após participar de uma exposição de arte contemporânea libanesa em São Paulo. Ele é o contraponto do pai, diz Carlos Armiota, Catan, dono do Hotel Canto das Águas, onde Saif se hospedou. “Pessoa muito simpática, risonha, tranquila e meio artista mesmo. Gosta muito de comer”, lembra Catan.
http://www.samuelcelestino.com.br/noticias/noticia/2011/02/23/86989,ditador-da-libia-tem-negocios-na-bahia.html

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Três cenários do drama ecológico atual, artigo de Leonardo Boff


Há tempos atrás abri um congresso sobre a situação ecológica da Terra e proferi, fundamentalmente, este discurso. Parece-me que conserva ainda atualidade.
A humanidade se encontra numa encruzilhada: deve decidir se quer continuar a viver nesse Planeta ou se aceita caminhar ao encontro do pior.
Ela se parece com um avião na pista de rolamento. Sabemos que há um momento crítico de não retôrno no qual o piloto não pode mais frear. O avião ou levanta vôo e segue seu curso ou se arrebenta no fim da pista. Há analistas que dizem: passamos do ponto crítico, não levantamos voo e vamos encontro de uma catástrofe. Ou damos espaço a um novo paradigma civilizatório que nos poderá salvar ou enfrentaremos a escuridão como nos adverte em seus recentes livros O futuro da vida e Criação:como salvar a vida no planeta o grande biólogo da biodiversidade Edward Wilson.
Face a tal dramática situação, vigem hoje três cenários principais, cada qual com previsões próprias e diferentes.
O primeiro cenário – conservador – é dominante. Procura globalizar o modelo atual que é consumista, predador da natureza e criador de grandes desigualdades sociais. Tal é o caso do neoliberalismo mundializado que mostrou sempre parca sensibilidade ecológica e social, tolerando o agravamento das contradições internas. Face aos fantasmas surgidos após 11 de setembro de 2001, os ricos e poderosos tendem a levantar um muro de contrôle e de restrições em suas fronteiras. Buscam aplicar as tecnologias mais avançadas para garantir para si as melhores condições de vida possíveis. Além de ter sido historicamente etnocida, o sistema hegemônico pode revelar-se agora ecocida e biocida. Mas essa escolha é suicida, pois vai contra o sentido do proceso evolucionário global que sempre buscou re-ligações e cadeias de cooperação entre todos os seres para garantir a subsistência, o mais possível, de todos.
O segundo cenário – reformista – tem consciência do déficit da Terra. Mas confia ainda na sua capacidade de regeneração. Por iss mantem o paradigma vigente, consumista, predador e injusto. Não oferece uma alternativa, apenas minimiza os efeitos não desejados. Inventou o desenvolvimento sustentável, falácia do sistema do capital, para incorporar o discurso ecológico dentro de um tipo de desenvolvimento linear, predador e criador de desigualdades. Este contradiz e anula o sentido originário de sustentabilidade –categoria que vem da biologia e não da economia – que visa sempre o equilíbrio de todos os fatores e a inter-retro-dependência de todos os ecossistemas. Mas pelo menos introduz técnicas menos poluentes, evita a excessiva quimicalização dos alimentos e preocupa-se não só com a ecologia ambiental mas também com a ecologia social, buscando diminuir a pobreza, embora com políticas pobres para com os pobres. Essa solução representa apenas um paliativo, não uma alternativa à situação atual.
O terceiro cenário – transformador – apresenta uma real alternativa salvadora. Parte do caráter global da crise. O nível de interdependência é tal que ou nos salvamos todos ou corremos risco de grande dizimação de seres vivos, inclusive humanos. Os vários documentos da ONU sobre a questão revelam essa nova consciência: “há uma Terra somente”; “a preservação de um pequeno Planeta” (Estocolomo 1972); “nosso futuro comum” (Comissão Brundland 1987), a “Declaração do Rio de Janeiro”: “entendemos que a salvação do Planeta e de seus povos, de hoje e de amanhã, requer a elaboração de um novo projeto civilizatório”(1992) e enfim a Carta da Terra (2003) onde se apresentam princípios e valores para um modo de vida sustentável da Terra e da humanidade.
Esse projeto deve ser construido sinergeticamente por todos. Daí a urgência da criação de organismos globais que respondam pelos interesses globais. Importa costurar um novo pacto social mundial, no qual os sujeitos de direitos não sejam apenas os humanos mas também os seres da natureza. Quer dizer, o pacto social deve estar apoiado no pacto natural.
Eis a base para um democracia ecológico-social-planetária. Nesse tipo de democracia, tanto são cidadãos os humanos bem como os demais representantes da natureza, em permanente interdependência com os humanos e sem o s quais nós não podemos sobreviver. A democracia se abre assim para uma biocracia e cosmocracia.
Agora estamos envolvifos num grande debate de idéias que buscam identificar qual a melhor direção para a humanidade dentro do tempo finito e da um planeta limitado. No dia em que prevalecer a idéia de uma democracia ecológico-social-planetária ter-se-ão criadas as condições para uma aliança de fraternidade/sororidade para com a natureza. O ser humano sentir-se-á parte e parcela do todo e seu guardião responsável.
Por medo e como auto-defesa não precisará mais agredir os outros e a natureza. Não obstante as contradições da condition humaine, sempre demente e sapiente, poderá viver singelamente feliz em comunhão com todos os seres, como irmãos e irmãs, em casa, ancestral sonho dos povos e de São Francisco de Assis. Só então começará o ansiado novo milênio com um outro tipo de história, de paz perene com a Mãe Terra.
Leonardo Boff participou da redação da Carta da Terra junto com M. Gorbachev, M.Strong e S.Rockfeller.
EcoDebate, 21/02/2011

VISITA DE DR. BINA A TAQUARENDI E A CAATINGA DO MOURA NA BACIA DO SALITRE

Recepção do Dr. Bina em Caatinga do Moura (clique na foto para ampliar)

Pequeno currículo do Dr. José Carlos Bina de Araújo: Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1965), especialização em Medicina Tropical pela Universidade de São Paulo (1968), especialização em Especialidade de Infectologista pelo Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (1999), mestrado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1976), doutorado em Medicina Interna pela Universidade Federal da Bahia (1995), doutorado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1996) e residencia-medica pela Universidade Federal da Bahia (1966). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Clínica Médica.

Resumo de uma das teses de Doutorado sobre Esquistossomose na área hiperendêmica de Taquarendi.
A localidade de Taquarendi (Bahia) está situada em zona de caatinga, porém com pequena faixa de terra irrigada, onde se encontram caramujos  Biomphalaria glabrata. Dos 1.532 habitantes, 1.105 (72,1%) submeteram-se ao exame clínico e, destes, 1.058 (95,7%) fizeram exame parasitológico de fezes. A prevalência da esquistossomose foi de 73,1%, sendo que 16,2% destes eliminavam mais de 1.000 ovos por grama de fezes. O exame clínico mostrou que o lobo esquerdo do fígado estava aumentado e/ou endurecido em 54% dos pacientes e o baço foi palpado em 21,8%. Foram classificados como hepatosplênicas 9,8% dos examinados e como portadores da forma hepatintestinal avançada 3,7%. Houve relação direta entre estas formas clínicas da doença e a intensidade da carga parasitária acima de 1.000 ovos de S. mansoni por grama de fezes.

O Dr. Bina, como aqui em Taquarendi (Mirangaba) e Caatinga do Moura (Jacobina), pertencentes à Bacia do Rio Salitre o conhecemos é um exemplo de pesquisador. Nos idos de 1967, com 26 anos, após concluir o seu curso de medicina pela UFBA – Universidade Federal da Bahia e conhecedor do trabalho do Dr. Aluizio Prata sobre Esquistossomose na área hiperendêmica de Taquarendi, que já estava na região desde 1963, resolve deixar a capital e veio fazer pesquisa nas duas localidades citadas. Por opção, passa a residir no distrito de Caatinga do Moura, porém estendeu a sua pesquisa para as comunidades de Taquarendi, Lagoa de Canabrava e outras localidades do município de Mirangaba.

Tenho conhecimento que prefeitos de algumas cidades pequenas de nosso Brasil e em especial da Bahia, pagam até R$ 12.000,00 (doze mil reais) a médicos que queiram residir na localidade para atenderem 40 horas semanais nos PSF – Pragrama Saúde da Família. Hoje a maioria destas pequenas cidades e localidades é servida de estradas asfaltadas, energia elétrica, água tratada, internet (algumas até lan house) e algumas outras regalias oferecidas pelo poder público.

Você pode imaginar o que é um pesquisador em 1967, 44 anos atrás, com 26 anos de idade deixar tudo isso e vir residir em Caatinga do Moura, que naquele tempo não tinha a menor infra estrutura (apenas com uma simples bolsa do CNPQ) e com apenas um Jeep e depois uma Rural Willys, adquiridos pelo Projeto, erradicar e tratar mais de 6 mil pessoas de Esquistossomose nas comunidades referidas?

Só pude saber isso ontem, dia 17/02/2011, onde resolvemos incluir uma homenagem ao benemérito da saúde em uma Plenária do CBHS – Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Salitre, que foi suspensa três dias antes por motivos de liberação de verbas pelo INGÁ – Instituto de Gestão das Águas e Clima, órgão a que o Comitê é vinculado. Mas como já estava tudo programado com o Dr. Bina e com as comunidades de Taquarendi (Mirangaba) e Caatinga do Moura (Jacobina) e com a Prefeita de Jacobina Drª Valdice Castro e com o prefeito de Mirangaba, Adilson Nascimento que arcaram com a logística do Dr. Bina e a organização, mantivemos a reunião apenas como homenagem e não como Plenária.

Fui testemunha ocular da recepção que a população de Taquarendi e Caatinga do Moura fizeram ao Dr. Bina, para agradecer com amor e gratidão ao Patrono da Saúde de Taquarendi como estava expresso na faixa na entrada do prédio escolar onde foi feita a homenagem. Em Caatinga do Moura, foguetório, flores, presentes (doces naturais feitos pela comunidade), versos e cânticos de pessoas das gerações mais novas que cresceram ouvindo os avós e pais falando do Dr. Bina.



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