QUANDO PASSADO E PRESENTE SE ENCONTRAM NO MUNDO DAS IDEIAS


Gustavo Mercês (Jacobinense)
Lembro de Robinson, dos tempos quando eu estava iniciando na militância política, onde já no Cefet, então garoto, eu atuava no movimento secundarista empolgado com as teses revolucionárias da Democracia Socialista, que reivindicava a Revolução Socialista Internacional, nos marcos do trotskismo, tendo como referências teóricas figuras com Michel Lowi, Enest Mandel, João Machado e Joaquim Soriano. Abrigado em um coletivo que tinha como expoentes parlamentares: Walter Pinheiro, Heloisa Helena e Neusa Cadore. Discutíamos o drama de ser uma esquerda petista que buscava reafirmar o socialismo e a necessidade de não abrir mão da coerência política na atuação parlamentar. Éramos contra alianças com setores que tinha como histórico o carlismo e o oligarquismo baiano. Não tínhamos chegado ao poder.
O tempo passou, as alianças se ampliaram, o PT agora governa e descontente fui tentar construir um “PT das origens” ou algo parecido, foi assim que ajudei a fundar o PSOL. Nos debates eleitorais deste ano, passado e presente se encontram em um cenário onde só se falava na tal governabilidade e na próspera fase econômica que refletia nos números governamentais.
Aqui pretendo dialogar com o camarada Robinson, hoje dirigente estatal, sem ressentimentos, sem deixar de reconhecer o quanto aprendi com ele, Afonso e Pinheiro, mas também, sem deixar de ousar na confrontação de ideias e rumos, tão necessária em tempos tão confusos dentro da esquerda brasileira. 
 
Inegavelmente bandeiras como ampliação dos direitos sociais, radicalização da democracia, ampliação da participação popular foram bandeiras históricas da esquerda brasileira. Uma esquerda consequente reconhece a necessidade de ampliar do acesso a determinados serviços públicos como cruciais para permitir a construção de uma nova ordem social. Mas o que se coloca em xeque aqui é qual “revolução democrática” pregada e quem são seus maiores beneficiários.
Sem deixar de reivindicar a inconciliável antagonismo de interesses entre capitalistas e trabalhadores, da real impossibilidade de ser governar para todos através de um “pacto social”, a esquerda marxista sempre demonstrou que seria um equívoco histórico transformar o espaço da luta institucional parlamentar como fim para luta política.
Acredito que ao reivindicar a aliança com Otto, histórico carlista, como parte de um projeto de transição histórica da política baiana, fica evidenciada também uma transição ideológica petista que se afasta de vez do internacionalismo socialista e adere a uma onda “moderna” da Social-democracia, agora reformada e que tem como discursos a ampliação do acesso ao consumo e desenvolvimentismo. Discursos que seguem perfeitamente a lógica perversa da Economia de Mercado e a do próprio capitalismo.
Evidentemente que depois de anos de neoliberalismo e recessão econômica que empobreceram nosso país e ampliaram as desigualdades sociais, uma nova etapa de austeridade econômica e estabilização monetária internacional permitiram aos governos federal e estaduais a possibilidade de ampliar as políticas na área social, tão defasadas pelos governos anteriores. Tempos de tranquilidade econômica que permitiram também a ampliação dos lucros das grandes empresas nacionais, principalmente aquelas que se beneficiam dos empreendimentos governamentais.
Assim o PT selou um novo pacto social onde mantêm políticas sociais assistenciais (que não mudam radicalmente o contraste social) sem abrir mão de governar com setores da elite econômica brasileira. Nós ainda acreditamos que para uma verdadeira emancipação social, é preciso que um governo se comprometa com uma inversão concreta de prioridades, tendo como pautas: reforma agrária, financiamento unicamente público da Educação e Saúde, reforma política, reestatização de setores estratégicos da economia, redução da jornada de trabalho sem redução de salário, investimentos sociais sem a limitação imposta pela política econômica fundamentada na garantia dos superávits primários. É desta revolução que prefiro não abri mão. Nada melhor que a própria história para demonstrar onde acertamos e erramos, estando abertos a discutir por quais caminhos a esquerda brasileira deve trilhar nas próximas décadas.
 
*Gustavo Mercês, é comunicólogo, sindicalista e um dos fundadores do PSOL na Bahia.
GUSTAVO MERCÊS

“COP 16 fortalece a importância do mercado na preservação ambiental”

AQUECIMENTO GLOBAL Para a pesquisadora Silvia Ribeiro, conferência da ONU sobre o clima assiste a “um avanço enorme na mercantilização da natureza”

Comparada com a Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática (COP 15) realizada em dezembro de 2009 em Copenhague (Dinamarca), a COP 16, que acontece entre os dias 30 de novembro e 10 de dezembro em Cancún (México), está bastante esvaziada. Pior, depois das frustrações geradas pelo fracasso nas negociações para redução de carbono no ano passado, o encontro deste ano pode caminhar para trás. Em entrevista, a pesquisadora Silvia Ribeiro, do Grupo ETC do México e do Canadá, explica que as conversações da COP 16 avançam no conceito de privatização dos recursos naturais como a principal forma de impedir o aquecimento climático. É a ideia de que é preciso dar valor à “floresta em pé”, para que assim o mercado regule a preservação. Ribeiro acredita que tal modelo está orientado somente para o lucro e que as populações serão esquecidas. Na entrevista, a pesquisadora ainda comenta as negociações em Cancún, a importância e os limites dos encontros da ONU e a situação do Brasil no cenário de novas tecnologias e privatização ambiental.

Brasil de Fato – Nas negociações nos fóruns da ONU, particularmente aqueles sobre mudanças climáticas, os países costumam atuar em blocos já constituídos há anos. Na COP 16, há alguma mudança nesse cenário?
Silvia Ribeiro – O novo é que os países do norte têm novos aliados chamados de Basic, que são Brasil, África do Sul, Índia e China. Esses países atualmente são grandes emissores de gases de efeito estufa, mas historicamente não. Eles têm menor responsabilidade do que os países do norte sobre a crise climática, mas eles têm encontrado convergências.

Dizia-se que o Brasil mudou de posição para somar-se aos países da Alba. E também que havia uma tentativa de isolar a Bolívia na COP 16.
Há um trabalho muito grande, sobretudo dos EUA, de isolar a Bolívia. A classificam como o país mais radical, quando na realidade o que ela está fazendo é pedir o mínimo, levando adiante os acordos de Cochabamba, da Conferência dos Povos, de abril de 2010, onde havia 35 mil pessoas de 142 países. Já o Brasil sempre teve uma posição ambígua, porque é um país muito grande, tem muitas ambições, muitas desigualdades internas. Na semana passada [a entrevista foi concedida na segunda-feira, dia 6], após o Japão dizer que não assinaria um segundo período de compromissos do Protocolo de Kioto – o que é uma típica mensagem para polarizar todas as discussões –, o Brasil imediatamente disse que se o Japão não assina, eles também não assinariam. Então, o Brasil não mudou de posição. Esse é o jogo dos países mais emissores para não ter nenhum compromisso legalmente vinculante. O que não se quer é ir ao núcleo do assunto, ou seja, há que se reduzir as emissões e isso não vai se fazer através do mercado. E, hoje, os que estão dizendo que o Protocolo de Kioto não é bom foram os mesmos que o fizeram. Dizem que há que se criar outro, mas, na verdade, o que querem é criar um vazio do ponto de vista jurídico internacional. O protocolo é muito débil, mas é o único com obrigações legais existente. Atualmente, os países têm que informar em cada COP as medidas que tomaram para reduzir as emissões e eles sequer querem prestar contas, querem fazer somente acordos voluntários, em que cada um faz o que quer e no ano seguinte podem dizer, “ah, eu queria, mas não pude”. Por outro lado, querem aprovar pequenos acordos para introduzir novos elementos, como florestas e agricultura, no mercado de carbono, o que não apresentará nenhuma redução real das emissões.

Ano após ano, os espaços da ONU acontecem sem definições relevantes. Que validade a senhora vê ainda nesses fóruns?
O problema é que esse é o único instrumento internacional neste momento de relações entre os países e onde há a relação de um país, um voto. Aqui, a Bolívia pode vir com os acordos de Cochabamba e fazer valer essas decisões, porque aqui as definições se tomam por consenso. Ao contrário da Organização Mundial do Comércio ou do Banco Mundial, nos quais as decisões são tomadas segundo a quantidade de dinheiro que cada país põe ou pelos interesses comerciais que existem. Há um trabalho para debilitar a ONU, para que ela não possa ter nenhum papel. Claro que, a partir dos movimentos, nós temos que seguir trabalhando a organização local, de base, entre as organizações e sempre desde baixo, mas são trabalhos paralelos. A questão se divide entre o sistema capitalista representado por suas transnacionais – uma centena delas representa mais da metade da economia mundial – e os governos que legislam para que essas transnacionais possam mover-se tranquilamente.

Como senhora caracterizaria esse discurso comercial-ambiental que vem ganhando força na ONU?
Há um avanço enorme na mercantilização da natureza. Eles já não se detêm ao que se chama de recursos naturais, avançam sobre tudo que há na natureza. O que se está discutindo na COP 16 é como privatizar o ar, quem vai ter acesso ao ar limpo que é necessário para controlar o clima do planeta. O capitalismo sempre faz novos negócios a partir dos desastres que provoca e, quanto maior é o desastre, maior é o negócio. Acabamos de lançar um documento que se chama “Os novos donos da biomassa” e nele dizemos que a ideia geral agora é: não existe natureza, plantas, florestas, rios, espaços públicos, comunitários. Tudo que tem celulose é biomassa e tudo é biomassa, até nós, na verdade. E, nessa nova visão do mundo, toda biomassa pode ser uma nova fonte de combustível ou de outras coisas, através da engenharia genética extrema, também conhecida como biologia sintética. Com isso, se pode digerir a celulose de qualquer coisa que a tenha. Isso já se está desenvolvendo no Brasil. Para que se entenda um pouco a lógica: hoje, nós vivemos em uma civilização baseada no petróleo, não só para combustíveis, mas toda a agricultura está petrolizada, sejam nos agrotóxicos, nas embalagens, nos plásticos. E o petróleo é matéria orgânica, ou seja, carbono. São hidrocarbonetos que estiveram milhões de anos na terra, é uma energia condensada muito forte. Das cadeias de hidrocarbonetos fazem outros polímeros. Então, a ideia é usar os carboidratos – uma matéria orgânica, mas que não esteve milhões de anos na Terra –, fermentá-los com açúcares e, assim, produzir os polímeros que se formam através do petróleo. E já estão fazendo combustíveis e plástico, por exemplo, com milho. Não deixarão de usar petróleo, porque as petroleiras são enormes empresas, vão seguir usando até que não haja mais e, além disso, vão usar biomassa como nova fonte.
Assim, a demanda de biomassa será enorme no futuro e isso significa demandas enormes de terra e água. De onde vão tirar? Vão tirar de onde estão os camponeses e indígenas. No Brasil isso é muito claro. O país já é um retalho: em um lado milho, em outro eucalipto, em outro soja etc. Com a biologia sintética, você poderá ter variados tipos de plantação e depois decidir se vai usá-la para fazer celulose para papel, para fazer agrocombustível ou para fazer medicamentos. Isso parece ficção científica, mas não é, já estão fazendo no Brasil e nos Estados Unidos.

Daí surge o que vocês chamam de bioeconomia?
Esse exemplo que dei é um caso extremo da bioeconomia. Há três bases dela. Uma que tem a ver com as funções da natureza, mercantilizada e transformada em serviços ambientais. O mercado de carbono é o típico exemplo desse modelo, onde se pode vender o ar, as florestas, separado de toda a gestão de um povo. Há outra que é a biotecnologia, feita dos transgênicos, da indústria farmacêutica. Por fim, está a economia da biomassa que mencionei. O resultado é terrível, porque a biomassa do planeta não é suficiente para a ambição das transnacionais. Alguns institutos de pesquisa calcularam que 24% da biomassa renovável terrestre está mercantilizada. O resto está na natureza ou sendo usado por comunidades, integrando um ciclo que, ao final, volta para a natureza.

E quais seriam as consequências do mecanismo REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação) ser incorporado nos acordos aqui?
A tentativa é por as florestas dentro dos mercados de carbono, sobretudo no mercado financeiro, já que ele se baseia na venda e revenda de créditos de carbono.  As florestas ainda não eram consideradas nesse mercado porque é difícil calcular a quantidade de carbono absorvido, já que elas absorvem e emitem carbono e isso varia entre diferentes vegetações, solos e manejos. Mas agora inventaram métodos terríveis para medir isso. Com a incorporação do REDD nos acordos da ONU, todos os bosques do mundo viram uma fonte de especulação em potencial. E isso é muito importante para um mercado financeiro em crise, pois se cria um mercado novo. Existem três modalidades distintas e complementares: o REDD, o REDD+ e o REDD++. O primeiro é basicamente a venda de serviços ambientais das florestas. É um incentivo para que os desmatadores deixem 10% do bosque em pé. O segundo é chamado de “manejo sustentável das florestas”. Dizem que se pode ganhar dinheiro vendendo esse serviço, mas em troca, não podem mais tocar na mata, então, na verdade é como tirá-las do território. E a terceira é, por exemplo, o maior projeto REDD do mundo, da Shell, que foi a Bornéu [ilha do sul asiático cujo território é administrado por Malásia, Indonésia e Brunei] para comprar 100 mil hectares de bosque, pagando cerca de 10 dólares pela tonelada de carbono sequestrado. Mercadoria que eles podem vender a 20 dólares na bolsa de valores. Então, além de ficar com o bosque e com o ar e de justificarem sua poluição com a compra de árvores que sequestram seu carbono, eles vão recuperar rapidamente o dinheiro investido vendendo os créditos na bolsa.

E o que há de terrível no método de calcular a quantidade de carbono absorvido?
Ele se baseia em um monitoramento por satélite, com sistema de imagens infravermelho. Foi com a tecnologia do infravermelho que acharam o Che Guevara na floresta e isso foi há décadas, agora estão muito mais avançados. Com isso, será possível controlar toda a movimentação da região, ter um controle total da vegetação, saber onde estão as plantas mais valiosas.

QUEM É
Uruguaia radicada no México, Silvia Ribeiro trabalha para a organização internacional Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC), que pesquisa a concentração coorporativa, novas tecnologias e os impactos que estas provocam.

Brasil de Fato – edição 406 - de 9 a 15 de dezembro de 2010
internacional - Vinicius Mansur Viviane Rojas
de Cancún (México)


MINERADORA PROVOCA O MAIOR INCÊNDIO DOS ÚLTIMOS ANOS NAS SERRAS DE JACOBINA

Clique na foto e vejam a situação que as serras ficaram

No último domingo dia 05, foi o dia que marcará a história das queimadas nas serras de Jacobina, especificamente as Serras do Coxo de Dentro, que ardeu em fogo nos dias 05 e 06, mas graças a Deus no dia 07 deu uma pequena chuva e apagou o incêndio de grandes proporções e prejuízos irrecuperáveis para a natureza e para as pessoas que vivem naquelas comunidades e têm as serras como fonte de riqueza (beleza, água, paisagem e extrativismo).
Não sei por que nenhum blog da cidade que às vezes taxam até de  malucos os que provocam fogo nas Serras, mas quando tiveram notícias de que o foco do incêndio veio da mineração conhecida como “Mina do Coxo”, que já foi propriedade do ilustre conterrâneo José Facho que passou a HStern e recentemente adquirida por um novo grupo. Não foi publicado nada, talvez para não perderem a fatia de comerciais que rolam nos blogs, principalmente os que dizem que não tem o rabo preso.
A Mina do Coxo que produz uma das mais belas Ametistas do Brasil era de propriedade do Grupo Financeiro HStern, que é uma das maiores redes de joalherias do mundo, e que segundo algumas pessoas da cidade e da comunidade relatam que a Mina do Coxo foi adquirida por um grupo de neojacobineses que vêm na antiga mina um bom negócio para investimento.
E, segundo depoimentos de pessoas da comunidade quem tem estado à frente da reativação da Mina do Coxo é o Sr. Peixoto, ex-chefe de segurança da Yamana Gold.
A Profª da UNEB Kátia Leite, residente na comunidade do Coxo de Dentro e pertencente a Associação daquela comuna, relata que os prejuízos são incalculáveis e que não há como recuperar em médio prazo os prejuízos para aquela biota, que é o conjunto de seres vivos, flora e fauna, que habitam ou habitavam um determinado ambiente geológico, além de que grande parte dos moradores daquelas comunidades tem no extrativismo de babaçu, mangaba e outros uma de suas fontes de sobrevivência.
Durante a entrevista que a Profª Kátia Leite concedia a uma emissora local, uma senhora entrou no ar através de telefone, e em prantos se identificou como moradora da região e se identificou como a mãe do funcionário da Mina do Coxo que teria provocado o incêndio, quando em práticas irregulares de manejo na área da mineradora pôs fogo em algum material.
Declaro que fiquei sensibilizado com a Senhora pela preocupação quanto a responsabilidade de seu filho, porém no Direito Ambiental existe alguns princípios básicos que é prevenção, precaução e poluidor pagador e com certeza o estado através do IMA – Instituto do Meio Ambiente,  o município (que nem lá apareceu nos dias do fogo) se não se pronunciarem, com certeza o Ministério Público da Bahia deverá se pronunciar e saberá punir os donos dos investimentos, mesmo sabendo que mais uma vez aparecerão os factoides divulgando o que divulgaram com a FPI – Fiscalização Preventiva Integrada, alegando apenas o fechamento de mineradoras.


Estudo da UFMG comprova: Mineradora de ouro polui as águas de Paracatu com arsênio. E em Jacobina?

Uma das portarias da área da Yamana Gold - Foto Almacks Luiz

Fazendo pesquisa sobre o arsênio no entorno de minas de ouro me deparei com este artigo a baixo, e acrescentei ao seu título a pergunta. E qual é a pesquisa sobre a contaminação de arsênio pela Yamana Gold nas águas superficiais das nascentes do Rio Itapicuru Mirim e das águas subterrâneas de nossa cidade?


E com surpresa também é que recebi um e-mail da pesquisadora Silvana Tosta que esta fazendo doutordo na UFBA - Universidade Federal da Bahia e escolheu como tema de sua pesquisa a possível contaminação de arsênio no entorno das minas de ouro da Yamana Gold em Jacobina.


Que seja bem vinda, doutora Silvana Tosta!


"Mais um estudo científico confirma a poluição grave e persistente das
águas de Paracatu com arsênio da mina de ouro operada pela mineradora
canadense RPM/Kinross Gold Corporation.

O estudo foi conduzido pela pesquisadora Patrícia Rezende, sob
orientação de Letícia Costa e Cláudia Windmöller, ambas
professoras-doutoras do Departamento de Química da UFMG [1,2].

As pesquisadoras mediram a quantidade de arsênio nos sedimentos dos
córregos e rios do município. Segundo elas, a análise da poluição das
águas pelo método de dosagem dos poluentes nos sedimentos revela
informações mais confiáveis que a simples dosagem na água, pois os
poluentes carregados pela água ficam retidos nos sedimentos de forma
mais duradoura.

"É como se os sedimentos contassem a história da água que passa",
explica Rezende.

Os sedimentos dos córregos e rios de Paracatu estudados pelas
pesquisadoras apresentaram uma concentração natural média abaixo de 2
mg de arsênio por quilo. Após a passagem dos córregos e rios por
Paracatu, a concentração média aumenta para 150 mg de arsênio por
quilo, podendo chegar a mais de 1000 mg por quilo.

As concentrações mais altas foram observadas no ponto de amostragem
PTE023, no Córrego Rico. Uma medição feita em Agosto de 2008 indicou
uma concentração de 1116 mg de arsênio por quilo de sedimento, o que
corresponde a uma concentração 190 vezes maior que a estipulada pela
legislação do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e 744 vezes
maior que a concentração média natural dos rios e córregos da região.

A maior parte do arsênio detectado no sedimento do leito do Córrego
Rico neste ponto está na forma de arsenopirita, mineral presente na
mina de ouro na proporção média de 1 kg por tonelada de minério [3].
Neste ponto também foi detectado o argilomineral ilita. Esse mineral
também é encontrado na mina de ouro operada pela canadense Kinross, e
o ponto de amostragem está a jusante da mina.

O arsênio da mina de Paracatu pode alcançar os córregos de duas
maneiras principais: pela deposição da poeira contaminada e pela
drenagem ácida da mina e da lagoa de rejeitos. Os resultados da UFMG
contradizem os resultados de auto-monitoramento realizados pela
mineradora e aceitos pelos órgãos públicos de controle ambiental.

“A contaminação por arsênio atingiu teores superiores ao nivel 2 do
CONAMA (17 mg.kg-1) em Paracatu. Essa região apresenta teores de
arsenopirita naturais elevados, que estão sendo liberados para o meio
ambiente devido à atividade de mineração de ouro” – informam as
pesquisadoras.

Não é a primeira vez que estudos científicos comprovam a poluição das
águas de Paracatu pela mineradora canadense Kinross. Estudo realizado
pelo pesquisador Giovani Melo e publicado em 2008 em Paracatu já
revelava uma contaminação de gravidade extrema, com repercussões sobre
a saúde da população [4,5]."



Por Sergio U. Dani, de Göttingen, Alemanha, 18 de abril de 2010

Referências:

[1] Rezende PS. 2009. Avaliação da mobilidade e biodisponibilidade de
metais traço em sedimentos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.
Tese de Mestrado em Química. Universidade Federal de Minas Gerais,
UFMG, Brasil.

[2] Moura PAS, Rezende PS, Nascentes CC, Costa LM, Windmoeller CC.
Quantificação e distribuição de arsênio e mercúrio em sedimentos da
Bacia do Rio São Francisco. In: XXII Encontro Regional da Sociedade
Brasileira de Química, MG, 2008, Belo Horizonte.

[3] Henderson RD. 2006. Paracatu Mine Technical Report. Kinross Gold
Corporation, July 31, 2006.
Disponível na internet em:
http://www.kinross.com/operations/pdf/Technical-Report-Paracatu.pdf

[4] Dani SU. Agora está confirmado: RPM/Kinross polui água de Paracatu
com metais pesados. Níveis são alarmantes e contaminação já atinge as
áreas vizinhas da mina. Jornal Alerta Paracatu, Ano I, número 00,
edição especial de junho de 2008, p. 23. Fundação Acangaú, Paracatu,
MG, Brasil.

[5] Melo G. Contaminação é de gravidade extrema, diz especialista.
Jornal Alerta Paracatu, Ano I, número 00, edição especial de junho de
2008, p. 24. Fundação Acangaú, Paracatu, MG, Brasil.


--
Sergio Ulhoa Dani, Dr.med. (DE), D.Sc. habil. (BR)
Göttingen, Germany
Tel. 00(XX)49  15-226-453-423
srgdani@gmail.com

ÍNDICE FIRJAN DE DESENVOLVIMENTO MUNICIPAL (IFDM)

Na data da pesquisa (2007) o Brasil era composto por 5.564 municípios e o estado da Bahia por 417 municípios e o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) nasceu em resposta à necessidade de se monitorar anualmente o desenvolvimento sócio-econômico de uma região, considerando as diferentes realidades de sua menor divisão federativa: o município. (Edição 2010, ano base 2007)
Emprego e Renda, Educação e Saúde constituem as três esferas contempladas pelo IFDM, todas com peso igual no cálculo para determinação do índice de desenvolvimento dos municípios brasileiros.
O índice varia de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, maior será o nível de desenvolvimento da localidade, o que permite a comparação entre municípios ao longo do tempo.
O IFDM distingue-se por ter periodicidade anual, recorte municipal e abrangência nacional. Por ter recorte municipal, foram privilegiados os aspectos básicos indispensáveis ao desenvolvimento local.
MUNICÍPIOS QUE COMPÕEM A BACIA DO SALITRE
CIDADE
ÍNDICE NACIONAL
ÍNDICE ESTADUAL
IFDM
EMPREGO E RENDA
EDUCAÇÃO
SAÚDE
JUAZEIRO
2.935º
29º
0,6088
0,6188
0,5995
0,6080
JACOBINA
3.335º
41º
0,5859
0,4120
0,6533
0,6926
M. CALMOM
3.685º
51º
0,5644
0,2058
0,6769
0,6477
C. FORMOSO
4.908º
199º
0,4883
0,2837
0,6054
0,5759
V. NOVA
5.025º
220º
0,4784
0,3582
0,4583
0,6187
UMBURANAS
5.171º
268º
0,4644
0,3339
0,4221
0,6377
M. DO CHAPÉU
5.301º
311º
0,4495
0,2582
0,5209
0,5693
MIRANGABA
5.493º
391º
0,4154
0,2631
0,4703
0,5129
OUROLÂNDIA
5.499º
395º
0,4136
0,1634
0,4965
0,5810

VARIÁVEIS QUE COMPÕEM O CÁLCULO DO ÍNDICE IFDM
Emprego e Renda:
Geração de emprego formal
Estoque de emprego formal
Salários médios do emprego formal
 Educação
Taxa de matrícula na educação infantil
Taxa de abandono
Taxa de distorção idade série
Percentual de docentes com ensino superior
Média de horas aula diárias
Resultado do IDEB

Saúde
Número de consultas pré-natal
Óbitos por causas mal definidas
Óbitos infantis por causas evitáveis
A leitura dos resultados – seja por áreas de desenvolvimento, seja pela análise dos índices finais – é bastante simples, Com base nessa metodologia, estipularam-se as seguintes classificações:
a) municípios com IFDM entre 0 e 0,4 à baixo estágio de desenvolvimento;
b) municípios com IFDM entre 0,4 e 0,6 à desenvolvimento regular;
c) municípios com IFDM entre 0,6 e 0,8 à desenvolvimento moderado;
d) municípios com IFDM entre 0,8 e 1,0 à alto estágio de desenvolvimento.
Fonte: http://webmais.com/ranking-das-melhores-cidades-brasileiras-segundo-ifdm-indice-firjan-de-desenvolvimento-municipal/

Ministério Público apresenta balanço final da 23ª FPI em Jacobina

Drªs Luciana Khoury e Andréa Scaff

O Ministério Público da Bahia, nas pessoas das Drªs Promotoras Luciana Khoury e Andréa Scaff apresentaram nesta segunda-feira, 29/11, no Auditório do Colégio Modelo Luiz Eduardo Magalhães em Jacobina o balanço da 23ª FPI – Fiscalização Preventiva Integrada que aconteceu na região de Jacobina envolvendo as cidade de Morro do Chapéu, Várzea Nova, Umburanas, Ourolândia, Miguel Calmon, Jacobina, Mirangaba e Campo Formoso pertencentes á sub-bacia do Salitre, na Bacia do São Francisco.

Os técnicos dos diversos órgãos envolvidos na 23ª FPI identificaram vários problemas de agressão ao meio ambiente como: queimadas, exploração de areia nos leitos dos rios, empresas mineradoras sem as devidas licenças, extração de arenito irregular, animais em cativeiro, problemas estruturais em várias barragens e desmatamentos ilegais.

44 empresas de mineração que funcionavam sem licença ambiental e autorização para lavra tiveram suas atividades suspensas, interdição de três empreendimentos rurais em virtude de desmatamento e aplicação de multa a outros 17, além da proibição de fabrico clandestino de laticínios e de multa pelo transporte ilegal de alimentos.

A comercialização de animais silvestres também foi combatida de forma veemente com apreensão de 325 aves; duas serpentes, algumas avestruzes, seis jacús e oito cotias, além da aplicação de multas que chegaram ao montante de R$ 551,6 mil.

Também foi tratado do abate clandestino de animais e por sugestão foi indicado a comercialização com um Frigorífico de Juazeiro, porém ficou acertado uma reunião no dia 15 de dezembro entre a Promotoria, os prefeitos da região e o seguimento de marchantes e magarefes para construção da melhor alternativa para solucionar o problema que vem se arrastando desde 1996.

O objetivo da FPI é a prevenção para inibir danos ao meio ambiente e à saúde pública, mas também visa, de forma repressiva, punir os infratores, foi o que afirmou a Drª Luciana Khoury.

Clique na foto e veja todas as fotos do evento

23ª FPI EM JACOBINA

XII ENCOB – ENCONTRO NACIONAL DOS COMITÊS DE BACIAS HIDROGRÁFICAS

Andreá Carestiato

O XII ENCOB aconteceu na cidade de Fortaleza nos dias 22 a 26 de novembro e serviu como estrutura para o evento a Fábrica de Negócios – Hotel Praia Centro, só a abertura e o encerramento que foi no Marina Hotel que é uma das invasões de APP – Área de Preservação Permanente da capital cearense.
Fica a sugestão para que o COLEGIADO do FNCBH – Fórum Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas possa nos próximos encontros praticar o que se discute, porque não é um bom exemplo levar 1.500 pessoas a uma APP para discutir problemas Hídricos. Assim o próprio Fórum passa a apoiar estas invasões imobiliárias levando seus encontros para estes locais. O que achas?
A atração do Fórum não foi a programada pelos organizadores, quem roubou a cena foi o “velho” palestrante e defensor das causas do Velho Chico, o companheiro Apolo Heringer Lisboa, mineiro da cidade onde fabrica a melhor cachaça do mundo, a Havana, hoje Anísio Santiago que o conheci quando meu irmão Pedro trabalhou na cidade de Salinas, conheci a cidade o Sr. Anísio e a fazenda onde fabrica.
Apolo, que já foi Coordenador do Fórum Mineiro de Comitês fez a melhor palestra do Fórum, com o tema: "Qualidade da Água e Saúde Pública – O Papel dos Comitês de Bacia Hidrográfica na Informação". Um show de informações que parte da elite e de membros de órgãos gestores teve que engolir o que discutimos nos movimentos sociais, falou a língua de um verdadeiro Fórum e não dos Fóruns da vida...
Pela ordem, outro ponto que mais chamou atenção foi à apresentação do CBHSF – Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco com o Projeto "NAS ONDAS DO RIO SÃO FRANCISCO" que foi tão bem exposto por Andreá Carestiato do DEA – Departamento de Educação Ambiental do MMA – Ministério de Meio Ambiente e teve a contribuição do Presidente do Comitê, Dr. Geraldo Santos.
Repetido para quem já foi a vários ENCB’s a outra apresentação de destaque foi o "Programa Água Boa", programa de mobilização e comunicação na Bacia do Paraná-3 articulado pela ITAIPU, enfim, as apresentações tiveram um bom nível.
A Bahia levou para o cenário nacional a experiência do trabalho acadêmico de monografia da Dra. Isabel Vilela com o CBH Grande, sobre "Educomunicação e os Desafios à Democratização na Gestão de Água", que deu tão certo e é hoje um dos trabalhos incorporados pelo CBH Grande (Oeste da bahia), que pode e deve ser copiados pelos CBH’s da Bahia e do Brasil.
Enfim, mais uma vez os Comitês da Bahia sairam desarticulados e sequer sem um folder ou cartaz para apresentarmos ou distribuirmos aos 188 Comitês que estavam reunidos na Fábrica de Negócios (Cadê a verba a produção e impressão? Queremos discutir os recursos com a COGEP .
Tivemos uma reunião no dia 12, 10 dias antes do Fórum dia 22, onde as pessoas que participaram da reunião do Fórum Baiano de Comitês tinha que retornar às vezes 700 Km para seus locais de atuação, socializar a discussão, indicar o representante que iria e arrumar as malas para Fortaleza. E chegando lá, inverteram-se os papeis mais uma vez e os quase 10 técnicos do INGÁ que estavam para assessorar os membros de Comitês, que eram apenas  14 se todos os Comitês estivessem representados, sendo um de cada Comitê que foram  custeados pelo Órgão gestor, mas como alguns foram por utros custeios tivemos 17 membros representando a Bahia, porém com direito a voto na Assembléia, apenas 8. Não foi tão expressivo considerando que a maior delegação foi a mineira com 72 membros sendo apenas 7 técnicos do IGAM.
Moral da “estória” os técnicos do INGÁ inverteram os papeis mais uma vez e se colocaram como articuladores em um Fórum de Comitês (esqueceram que o Júlio Rocha criou o Fórum de Gestores, que por sinal esteve lá reunido) e saíram desordenadamente lançado propostas de trazerem o evento para a Bahia em uma casadinha com o Rio Grande do Sul, o que deu? O Maranhão tendo a articulação do FONASC-CBH Fórum da Sociedade Civil nos CBH’s e sem sequer ter o seu Conselho regulamentado pela Roseane levou o XIII ENCOB.
Cadê a Coordenadora do Fórum Baiano? Porque o Fórum baiano não foi o articulador ao invés dos técnicos do INGÁ? Será que temos um Fórum chapa branca? Porque não tivemos esta proposta de trazer o XIII ou XIV ENCOB para a Bahia discutida na reunião do dia 12, 10 dias antes do XII ENCOB?

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XII ENCOB FORTALEZA

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