A seca épica da Califórnia: só resta um ano de água



As guerras pela água limitada que há na Califórnia já duram, no mínimo, um século. Guerras da água já foram temas de filmes de sucesso, dentre os quais “Da Terra Nascem os Homens” (The Big Country)com Gregory Peck, de 1958; “O Cavaleiro Solitário” (Pale Rider), de Clint Eastwood, em 1985; Waterworld, de Kevin Costner, 1995; e, de 2005, Batman Begins. O mais aclamado foi o vencedor do Oscar de 1975, Chinatown com Jack Nicholson e Faye Dunaway, uma trama entre um político corrupto de Los Angeles e especuladores de terra, para fabricar a seca de 1937 e forçar os fazendeiros a venderem suas terras a preços baixos. A trama baseou-se num fato histórico, mostrando as batalhas entre os fazendeiros de Owens Valley e as construtoras que erguiam Los Angeles, pelos direitos da água.

Hoje, a guerra da água prossegue, em escala ainda maior, com novos atores. Já não se trata só de fazendeiros contra os rancheiros ou os urbanites. Agora, é o povo contra os 
novos “barões da água”– Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Monsanto, a família Bush & sua gangue – que estão comprando água em todo o planeta num ritmo sem precedentes.

Uma seca de proporções épicas
Numa conferência de imprensa dia 19/3/2015, o presidente interino da assembleia estadual da Califórnia, Kevin de Leon, 
alertou que “Nenhuma crise é hoje mais grave, para nosso estado, que a falta de água.”

Jay Famiglietti, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em La Cañada Flintridge, Califórnia, escreveu, no 
Los Angeles Times, dia 12 de março:

“Nesse momento, o estado da Califórnia tem água para mais um ano em seus reservatórios, nossa reserva estratégica está sendo rapidamente consumida. A Califórnia não tem plano de contingência para uma seca prolongada como essa (muito menos para uma mega-seca de 20 anos ou mais), exceto, ao que parece, declarar estado de emergência e rezar pedindo chuva.”

Mapas indicam que as áreas da Califórnia 
mais duramente atingidas pela mega-seca são as áreas nas quais é cultivada uma grande porcentagem do que os norte-americanos comem. A Califórnia fornece 50% da comida do país, e mais alimentos orgânicos que qualquer outro estado. Western Growers estima que, no ano passado, 500 mil acres de terra agricultável foi deixada sem semear, área que pode aumentar em cerca de 40% esse ano. E na agricultura desapareceram 17 mil empregos, no ano passado; e mais, em 2015.

Fazendeiros com contratos com o Central Valley Project, um vasto sistema federal de irrigação, não receberão água pelo segundo ano consecutivo, 
segundo as previsões preliminares. Cidades e indústrias receberão 25% dos totais contratados, para garantir abastecimento suficiente para segurança e garantia da saúde pública. Além do racionamento, há o problema dos resíduos tóxicos lançados nas bacias de água, por empresas de petróleo que extraem pelo sistema de fracking. Economistas estimam o custo da seca, em 2014, em $2,2 bilhões.

Não há plano de contingência
O projeto Delta, de um túnel gigante de água, concebido para pôr fim aos problemas de fornecimento de água do sul da Califórnia, aspirando água do norte, foi adiado em agosto passado, em função de reclamações de residentes em Delta e de proprietários de terras. O projeto continua parado, enquanto o Departamento de Recursos Hídricos da Califórnia revisa cerca de 30 mil petições/manifestações. Quando ou se o projeto chegar a ser afinal implementado, demorará anos para concluir a construção, a um custo estimado de $60 bilhões, incluídos os custos de financiamento (mais altos que o da construção).
Enquanto isso, não se vê qualquer busca por alternativas que aumentem a oferta de água, além dos limitados recursos de água subterrânea. Por que não? Observadores céticos observam que a água já é chamada de “próxima boom-commodity”. Para Christina Sarich, escrevendo emNationOfChange.org,

“Numerosas empresas já se posicionaram para lucrar com a crise de falta d’água. Em vez de proteger as reservas existentes, implementar regulações estritas e trabalhar para inventar novos meios para captar água de chuva ou dessalinizar água do mar, a agenda empresarial corporativa está pronta, como cascavel enrolada, para ganhar trilhões com a nossa sede.

Essas cascavéis enroladas incluem Monsanto e outras empresas de biotecnologia, que estão desenvolvendo 
sementes resistentes a seca e resistentes ao alumínio, à espera para dar o bote quando os plantadores de produtos orgânicos jogarem a toalha. Pequenos e grandes produtores e de leite e derivados orgânicos foram os mais duramente atingidos pela seca, porque as pastagens certificadas onde as vacas têm de ser alimentadas estão desaparecendo.

Alguns críticos sugerem que, como em in Chinatown, a seca é obra humana, disparada não só pela quantidade jamais vista de emissões de carbono, mas também por “geoengenharia” – disparar alumínio e outros particulados nas nuvens, para, à primeira vista, bloquear a terra contra o aquecimento global (embora possa haver outros motivos). Dia 15/2/2015, Ken Caldeira, do Carnegie Institute for Science em Stanford observou que a geoengenharia é o único modo conhecido para resfriar rapidamente a Terra. Para ele, “uma pequena frota de aviões consegue fazer o que fazem os vulcões – criar uma camada de micropartículas na atmosfera, que reflete a luz do sol de volta ao espaço. Resfriar a terra por esse método pode ser rápido, barato e fácil.”

Mas a mesma técnica também impede a formação de chuvas. Segundo a patente EUA #6315213, registrada pelo exército dos EUA dia 13/11/2002, “O polímero é disperso dentro da nuvem e o vento da tempestade agita a mistura, o que leva o polímero a absorver a chuva. Essa reação forma uma substância gelatinosa que se precipita. O processo diminui a capacidade de a nuvem produzir chuva.”

Observadores mais desconfiados perguntam-se se tudo isso não seria parte de um plano maior. Christina Sarich observa que, enquanto o estado passa sede, alternativas para aumentar o suprimento de água permanecem na gaveta:

Engenheiros químicos no MIT já mostraram como é possível dessalinizar água do mar – eletrodiálise, com potencial para tornar potável a água do mar, 
mais depressa e a menor preço, sem remover contaminantes como sujeiras e bactérias; e há nanofiltros baratos que podem filtrar micróbios e produtos químicos da água para consumo humano. Para odesigner Arturo Vittori, a solução para a catástrofe da água não está em altas tecnologias, mas numa cesta gigante que coleta água potável do ar, por condensação.

Mobilizando águas subterrâneas

Outro recurso que permanece sem ser mobilizado é a própria água “primária” da Califórnia – água recentemente produzida por processos químicos no interior da Terra que jamais foram parte do ciclo hidrológico de superfície. Essa água é criada quando há condições adequadas para que o oxigênio possa combinar-se ao hidrogênio e é continuadamente empurrada para cima, sob grandes pressões do interior da Terra, e chega à superfície onde encontra fissuras ou falhas. Essa água pode aparecer em qualquer ponto do planeta. É a água que flui nos poços em oásis no deserto, onde não há nem chuvas nem nascentes de montanhas que os alimentem.
Estudo comentado na revista Scientific American de março de 2014 fala da presença documentada de vastas quantidades de água acumulada nas profundidades do planeta, gerada, não por chuva de superfície, mas por pressões ativas naquelas profundidades. O estudo confirmou que “há muito, muito grande quantidade de água retida numa camada realmente distinta, na Terra profunda (...), ali acumulada em quantidade que se aproxima da que há atualmente nos oceanos do mundo.”

Em dezembro de 2014, 
BBC News noticiou os resultados de um estudo apresentado na reunião de outono da American Geophysical Union, no qual pesquisadores estimam que há mais água retida na crosta profunda da Terra, que em todos os seus rios, pântanos e lagos somados. Pesquisadores japoneses já haviam  divulgado resultados de pesquisas, na Science de março de 2002,  segundo os quais o manto mais profundo pode conter cinco vezes mais água que os oceanos da superfície do planeta.

Provas dramáticas de que terremotos podem liberar água das profundezas da Terra apareceram em agosto passado, quando o vale Napa sofreu terremoto de magnitude 6.0. Solano County recebeu, repentinamente, 
um novo fluxo massivo de água em ravinas locais, inclusive um fluxo noticiado de 200 mil galões/dia, só de Wild Horse Creek. Esses fluxos aumentados permanecem ativos, intrigando pesquisadores que visitaram a área.

De onde estaria vindo aquela enorme quantidade de água? Se estava sendo liberada de algum aquífero raso, algo teria de preencher o volume da água que saía, à razão de mil galões/minuto – mais de dez vezes acima do fluxo de antes do terremoto. Seriam de esperar desabamentos massivos, mas não houve relato de qualquer desabamento. Evidentemente aquelas águas novas estavam subindo de fontes muito mais profundas, libertadas por fendas criadas pelo terremoto.

É o que diz Pal Pauer do Instituto de Águas Primárias, e dos maiores especialistas mundiais em mobilização de águas primárias. Depois de décadas de estudos de águas primárias, e 
projetos bem-sucedidos de perfuração, Pauer demonstrou que essa abundante fonte de água pode ser acessada, para suplementar nossa atual oferta de água. A água primária pode ser diretamente mobilizada, ou pode ser encontrada misturada a água secundária (e.g. aquíferos) alimentada por fontes atmosféricas. Técnicas novas e sofisticadas, que usam dados de satélites e aeronaves de pesquisa geofísica permitem localizar água subterrânea a água primária em rochas, por um processo chamado “fracture trace mapping,” pelo qual se identificam grandes fraturas mediante análise de dados recolhidos das aeronaves e satélites para perfuração exploratória.

Pauer insiste que é possível perfurar um poço suficiente para atender uma comunidade inteira, gerando grandes volumes de água, em apenas dois ou três dias, ao custo de cerca de $100 mil. Todo o estado da Califórnia poderia ser suprido por cerca de $800 milhões – menos de 2% do que custa o muito controverso projeto Delta de túneis de água – e esse resultado poderia ser alcançado sem roubar do norte, para dar de beber ao sul.

As Guerras da Água Continuam
Sucessivos governos da Califórnia têm-se mantido indiferentes a essas propostas. Em vez de qualquer pesquisa ou discussão complementar, o estado decidiu regular a água subterrânea. Em setembro, foram aprovadas três leis que estabelecem o quadro geral da regulação das fontes subterrâneas de água da Califórnia, evento que marcou a primeira vez na história do estado em que se faz algum manuseio em grande escala da água subterrânea. Até agora, a nova lei está considerando essa água como um bem protegido por direitos de propriedade. 
The Los Angeles Times noticiou:

Muitos interesses da agricultura continuam a fazer ferrenha oposição à nova lei. Paul Wenger, presidente da California Farm Bureau Federation, disse que as leis “podem vir a ser vistas como ‘históricas’ pelas razões erradas”, dado que agridem drasticamente a produção de alimentos. (...)

“Vai realmente começar uma luta de vale-tudo na disputa pela propriedade da água,” disse Patterson [deputado representante de Fresno na Assembleia], que previu que os planos da regulação vão disparar uma enxurrada de ações judiciais.

E assim prosseguem as guerras da água. O 
Banco Mundial adotou recentemente uma política de privatização da água, com fixação de preços para o comércio do recurso. Para Ismail Serageldin, um dos ex-diretores da instituição, “as guerras do século 21 serão guerras pela água.”

No filme Chinatown, os oligarcas corruptos levam a melhor. A mensagem parece ser que o direito nada pode contra a violência mais brutal. Mas, armados agora com essa poderosa ferramenta do século 21, a Internet, que pode gerar consciência nas grandes massas, e também pode produzir ação coordenada, talvez agora, afinal, o direito vença. *****

Tradução Vila Vudu

Comissões acompanharão alerta da Abrasco sobre mosquitos transgênicos nas cidades de Jacobina e Juazeiro


Comissões acompanharão alerta da Abrasco sobre mosquitos transgênicos

Fonte: redação da Tribuna do Advogado
As comissões de Direito Ambiental (CDA) e de Bioética e Biodireito (CBB) da OAB/RJ receberam, na última semana, membros da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que recentemente se manifestaram criticamente à forma como a Coordenação-Geral da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a produção de mosquitos geneticamente modificados para o combate ao Aedes Aegypti , inseto transmissor do vírus da dengue.
Na reunião, os pesquisadores Hermano Castro, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz; Lia Giraldo da Silva Augusto, professora na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e Carlos dos Santos Silva, que é secretário executivo da Abrasco, relataram estar sofrendo pressão da empresa Oxitec, que produz os mosquitos, em razão de uma nota técnica que a associação teria soltado sobre a questão.
De acordo com o texto, que reflete a posição dos cientistas que integraram o grupo de trabalhopara estudo do tema na Abrasco, não foram realizados os estudos dos impactos ambientais da inserção de tal espécime no ambiente, causando surpresa não só a falta de estudos como a rapidez na aprovação.
Representando a OAB/RJ, o presidente da CDA, Flávio Ahmed; a vice-presidente e o membro da CBB, Fernanda Bianco e Gabriel Bianconi Fernandes, respectivamente, manifestaram repúdio a qualquer tentativa de inibir posicionamentos científicos em relação a meio ambiente e saúde pública.
"O direito à informação e a participação são fundamentais quanto tratamos do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem constitucionalmente protegido e de titularidade difusa, exigindo as discussões que envolvem seu uso ampla reverberação. Daí porque a censura à discussão envolve também a violação ao livre acesso à informação e ao próprio direito ambiental como direito humano fundamental", afirmou Ahmed. Segundo ele, as comissões pretendem realizar uma série de discussões sobre o tema.
Após o encontro, a Abrasco decidiu publicar uma segunda nota, em que ratifica alguns pontos da original e retifica outros: "Há questões que realmente não precisamos discutir, mas outras reforçamos, porque entendemos que é dever da Abrasco mostrar o posicionamento de seus cientistas", explicou Lia.
Segundo os pesquisadores da entidade, os dados colhidos nos testes realizados nas cidades de Jacobina e Juazeiro, do estado da Bahia, seriam "insuficientes para um posicionamento consistente e qualquer órgão de pesquisa, muito mais, para a CTNBio". Eles também alertam para o fato de não existem ainda normas adequadas de liberação planejada para avaliação de insetos e que a alteração na reprodução dos Aedes Aegypti pode atrair outros insetos, como o A. albopictus, espécie selvagem existente no Brasil e com capacidade vetorial para o vírus da dengue.

Veja a primeira matéria gravada em Jacobina e a segunda gravada por um TV Francesa vai ser liberada em abril:

Falham primeiros testes da Transposição

PUBLICADO EM 14/10/2014 ÀS 22:52 POR  EM NOTÍCIAS
Obras da transposição em Floresta. Foto: Marcela
            Balbino/BlogImagem
Obras da transposição em Floresta. Foto: Marcela Balbino/BlogImagem
Por Amanda Miranda, especial para o Blog de Jamildo
As já atrasadas e polêmicas obras de Transposição do Rio São Francisco tiveram mais uma falha nesta terça-feira (14). Desta vez, segundo fontes, o problema foi nos primeiros testes para o bombeamento de água do lago de Itaparica, às margens da cidade de Petrolândia, no Sertão pernambucano, objeto de mais discussão nesse fim de semana devido à situação na barragem, que está com 17% da capacidade total.
O Ministério da Integração Nacional deve se posicionar nesta quarta (15) sobre o assunto.
De Itaparica, a água deverá ser bombeada por mais de 60 metros de altura até um aqueduto que a levará por gravidade até Areias, outra das barragens no caminho das águas. Os primeiros seis quilômetros estão preenchidos com água no canal de aproximação, que vai da Barragem de Itaparica até a estação de bombeamento EBV1.
“Nenhum teste deu certo desde ontem, às 14h. O pior é que não sabem exatamente qual é o problema”, contam fontes, em reserva. De acordo com essas informações extraoficiais, pode ter havido falhas técnicas e elétricas, como o travamento e o retorno da água, por exemplo. Duas das quatro bombas foram testadas desde essa segunda-feira, já que as outras ainda não foram instaladas.
Segundo o diretor de operação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Mozart Arnaud, a subestação responsável pela energia que abastece as bombas, em Floresta, na mesma região, está em funcionamento.
Para lideranças políticas na região, em função do segundo turno das eleições, houve pressa para adiantar os testes por questões eleitoreiras: uma suposta visita da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, à obra, para gravações do guia eleitoral, chegou a ser especulada.
“Se essas pessoas trabalhassem no Luz para Todos, o Brasil inteiro já estaria energizado”, afirmou um interlocutor do Governo Federal na região.
Foto: reprodução do blog de Josélia Maria
Foto: reprodução do blog de Josélia Maria
Uma mobilização da população rural de Petrolândia, às margens da barragem onde a água é retirada, tentou impedir o acesso às obras, alegando que a retirada da água do lago para os testes iria prejudicar o abastecimento no município, foi contida pela Força Nacional de Segurança nessa segunda.
Também fez parte do protesto a reclamação de que a água ficará parada na barragem de Areias. Dessa forma, como afirmou o ministério em nota, o cronograma continuou com o fim do protesto. Segundo o órgão, até o final deste ano, a primeira etapa estará em pré-operação.
De acordo com Mozart Arnaud, ao contrário do que os manifestantes diziam, o que será retirado do reservatório é “desprezível”.
“Não existe colapso de abastecimento, o que existe é uma dificuldade”, afirma.
A vazão atual do Rio São Francisco é de 1,1 mil metros cúbicos por segundo e as bombas vão puxar 7 metros cúbicos por segundo. Normalmente, a vazão é de 2 mil metros cúbicos por segundo, mas a diminuição é atribuída à seca.
O objetivo da Transposição é levar água para mais de 12 milhões de moradores de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O relatório de execução física de julho mostrava que o empreendimento está 62,4% concluído. As obras seguiam então com 11.400 trabalhadores e mais de 3.900 máquinas em ação.
Enchimento do Canal da Transposição. Época da viagem de
            Dilma Rousseff. Foto: Marcela Balbino/ BlogImagem
Enchimento do Canal da Transposição. Época da viagem de Dilma Rousseff. Foto: Marcela Balbino/ BlogImagem
A obra, orçada em R$ 8,2 bilhões, tem dois longos canais. O Eixo Leste beneficiará Pernambuco e Paraíba e o Norte levará água para esses Estados, o Ceará e Rio Grande do Norte.  A obra começou em 2007, na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, orçada em R$ 4,5 bilhões. O Eixo Leste deveria sair em 2010 e o Norte, em 2012. O funcionamento da primeira etapa da obra foi adiado em dois anos, para até setembro de 2016.
Com a palavra, o Ministério da Integração Nacional.

-- 
_____________
Cristiane Passos 
Assessoria de Comunicação
Comissão Pastoral da Terra
Secretaria Nacional - Goiânia, Goiás.
Fone: 62 4008-6406/6412/6400
www.cptnacional.org.br

Primeiro teste da transposição do São Francisco acirra conflito por uso múltiplo da água


PUBLICADO EM 10/10/2014 ÀS 0:34 POR JAMILDO EM NOTÍCIAS
Por Jamildo Melo, editor do Blog

No exato momento em que Dilma faz um périplo pelo Nordeste, para agradecer os votos que recebeu na região, e Aécio Neves marca visita a Pernambuco, para tomar um banho de povo com os socialistas, o mundo real manda lembranças.
Neste sábado, depois de a Chesf ter ligado as primeiras subestações de suporte ao projeto da Transposição do São Francisco, em Floresta, ocorrerá o primeiro teste dos canais, com a água captada do lago de Itaparica, às margens da cidade de Petrolândia.
O problema é que o lago, reservatório da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, construída em Petrolândia, está em situação crítica, com apenas com 17,23% da sua capacidade total, de acordo com relatórios oficiais.
Neste final de semana, devem ser ligadas duas das quatro bombas no Canal da Transposição do Eixo Leste (Floresta), para testes, acirrando a disputa pelo uso da água entre abastecimento humano e produção versus a produção de energia.
“Todas as tentativas de diálogos com Chesf, ONS e ANA a resposta tem sido a mesma. Eles nos dizem que temos de garantir a produção elétrica porque a crise energética, somada a seca, levou o sistema a beira de um colapso. Não consigo entender como é mais importante produzir energia em detrimento de manter água para a vida das pessoas”, diz o prefeito de Itaparica, Lourivaldo Simões, do PR.
Em um documento interno, a Chesf informa as cotas dos Lagos de Sobradinho, Itaparica, Apolônio Sales e Xingó, no período de 03 a 10 de outubro. No boletim, o volume informado é 17%. Essa é a previsão sem a ligação dos dois conjuntos de motor bombas do teste da transposição, que subtrairia 1% do lago.
Imagem para o programa eleitoral
“Não sei se de repente vamos assistir nos guias eleitorais que o Canal da Transposição está funcionando para enrolar os sulistas. Sei que essa ligação consumirá 1% do Lago. A Chesf já nos informou que, sem ele funcionar, já iremos ter apenas 16,5% na próxima segunda feira. Me pergunto para que ligar se não há destino para essa água e nós estamos em beira ao colapso. É no mínimo estranho tirar algo de onde se esta precisando e levando para onde não se tem o que abastecer. Que se pese o interesse em se levar água aos irmãos do sertão brasileiro, porém o momento não é adequado porque nós não temos nem para nós mesmos”, reclama o prefeito Lourival Simões.
No final de agosto, a candidata à reeleição pelo PT e o ex-presidente Lula percorreram o Sertão de Pernambuco para vistoriar as obras da Transposição do Rio São Francisco. Depois de passar por Cabrobó, a dupla seguiu para Floresta com o objetivo de gravar imagens para a propaganda eleitoral nas cidades cortadas pela obra. Quanto aos atrasos na entrega do projeto, previsto inicialmente para ser finalizado em 2010, Dilma foi categórica. “Só não atrasa obra quem não faz. Aqueles que nunca fizeram obra no Brasil, que nunca deixaram obras atrasadas, são aqueles que nunca planejaram”, afirmou a candidata.
De acordo com os levantamentos da municipalidade, os volumes da operação da ONS para esvaziar o Lago de Itaparica somente foi visto na Seca de 2001. “Esse esvaziamento do Lago de Itaparica é duvidoso do ponto de vista de otimização energética, dada a situação atual de nível de água dos reservatórios do Brasil, grau de geração eólica e térmica na região nordeste”.

Produção econômica em crise
“Hoje em Petrolândia os quase 5.000 hectares de área irrigadas estão sendo obrigados a funcionar no rodízio de bombeamento. Há comunidades já prejudicadas, como o Brejinho de Fora, sem que se consiga bombear água para consumo humano”.
“O perímetro irrigado as fruteiras já estão abortando seus frutos. Teremos uma queda muito grande na produção e aqui não se trata de grandes empresários. São pequenos agricultores como tantos e tantos outros espalhados por esse Brasil afora. Que se mude a estratégia de esvaziamento do Lago de Itaparica para produção de energia”, afirma o prefeito.
Na noite da última quarta-feira (7), o prefeito visitou a sede da Chesf em Recife para tratar da situação crítica da represa, mas saiu decepcionado.
“A Chesf sabe o que tem de fazer porém ela esta de pés e mãos atadas pela ONS e por conseguinte pela ANA.  Já fizemos comunicados, trocamos e-mail, reuniões porém a resposta seca esta na ponta daqueles que estão distantes de nós e que olham simplesmente números. Nossa preocupação maior é a geração de energia. Chega! Gente é mais importante”, diz.




dimas


O Rei Está Nu


Fazendo uma analogia do momento político atual e analisando os posts de amigos petistas lembrei em republicar o conto que usei em minha campanha em Mirangaba, o Rei está nú!

Os petistas não vêm nada de errado na administração do ex-presidente Lula e a presidente Dilma. Eles estão nus, a corrupção é a mola mestre da atual administração.

Como os súditos no conto adoravam tanto o Rei e se quer percebia que ele estava nu, os petistas não enxergam a correpção no Brasil.

Acordem! Enxerguem a administração de Dilma como corrupta, que mantém uma política financeira baseada no consumismo, dando condição a camada social mais baixa a consumir cada vez mais e assim garantir que a elite financeira fature mais (inclusive os bancos).     

Era uma vez um rei muito vaidoso e que gostava de andar muito bem arranjado. Um dia, um alfaiate espertalhão deu-lhe o seguinte conselho:

- Majestade, é do meu conhecimento que apreciais andar sempre muito bem vestido, como ninguém; e bem o mereceis! Descobri um tecido muito belo e de tal qualidade que os tolos não são capazes de o ver. Com um manto assim Vossa Majestade poderá distinguir as pessoas inteligentes das pessoas tolas, parvas e estúpidas que não servirão para a vossa corte.
- Oh! Mas é uma descoberta espantosa! - respondeu o rei. - Traga-me já esse tecido e faça-me a roupa; quero ver as qualidades das pessoas que tenho ao meu serviço.
O alfaiate aldrabão tirou as medidas do rei e, daí a umas semanas, apresentou-se, dizendo:
- Aqui está o manto de Vossa Majestade.
O rei não via nada, mas como não queria passar por parvo, respondeu:
- Oh! Como é belo!
Então o alfaiate fez de conta que estava vestindo o manto no rei, com todos os gestos necessários e exclamações elogiosas:
- Vossa Majestade está tão elegante! Todos vos invejarão!
A notícia correu toda a cidade: o rei tinha um manto que só os inteligentes eram capazes de ver. Um dia, o rei decidiu sair para se mostrar ao povo, desfilando pela cidade, com sua comitiva real acompanhando. 
Toda a gente fingia admirar a vestimenta, porque ninguém queria passar por estúpido, até que, a certa altura, uma criança, em toda a sua inocência, gritou:
- Olha, olha! O rei está nu!
Ninguém conseguiu segurar o riso. Todos gargalharam e só então o rei compreendeu que fora enganado. Envergonhado e arrependido da sua vaidade, correu a esconder-se no palácio.

(Baseado no conto de Hans Christian Andersen)

FRIGORÍFICO – Presente de Grego para a cidade de Miguel Calmon e Jacobina

Foto - crédito Diário da Chapada

No último dia 28 de agosto de 2014, o governador Jaques Wagner, autoridades e cabos eleitorais inauguraram o primeiro frigorífico do Território do Pieomente da Diamantina, na cidade de Miguel Calmon – Bahia.

Segundo as reportagens de diversos blogs e jornais que cobriram o evento, citam que as instalações tem capacidade para abate de 300, outros citam 400 cabeças de bovinos e 200 cabeças de caprinos/ovinos dia.
Como estamos no semiárido e há alguns meses atrás as cidades de Piritiba, Mundo Novo e Miguel Calmon que são abastecidas pela barragem do França formada pelo rio Jacuipe (Bacia do Paraguaçu), que tem uma capacidade de 24.200.000 m3 de água e um espelho de água de 12 km, estava apenas com 7,5% de sua capacidade e as três cidades viviam no maior estres hídrico, porque a citada barragem não garante o consumo das cidades de Piritiba com 24.785 habitantes, Mundo Novo com 26.936 habitantes e Miguel Calmon com 27.627 habitantes.

O IBEAS – Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais indica que fator que mais contribui para geração de efluentes na indústria de carnes, estes contêm alguma quantidade de sangue, proteínas, gordura, sólidos do conteúdo intestinal dos animais ou fragmentos de tecidos, mesmo com o funcionamento satisfatório das caixas de retenção, 80 a 95% da água consumida é descarregada como efluente líquido. Devido à sua constituição, estes despejos são altamente putrescíveis, começando a decompor-se em poucas horas. O consumo de água varia muito de um matadouro e frigorífico para outro, estima-se que para o abate de Bovinos são gastos 900 litros na sala de matança, 1000 litros nas demais dependências (ducharia, triparia, miúdos, sanitários, etc.), 600 litros nos anexos externos (pátios, e currais, incluindo lavagem dos caminhões.) totalizando 2500 litros por cabeça.

Assim o frigorífico que foi inaugurado no dia 28 deve consumir 1 milhão e 50 mil litros de água por dia se operar com sua capacidade publicada pelos blogs e jornais da cidade e região, vejamos a conta:
Quantidade de carcaças
Litros de água por carcaça
Total de litros
300 bovinos
2.500
750.000
200 caprinos ou ovinos
1.500
300.000
Total geral

1.050.000

Nos estudos sobre consumo humano é tomado por base 100 litros de água dia por cada habitante, estimando que a nossa querida (dos outros) EMBASA perde mais de 30% da água captada e tratada em seus famosos vazamentos, entendemos que o frigorífico inaugurado consumirá mais ou menos a metade da água consumida por uma das cidades que são abastecidas pela Barragem do França.
Assim queria deixar a pergunta aos cabos eleitorais que subiram no palanque para inaugurar o frigorífico se a seca continuar a Barragem do França terá água para abastecer as três cidades e mais o Frigorífico que consome a metade do volume que uma destas cidades consome?

O consumido final baiano paga a EMBASA o valor de R$ 20,90 (vinte reais e noventa centavos) por 10 m3 de água mês, o frigorífico que vai consumir 31.500 m3 mês vai pagar R$ 65.835,00 (sessenta e cinco mil, oitocentos e trinta e cinco reais) de água no mês, ou o povo vai subsidiar a água para os empresários ganhar o dinheiro?

Lembre –se ainda que a qualquer hora o serviço de tratamento de água do frigorifico vai saturar ou romper e todo este esgoto vai passar pelo centro da cidade de Jacobina e cair na Barragem de Pedras Altas para a própria EMBASA vender a água para mais de 500 mil pessoas da região do Sisal, porque as águas de Pedras Altas, hoje contribui com 40% da água que saia da Barragem de São José e pelo salinamento de suas águas precisa da adição das águas da Barragem de São José.

“Os políticos encobrem os conflitos da água como se fossem religiosos e étnicos”. Entrevista com a ativista Vandana Shiva

Quinta, 14 de agosto de 2014


“Em abril de 2011 a ONU adotou uma resolução sobre a água como um direito humano. Mesmo com toda a ganância das multinacionais, a energia democrática dos movimentos sociais também está crescendo e desafiando a privatização da água”. É o que aborda Vandana Shiva, física e ativista defensora do meio ambiente e dos direitos das mulheres, nascida na Índia. O jornal britânico The Guardian a definiu como uma das cientistas de maior destaque e mais promissoras do mundo. Em seu livro “As guerras da água”, Shiva destaca que este recurso é um direito humano fundamental, o qual não pode ser tratado como uma mercadoria. No mundo, 768 milhões de pessoas não têm acesso à água potável.
A entrevista é de Gabriel Díaz, publicada por Diário.es, 07-08-2014. A tradução é do Cepat.
Fonte: http://goo.gl/3UcisX
Eis a entrevista.
Que importância a água tem para a vida humana, para as comunidas e a natureza? Que importância tem para você e para sua cultura?
A água é o próprio sangue da vida. Compõe 70% do planeta, 70% das plantas, 70% do nosso corpo é água. Sem água não há vida. A água circula através de todas as espécies e pelo ciclo hidrológico, que conecta a todos em uma comunidade. É a comunidade da água.
Eu nasci em Himalaya e cresci na região que é a fonte do Ganges. O movimento Chipko, ao qual me uni há uma década, é um movimento de mulheres para proteger o bosque e a água. Durante 10 anos estamos construindo movimentos para evitar a privatização das águas do Ganges. Nosso lema é “Nossa mãe Ganges não está à venda”. Detivemo-los.
Vários analistas internacionais assinalam que o século XXI será marcado pelas guerras da água.
As guerras pela água já estão acontecendo. Os recursos hídricos diminuem, a demanda por água aumenta. Os meios de comunicação e os políticos encobrem os conflitos da água e os apresentam como se fossem religiosos e étnicos. Isso facilita a divisão e as políticas de governo. Se os conflitos da água fossem tratados como conflitos pela água, as elites se veriam obrigadas a abordar a justiça da água, a democracia da água e a paz da água.
Em seu livro “As guerras da água”, você ressalta a importância de conseguir uma democracia real da água. Poderia explicar os princípios fundamentais desta ideia?
No núcleo da solução do mercado para a contaminação está a suposição de que a água existe em quantidade ilimitada. A ideia de que os mercados podem atenuar a contaminação facilitando um aumento da alocação não leva em conta que o desvio de água para uma área produz a escassez da mesma em outros lugares. Em contraste com as teorias das empresas que promovem uma solução de mercado para a contaminação, as organizações de base pedem soluções políticas e ecológicas.
As comunidades que lutam contra a contaminação industrial propuseram um projeto de lei sobre a Comunidade de Direitos Ambientais, que inclui os direitos para “limpar” a indústria, a segurança frente à exposição nociva, a prevenção, o conhecimento, a participação, a proteção e a observação; uma indenização e a limpeza. Todos estes direitos são elementos básicos em uma democracia da água, na qual se protege o direito à água potável para todos os cidadãos. Os mercados não podem garantir nenhum destes direitos.
O livro também insiste no negócio gigante que a venda de água engarrafada representa.
Uma mulher chamada Mylamma iniciou um movimento contra um gigante como a Coca-Cola, na região de Plachimada e , junto a ela, uma pequena aldeia de Keral conseguiu fechar a fábrica. A fábrica em Plachimada foi encomendada em março de 2000, para produzir 1.224.000 garrafas de produtos da Coca-Cola por dia e uma licença condicional para instalar uma bomba de água com motor. Contudo, a companhia começou a extrair ilegalmente milhões de litros de água limpa. Começaram a extrair 1,5 milhões de litros por dia. O nível da água começou a cair e a instalação indiscriminada de poços para aproveitar a água subterrânea teve graves consequências para os cultivos. Como resultado houve uma notificação contra a empresa e sua licença foi cancelada. Trataram de subornar o presidente do panchayat (o conselho comunitário), mas não tiveram êxito. Não apenas o roubo da água, mas também a contaminação do ambiente e as áreas próximas pelo derramamento de resíduos, que estava causando um grave perigo à saúde.
Como resultado destes despejos em poços, sempre de água potável, as instalações agrícolas secaram. O médico distrital informou que a água era imprópria para beber. As mulheres de Plachimada não iriam permitir esta hidro-pirataria e teve início um protesto nas portas da Coca-Cola e o lançamento de um ultimato aos mesmos. O litígio do interesse público foi apresentado por um dos panchayats contra a Coca-Cola no Tribunal Superior de Kerala, e o Tribunal também apoiou a população. Assim a juiza Balakrishan Nair ordenou que a Coca-Cola detesse a pirataria de água de Plachimada.
Você sita exemplos de como nos grandes projetos hidráulicos, as alterações do curso dos rios ou construção de barragens geralmente têm consequências irreversíveis para as comunidades.
Os projetos nos vales dos rios são geralmente considerados a solução para as necessidades da água para a agricultura, o controle das inundações e a atenuação da seca. Nas últimas três décadas, a Índia tem sido testemunha da construção de aproximadamente 1.554 represas. Entre 1951 e 1980, o governo gastou 1,5 bilhões de dólares em barragens de irrigação de grande ou médio prazo. Todavia, o retorno deste investimento tem sido muito menor que o previsto. Nas terras irrigadas, onde deveriam ter sido produzidas pelo menos cinco toneladas de grão por hectare, manteve-se o 1,27 tonelada por hectare.
As perdas anuais devido à inesperada baixa de disponibilidade de água, um assoreamento intenso, redução da capacidade de armazenamento e alagamentos, totalizam agora 89 milhões dólares. A construção de represas em dois dos rios mais sagrados da Índia, o Ganges e o Narmada, gerou um veemente protesto das mulheres, dos agricultores e das comunidades cujas vidas, e modos de subsistência, foram interrompidos, além de terem seus lugares sagrados ameaçados. As pessoas de Narmada Valley não somente resistem ao deslocamento causado pelas represas de Sardar Sarovar e Narmada, mas também estão travando uma guerra contra a destruição de civilizações inteiras.
Quais são as chaves para o desenvolvimento de projetos que combinem os avanços tecnológicos e o cuidado responsável do meio ambiente?
Para garantir a sustentabilidade e a equidade na gestão da água e o uso da água, dois indicadores são de vital importância: como afeta o ciclo hidrológico, e de que maneira impacta na água das pessoas. Se estes critérios são levados em conta podemos garantir a sustentabilidade no uso da água e a equidade e a democracia na gestão da água. Durante as duas últimas décadas, os movimentos pela democracia da água aumentaram e têm desafiado a ideia de que a água é uma mercadoria, assim como as políticas de privatização da água.
Em Nova Deli deteve-se a privatização do abastecimento da água da cidade mediante a Aliança Cidadã para a Democracia da Água. Na Itália, em um referendo, os cidadãos votaram para a democracia da água em junho de 2011. Em abril de 2011 a ONU adotou uma resolução sobre a água como um direito humano. Mesmo com toda a ganância das multinacionais, a energia democrática dos movimentos sociais também está crescendo e desafiando a privatização da água.
Então muita gente está reagindo frente às políticas que degradam a natureza e a forma de vida de muitas comunidades.
Desde o movimento 15M para ocupar Wall Street, a Primavera Árabe ao inverno russo, pessoas de todo o mundo estão se levantando contra a corrupção, a desonestidade e a falta de uma real democracia na classe política que, por sua vez, esta presa em uma camisa de força devido às políticas de privatização impostas pelas instituições financeiras. Nossas democracias passaram de ser do povo, para o povo e pelo povo, para ser das corporações, pelas corporações e elas corporações.
Princípios da “democracia da água”
1. Nós recebemos água livremente da natureza.
2. Todas as espécies e os ecossistemas têm direito a uma parte da água no planeta.
3. A vida está interligada através da água. Todos nós temos o dever de assegurar que as nossas ações não causem danos a outras espécies e outras pessoas.
4. A água deve ser acessível às necessidades de subsistência. A compra e venda com objetivo de lucro viola o nosso direito inerente.
5. A água é limitada e pode acabar se não for usada de forma sustentável.
6. Todo homem tem o dever de conservar a água e a sustentabilidade do uso da água, dentro dos limites ecológicos e justos.
7. A água não é uma invenção humana e não tem fronteiras. Ela é por natureza um bem comum. Ela não pode ser uma posse como propriedade privada e vendida como uma mercadoria.
8. Ninguém tem o direito de abusar, desperdiçar, jogar lixo ou poluir os sistemas de água.
9. A água é intrinsecamente diferente de outros recursos e seus produtores. Ela não pode ser tratada como uma mercadoria.

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