HOJE 21/07/2015 FICO SEXY, SEXAGENÁRIO!

Almacks Jr., Catiuscia, Almacks e Maria Aparecida


Em julho do ano passado (2014), uma grande fração dos 200 milhões de brasileiros passou a conhecer melhor os alemães, pois 7 X 1 não dá para esquecer tão facilmente, principalmente para os jovens. Mas, enquanto os jovens conheciam melhor os alemães na Copa de 2014, nós, sexagenários, lutamos contra os alemães há algum tempo. Desta data em diante começa a preocupação com os alemães Alzheimer e Parkinson. Isso acontece porque estas são doenças responsáveis pela falta de memória nos idosos. Além destas, há também a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), Encefalopatia Espongiforme Transmissível, que acomete normalmente pessoas com idade entre 60 e 80 anos, com uma idade média de morte de 67 anos.

Chego aos 60 anos bem mais amparado do que os meus avôs Francisco e Cipriano, e até mesmo que meu pai Nicanor Carneiro. Aposentado há 5 anos por tempo de serviço (35 anos e 6 meses de contribuição paga ao INSS), atualmente busco o instrumento jurídico da desaposentação  (direito a uma revisão no valor do benefício, reconhecido através do Recurso Especial nº 1.334.488/SC), por enquadrar-me na nova Lei, 95/90 (60 anos de idade e 35 de serviço). E ainda tem um medi-cú que me chama de “vagabundo”, o que me leva a deduzir que deve ser ainda pela ascendência que o FHC exerce sobre a vida do dito cujo.

Aos 60 anos faço o que quero, com quem quero e aonde quero. Ah se na minha mocidade pudesse ter exercido essas prerrogativas. E por falar em prerrogativas, posso também relembrar que apesar de estar completando 60 anos hoje, já passei por situações difíceis junto com meus familiares.

Comecei a trabalhar com 6 anos de idade fazendo e vendendo Moreninha aos que não podia tomar um guaraná Fratellevita ou um guaraná Caçula. Em 1964, com apenas 9 anos de idade, fui processado a primeira vez pela 6ª Região Militar (golpe militar de 1964, documentos recuperado pelo Grupo de Estudos da UNEB, do Campus Jacobina, com a coordenação do prof. Fábio). É importante deixar claro que o que alguns insistem em chamar de revolução tratou-se de um golpe, porque revolução é a que muda o modo de viver de uma sociedade e não tivemos a verdadeira revolução, os militares não revolucionaram a educação, a saúde e as condições de vida de nosso povo.

Neste período citado eu tinha um primo que pertencia a um dos “Grupos dos 11, ou GR11”, células que se estabeleciam em determinados setores para discutir socialismo e ouvir a PRA-9, Rádio Mayrink Veiga, que tinha como carro chefe e líder de audiência o programa de Leonel Brizola, líder das esquerdas unificadas na Frente de Mobilização Popular. Fui processado porque o meu primo usava o meu nome para se corresponder com militantes da URSS e com o pessoal do Brizola, além de pedir para que fôssemos comprar em Nelson Dourado e em Benedito Gomes (os contemporâneos lembram-se de quais casas comerciais me refiro) “roxo-terra”, produto que pisávamos com uma pedra e diluíamos em água para a turma de maior idade pichar as esquinas da cidade com os temas e frases coordenadas pelo líder local, Dr. Ivanilton Costa. Na época, o Dr. Ivanilton Costa já questionava o funcionamento da mineração de ouro em Jacobina, os direitos trabalhistas e o monopólio da política da cidade. Ele se lançou candidato a prefeito e foi derrotado na “apuração dos votos”, daí veio o ditado tão popular para os que têm 60 anos: a “Prata é falsa”. Nesta época eu era um adolescente e nós não tínhamos nenhuma proteção, não tínhamos o Estatuto da Criança e Adolescente – ECA, ou seja, não tínhamos prerrogativas nenhumas.

Chego hoje aos 60 anos cheio de prerrogativas, amparado por várias Leis: 10.448/2000, 10.741/2013 e recentemente pela 13.146/2015. Será que os meus amigos que não conseguiram entender porque troquei o “ter pelo ser”, mesmo tendo um medi-cú que não entende isso e me trata de vagabundo e até ameaça de morte por ter optado por defender os interesses difusos e coletivos, têm conhecimento do que estas leis podem fazer por nós idosos, nos dando alguns direitos, muito mais do que prioridade nas filas deste país?

Celebrar 30, 40, 50 e 60 anos acontece uma vez, os anos passam e são sempre motivos para celebrar a vida, noite de gala, uma comemoração mais clássica, boa gastronomia, boa música, a ocasião merece porque ao completar 60 anos a vida continua. Continuam os sonhos, antes filhos, agora netos, viagens, e quem sabe, depois de ter conquistado uma graduação aos 50, eu possa pensar no mestrado aos 60 e doutorado aos 65 não é o melhor remédio para combater os alemães?

A História do CFEM em Jacobina - Reflexão para a Semana do Meio Ambiente


Mineração a céu aberto - João Belo
Foto de Amilton Mendes

A Compensação Financeira pela Exploração Mineral – CFEM foi criada pelo Departamento Nacional de Pesquisa Mineral – DNPM através da Lei 7.990/89. A partir do ano de 2004, o DNPM transferiu para o município quase 20 milhões de reais até 31 de dezembro de 2014.
Pela foto exposta, deduz-se que jamais a Compensação Financeira seria capaz de recuperar a Serra do João Belo ou outra área impactada pela atividade minerária.
ANO
REPASSE
2004
R$ 40.605,20
2005
R$ 316.233,22
2006
R$ 1.042.677,21
2007
R$ 787.680,89
2008
R$ 1.059.302,69
2009
R$ 2.153.942,82
2010
R$ 2.451.523,34
2011
R$ 2.868.205,25
2012
R$ 4.457.796,68
2013
R$ 2.504.864,72
2014
R$ 2.215.630,28
TOTAL
R$ 19.899,462,30
Fonte: www.dnpm.gov.br
A Lei ambiental vigente no município é a Lei nº 1.116, de 20 de dezembro de 2012, aprovada às pressas, para satisfazer o Poder Executivo da época.
Para aprovar esta Lei, participamos de duas discussões e chamávamos atenção para o CAPÍTULO XII – Do Fundo Municipal de Conservação Ambiental – FMCA.
O Executivo da época tinha mandado o projeto da Lei para o Legislativo, achando que ganhava as eleições municipais e agiu de má fé neste Capítulo, especialmente na redação do Art. 123Constituem receitas do Fundo Municipal de Conservação Ambiental – FMCA” ...: Não citou a CFEM, bem como as receitas de possíveis Royalties e Compensações das energias renováveis (eólica).
Neste período de discussão as entidades ambientalistas me procuraram e juntos fizemos a crítica, porém as mesmas entidades ocuparam vaga no CONSELHO DE MEIO AMBIENTE e 2 (dois) anos depois nunca foram capazes de propor uma DELIBERAÇÃO pedindo a vinculação da CFEM e os Royalties e Compensações das energias renováveis ao Art. 123 da Lei 1.116/2012.
A nossa Câmara Municipal de Vereadores deve estar composta por vereadores de quase todos os “P” das siglas partidárias deste país. Por que nenhum vereador apresentou Projeto de Emenda da referida lei ambiental de Jacobina até hoje? Qual a conveniência em deixar esta Compensação sem ser anexada ao FMCA?
Só para clarear a mente dos Conselheiros de Meio Ambiente e aos vereadores de Jacobina, o Comitê da Bacia do São Francisco – CBHSF, através de Edital de Licitação Nacional, lançou um Projeto Hidroambiental para recuperação das nascentes do rio Salitre no município de Morro do Chapéu e Várzea Nova através do ATO CONVOCATÓRIO -13/2012, no valor de R$ 838.389,05 e conseguiu realizar:
Discriminação
Quantidade
Definição
Cercamento de nascentes
1.881 metros de cercas em arame farpado e estacas de eucalipto tratado

Barraginhas
930
Bacia de Contenção
Lombadas
930
Adequação de estradas vicinais
Terraceamento
190 ha
Área de intervenção

Assim, com R$ 19.899.462,30 arrecado em 11 anos, se estivesse sendo aplicado no meio ambiente, daria para ter recuperado praticamente todas as nascentes dos rios do Ouro e Itapicuru no município, implantado de fato e de direito o Parque Municipal Nilson Valois (Macaqueira), revitalizada a Lagoa de Antônio Teixeira Sobrinho e recuperada as Áreas de Preservação Permanente – APPs.
Almacks Luiz Silva
Gestor Ambiental
CRA-BA N° 2-00819
Extensão em Gestão Participativa de Bacias Hidrográficas - UFS/UFAL
Extensão em Ações de Gestão para Controle da Poluição em Bacias Hidrográficas - UFBA
Residência Agrária em Processos Históricos e Inovações Tecnológicas no Semiárido - PRONERA/INSA/UFPB/VIA CAMPESINA.

A seca épica da Califórnia: só resta um ano de água



As guerras pela água limitada que há na Califórnia já duram, no mínimo, um século. Guerras da água já foram temas de filmes de sucesso, dentre os quais “Da Terra Nascem os Homens” (The Big Country)com Gregory Peck, de 1958; “O Cavaleiro Solitário” (Pale Rider), de Clint Eastwood, em 1985; Waterworld, de Kevin Costner, 1995; e, de 2005, Batman Begins. O mais aclamado foi o vencedor do Oscar de 1975, Chinatown com Jack Nicholson e Faye Dunaway, uma trama entre um político corrupto de Los Angeles e especuladores de terra, para fabricar a seca de 1937 e forçar os fazendeiros a venderem suas terras a preços baixos. A trama baseou-se num fato histórico, mostrando as batalhas entre os fazendeiros de Owens Valley e as construtoras que erguiam Los Angeles, pelos direitos da água.

Hoje, a guerra da água prossegue, em escala ainda maior, com novos atores. Já não se trata só de fazendeiros contra os rancheiros ou os urbanites. Agora, é o povo contra os 
novos “barões da água”– Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Monsanto, a família Bush & sua gangue – que estão comprando água em todo o planeta num ritmo sem precedentes.

Uma seca de proporções épicas
Numa conferência de imprensa dia 19/3/2015, o presidente interino da assembleia estadual da Califórnia, Kevin de Leon, 
alertou que “Nenhuma crise é hoje mais grave, para nosso estado, que a falta de água.”

Jay Famiglietti, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em La Cañada Flintridge, Califórnia, escreveu, no 
Los Angeles Times, dia 12 de março:

“Nesse momento, o estado da Califórnia tem água para mais um ano em seus reservatórios, nossa reserva estratégica está sendo rapidamente consumida. A Califórnia não tem plano de contingência para uma seca prolongada como essa (muito menos para uma mega-seca de 20 anos ou mais), exceto, ao que parece, declarar estado de emergência e rezar pedindo chuva.”

Mapas indicam que as áreas da Califórnia 
mais duramente atingidas pela mega-seca são as áreas nas quais é cultivada uma grande porcentagem do que os norte-americanos comem. A Califórnia fornece 50% da comida do país, e mais alimentos orgânicos que qualquer outro estado. Western Growers estima que, no ano passado, 500 mil acres de terra agricultável foi deixada sem semear, área que pode aumentar em cerca de 40% esse ano. E na agricultura desapareceram 17 mil empregos, no ano passado; e mais, em 2015.

Fazendeiros com contratos com o Central Valley Project, um vasto sistema federal de irrigação, não receberão água pelo segundo ano consecutivo, 
segundo as previsões preliminares. Cidades e indústrias receberão 25% dos totais contratados, para garantir abastecimento suficiente para segurança e garantia da saúde pública. Além do racionamento, há o problema dos resíduos tóxicos lançados nas bacias de água, por empresas de petróleo que extraem pelo sistema de fracking. Economistas estimam o custo da seca, em 2014, em $2,2 bilhões.

Não há plano de contingência
O projeto Delta, de um túnel gigante de água, concebido para pôr fim aos problemas de fornecimento de água do sul da Califórnia, aspirando água do norte, foi adiado em agosto passado, em função de reclamações de residentes em Delta e de proprietários de terras. O projeto continua parado, enquanto o Departamento de Recursos Hídricos da Califórnia revisa cerca de 30 mil petições/manifestações. Quando ou se o projeto chegar a ser afinal implementado, demorará anos para concluir a construção, a um custo estimado de $60 bilhões, incluídos os custos de financiamento (mais altos que o da construção).
Enquanto isso, não se vê qualquer busca por alternativas que aumentem a oferta de água, além dos limitados recursos de água subterrânea. Por que não? Observadores céticos observam que a água já é chamada de “próxima boom-commodity”. Para Christina Sarich, escrevendo emNationOfChange.org,

“Numerosas empresas já se posicionaram para lucrar com a crise de falta d’água. Em vez de proteger as reservas existentes, implementar regulações estritas e trabalhar para inventar novos meios para captar água de chuva ou dessalinizar água do mar, a agenda empresarial corporativa está pronta, como cascavel enrolada, para ganhar trilhões com a nossa sede.

Essas cascavéis enroladas incluem Monsanto e outras empresas de biotecnologia, que estão desenvolvendo 
sementes resistentes a seca e resistentes ao alumínio, à espera para dar o bote quando os plantadores de produtos orgânicos jogarem a toalha. Pequenos e grandes produtores e de leite e derivados orgânicos foram os mais duramente atingidos pela seca, porque as pastagens certificadas onde as vacas têm de ser alimentadas estão desaparecendo.

Alguns críticos sugerem que, como em in Chinatown, a seca é obra humana, disparada não só pela quantidade jamais vista de emissões de carbono, mas também por “geoengenharia” – disparar alumínio e outros particulados nas nuvens, para, à primeira vista, bloquear a terra contra o aquecimento global (embora possa haver outros motivos). Dia 15/2/2015, Ken Caldeira, do Carnegie Institute for Science em Stanford observou que a geoengenharia é o único modo conhecido para resfriar rapidamente a Terra. Para ele, “uma pequena frota de aviões consegue fazer o que fazem os vulcões – criar uma camada de micropartículas na atmosfera, que reflete a luz do sol de volta ao espaço. Resfriar a terra por esse método pode ser rápido, barato e fácil.”

Mas a mesma técnica também impede a formação de chuvas. Segundo a patente EUA #6315213, registrada pelo exército dos EUA dia 13/11/2002, “O polímero é disperso dentro da nuvem e o vento da tempestade agita a mistura, o que leva o polímero a absorver a chuva. Essa reação forma uma substância gelatinosa que se precipita. O processo diminui a capacidade de a nuvem produzir chuva.”

Observadores mais desconfiados perguntam-se se tudo isso não seria parte de um plano maior. Christina Sarich observa que, enquanto o estado passa sede, alternativas para aumentar o suprimento de água permanecem na gaveta:

Engenheiros químicos no MIT já mostraram como é possível dessalinizar água do mar – eletrodiálise, com potencial para tornar potável a água do mar, 
mais depressa e a menor preço, sem remover contaminantes como sujeiras e bactérias; e há nanofiltros baratos que podem filtrar micróbios e produtos químicos da água para consumo humano. Para odesigner Arturo Vittori, a solução para a catástrofe da água não está em altas tecnologias, mas numa cesta gigante que coleta água potável do ar, por condensação.

Mobilizando águas subterrâneas

Outro recurso que permanece sem ser mobilizado é a própria água “primária” da Califórnia – água recentemente produzida por processos químicos no interior da Terra que jamais foram parte do ciclo hidrológico de superfície. Essa água é criada quando há condições adequadas para que o oxigênio possa combinar-se ao hidrogênio e é continuadamente empurrada para cima, sob grandes pressões do interior da Terra, e chega à superfície onde encontra fissuras ou falhas. Essa água pode aparecer em qualquer ponto do planeta. É a água que flui nos poços em oásis no deserto, onde não há nem chuvas nem nascentes de montanhas que os alimentem.
Estudo comentado na revista Scientific American de março de 2014 fala da presença documentada de vastas quantidades de água acumulada nas profundidades do planeta, gerada, não por chuva de superfície, mas por pressões ativas naquelas profundidades. O estudo confirmou que “há muito, muito grande quantidade de água retida numa camada realmente distinta, na Terra profunda (...), ali acumulada em quantidade que se aproxima da que há atualmente nos oceanos do mundo.”

Em dezembro de 2014, 
BBC News noticiou os resultados de um estudo apresentado na reunião de outono da American Geophysical Union, no qual pesquisadores estimam que há mais água retida na crosta profunda da Terra, que em todos os seus rios, pântanos e lagos somados. Pesquisadores japoneses já haviam  divulgado resultados de pesquisas, na Science de março de 2002,  segundo os quais o manto mais profundo pode conter cinco vezes mais água que os oceanos da superfície do planeta.

Provas dramáticas de que terremotos podem liberar água das profundezas da Terra apareceram em agosto passado, quando o vale Napa sofreu terremoto de magnitude 6.0. Solano County recebeu, repentinamente, 
um novo fluxo massivo de água em ravinas locais, inclusive um fluxo noticiado de 200 mil galões/dia, só de Wild Horse Creek. Esses fluxos aumentados permanecem ativos, intrigando pesquisadores que visitaram a área.

De onde estaria vindo aquela enorme quantidade de água? Se estava sendo liberada de algum aquífero raso, algo teria de preencher o volume da água que saía, à razão de mil galões/minuto – mais de dez vezes acima do fluxo de antes do terremoto. Seriam de esperar desabamentos massivos, mas não houve relato de qualquer desabamento. Evidentemente aquelas águas novas estavam subindo de fontes muito mais profundas, libertadas por fendas criadas pelo terremoto.

É o que diz Pal Pauer do Instituto de Águas Primárias, e dos maiores especialistas mundiais em mobilização de águas primárias. Depois de décadas de estudos de águas primárias, e 
projetos bem-sucedidos de perfuração, Pauer demonstrou que essa abundante fonte de água pode ser acessada, para suplementar nossa atual oferta de água. A água primária pode ser diretamente mobilizada, ou pode ser encontrada misturada a água secundária (e.g. aquíferos) alimentada por fontes atmosféricas. Técnicas novas e sofisticadas, que usam dados de satélites e aeronaves de pesquisa geofísica permitem localizar água subterrânea a água primária em rochas, por um processo chamado “fracture trace mapping,” pelo qual se identificam grandes fraturas mediante análise de dados recolhidos das aeronaves e satélites para perfuração exploratória.

Pauer insiste que é possível perfurar um poço suficiente para atender uma comunidade inteira, gerando grandes volumes de água, em apenas dois ou três dias, ao custo de cerca de $100 mil. Todo o estado da Califórnia poderia ser suprido por cerca de $800 milhões – menos de 2% do que custa o muito controverso projeto Delta de túneis de água – e esse resultado poderia ser alcançado sem roubar do norte, para dar de beber ao sul.

As Guerras da Água Continuam
Sucessivos governos da Califórnia têm-se mantido indiferentes a essas propostas. Em vez de qualquer pesquisa ou discussão complementar, o estado decidiu regular a água subterrânea. Em setembro, foram aprovadas três leis que estabelecem o quadro geral da regulação das fontes subterrâneas de água da Califórnia, evento que marcou a primeira vez na história do estado em que se faz algum manuseio em grande escala da água subterrânea. Até agora, a nova lei está considerando essa água como um bem protegido por direitos de propriedade. 
The Los Angeles Times noticiou:

Muitos interesses da agricultura continuam a fazer ferrenha oposição à nova lei. Paul Wenger, presidente da California Farm Bureau Federation, disse que as leis “podem vir a ser vistas como ‘históricas’ pelas razões erradas”, dado que agridem drasticamente a produção de alimentos. (...)

“Vai realmente começar uma luta de vale-tudo na disputa pela propriedade da água,” disse Patterson [deputado representante de Fresno na Assembleia], que previu que os planos da regulação vão disparar uma enxurrada de ações judiciais.

E assim prosseguem as guerras da água. O 
Banco Mundial adotou recentemente uma política de privatização da água, com fixação de preços para o comércio do recurso. Para Ismail Serageldin, um dos ex-diretores da instituição, “as guerras do século 21 serão guerras pela água.”

No filme Chinatown, os oligarcas corruptos levam a melhor. A mensagem parece ser que o direito nada pode contra a violência mais brutal. Mas, armados agora com essa poderosa ferramenta do século 21, a Internet, que pode gerar consciência nas grandes massas, e também pode produzir ação coordenada, talvez agora, afinal, o direito vença. *****

Tradução Vila Vudu

Comissões acompanharão alerta da Abrasco sobre mosquitos transgênicos nas cidades de Jacobina e Juazeiro


Comissões acompanharão alerta da Abrasco sobre mosquitos transgênicos

Fonte: redação da Tribuna do Advogado
As comissões de Direito Ambiental (CDA) e de Bioética e Biodireito (CBB) da OAB/RJ receberam, na última semana, membros da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que recentemente se manifestaram criticamente à forma como a Coordenação-Geral da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a produção de mosquitos geneticamente modificados para o combate ao Aedes Aegypti , inseto transmissor do vírus da dengue.
Na reunião, os pesquisadores Hermano Castro, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz; Lia Giraldo da Silva Augusto, professora na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e Carlos dos Santos Silva, que é secretário executivo da Abrasco, relataram estar sofrendo pressão da empresa Oxitec, que produz os mosquitos, em razão de uma nota técnica que a associação teria soltado sobre a questão.
De acordo com o texto, que reflete a posição dos cientistas que integraram o grupo de trabalhopara estudo do tema na Abrasco, não foram realizados os estudos dos impactos ambientais da inserção de tal espécime no ambiente, causando surpresa não só a falta de estudos como a rapidez na aprovação.
Representando a OAB/RJ, o presidente da CDA, Flávio Ahmed; a vice-presidente e o membro da CBB, Fernanda Bianco e Gabriel Bianconi Fernandes, respectivamente, manifestaram repúdio a qualquer tentativa de inibir posicionamentos científicos em relação a meio ambiente e saúde pública.
"O direito à informação e a participação são fundamentais quanto tratamos do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem constitucionalmente protegido e de titularidade difusa, exigindo as discussões que envolvem seu uso ampla reverberação. Daí porque a censura à discussão envolve também a violação ao livre acesso à informação e ao próprio direito ambiental como direito humano fundamental", afirmou Ahmed. Segundo ele, as comissões pretendem realizar uma série de discussões sobre o tema.
Após o encontro, a Abrasco decidiu publicar uma segunda nota, em que ratifica alguns pontos da original e retifica outros: "Há questões que realmente não precisamos discutir, mas outras reforçamos, porque entendemos que é dever da Abrasco mostrar o posicionamento de seus cientistas", explicou Lia.
Segundo os pesquisadores da entidade, os dados colhidos nos testes realizados nas cidades de Jacobina e Juazeiro, do estado da Bahia, seriam "insuficientes para um posicionamento consistente e qualquer órgão de pesquisa, muito mais, para a CTNBio". Eles também alertam para o fato de não existem ainda normas adequadas de liberação planejada para avaliação de insetos e que a alteração na reprodução dos Aedes Aegypti pode atrair outros insetos, como o A. albopictus, espécie selvagem existente no Brasil e com capacidade vetorial para o vírus da dengue.

Veja a primeira matéria gravada em Jacobina e a segunda gravada por um TV Francesa vai ser liberada em abril:

Falham primeiros testes da Transposição

PUBLICADO EM 14/10/2014 ÀS 22:52 POR  EM NOTÍCIAS
Obras da transposição em Floresta. Foto: Marcela
            Balbino/BlogImagem
Obras da transposição em Floresta. Foto: Marcela Balbino/BlogImagem
Por Amanda Miranda, especial para o Blog de Jamildo
As já atrasadas e polêmicas obras de Transposição do Rio São Francisco tiveram mais uma falha nesta terça-feira (14). Desta vez, segundo fontes, o problema foi nos primeiros testes para o bombeamento de água do lago de Itaparica, às margens da cidade de Petrolândia, no Sertão pernambucano, objeto de mais discussão nesse fim de semana devido à situação na barragem, que está com 17% da capacidade total.
O Ministério da Integração Nacional deve se posicionar nesta quarta (15) sobre o assunto.
De Itaparica, a água deverá ser bombeada por mais de 60 metros de altura até um aqueduto que a levará por gravidade até Areias, outra das barragens no caminho das águas. Os primeiros seis quilômetros estão preenchidos com água no canal de aproximação, que vai da Barragem de Itaparica até a estação de bombeamento EBV1.
“Nenhum teste deu certo desde ontem, às 14h. O pior é que não sabem exatamente qual é o problema”, contam fontes, em reserva. De acordo com essas informações extraoficiais, pode ter havido falhas técnicas e elétricas, como o travamento e o retorno da água, por exemplo. Duas das quatro bombas foram testadas desde essa segunda-feira, já que as outras ainda não foram instaladas.
Segundo o diretor de operação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Mozart Arnaud, a subestação responsável pela energia que abastece as bombas, em Floresta, na mesma região, está em funcionamento.
Para lideranças políticas na região, em função do segundo turno das eleições, houve pressa para adiantar os testes por questões eleitoreiras: uma suposta visita da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, à obra, para gravações do guia eleitoral, chegou a ser especulada.
“Se essas pessoas trabalhassem no Luz para Todos, o Brasil inteiro já estaria energizado”, afirmou um interlocutor do Governo Federal na região.
Foto: reprodução do blog de Josélia Maria
Foto: reprodução do blog de Josélia Maria
Uma mobilização da população rural de Petrolândia, às margens da barragem onde a água é retirada, tentou impedir o acesso às obras, alegando que a retirada da água do lago para os testes iria prejudicar o abastecimento no município, foi contida pela Força Nacional de Segurança nessa segunda.
Também fez parte do protesto a reclamação de que a água ficará parada na barragem de Areias. Dessa forma, como afirmou o ministério em nota, o cronograma continuou com o fim do protesto. Segundo o órgão, até o final deste ano, a primeira etapa estará em pré-operação.
De acordo com Mozart Arnaud, ao contrário do que os manifestantes diziam, o que será retirado do reservatório é “desprezível”.
“Não existe colapso de abastecimento, o que existe é uma dificuldade”, afirma.
A vazão atual do Rio São Francisco é de 1,1 mil metros cúbicos por segundo e as bombas vão puxar 7 metros cúbicos por segundo. Normalmente, a vazão é de 2 mil metros cúbicos por segundo, mas a diminuição é atribuída à seca.
O objetivo da Transposição é levar água para mais de 12 milhões de moradores de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O relatório de execução física de julho mostrava que o empreendimento está 62,4% concluído. As obras seguiam então com 11.400 trabalhadores e mais de 3.900 máquinas em ação.
Enchimento do Canal da Transposição. Época da viagem de
            Dilma Rousseff. Foto: Marcela Balbino/ BlogImagem
Enchimento do Canal da Transposição. Época da viagem de Dilma Rousseff. Foto: Marcela Balbino/ BlogImagem
A obra, orçada em R$ 8,2 bilhões, tem dois longos canais. O Eixo Leste beneficiará Pernambuco e Paraíba e o Norte levará água para esses Estados, o Ceará e Rio Grande do Norte.  A obra começou em 2007, na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, orçada em R$ 4,5 bilhões. O Eixo Leste deveria sair em 2010 e o Norte, em 2012. O funcionamento da primeira etapa da obra foi adiado em dois anos, para até setembro de 2016.
Com a palavra, o Ministério da Integração Nacional.

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Cristiane Passos 
Assessoria de Comunicação
Comissão Pastoral da Terra
Secretaria Nacional - Goiânia, Goiás.
Fone: 62 4008-6406/6412/6400
www.cptnacional.org.br

Primeiro teste da transposição do São Francisco acirra conflito por uso múltiplo da água


PUBLICADO EM 10/10/2014 ÀS 0:34 POR JAMILDO EM NOTÍCIAS
Por Jamildo Melo, editor do Blog

No exato momento em que Dilma faz um périplo pelo Nordeste, para agradecer os votos que recebeu na região, e Aécio Neves marca visita a Pernambuco, para tomar um banho de povo com os socialistas, o mundo real manda lembranças.
Neste sábado, depois de a Chesf ter ligado as primeiras subestações de suporte ao projeto da Transposição do São Francisco, em Floresta, ocorrerá o primeiro teste dos canais, com a água captada do lago de Itaparica, às margens da cidade de Petrolândia.
O problema é que o lago, reservatório da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, construída em Petrolândia, está em situação crítica, com apenas com 17,23% da sua capacidade total, de acordo com relatórios oficiais.
Neste final de semana, devem ser ligadas duas das quatro bombas no Canal da Transposição do Eixo Leste (Floresta), para testes, acirrando a disputa pelo uso da água entre abastecimento humano e produção versus a produção de energia.
“Todas as tentativas de diálogos com Chesf, ONS e ANA a resposta tem sido a mesma. Eles nos dizem que temos de garantir a produção elétrica porque a crise energética, somada a seca, levou o sistema a beira de um colapso. Não consigo entender como é mais importante produzir energia em detrimento de manter água para a vida das pessoas”, diz o prefeito de Itaparica, Lourivaldo Simões, do PR.
Em um documento interno, a Chesf informa as cotas dos Lagos de Sobradinho, Itaparica, Apolônio Sales e Xingó, no período de 03 a 10 de outubro. No boletim, o volume informado é 17%. Essa é a previsão sem a ligação dos dois conjuntos de motor bombas do teste da transposição, que subtrairia 1% do lago.
Imagem para o programa eleitoral
“Não sei se de repente vamos assistir nos guias eleitorais que o Canal da Transposição está funcionando para enrolar os sulistas. Sei que essa ligação consumirá 1% do Lago. A Chesf já nos informou que, sem ele funcionar, já iremos ter apenas 16,5% na próxima segunda feira. Me pergunto para que ligar se não há destino para essa água e nós estamos em beira ao colapso. É no mínimo estranho tirar algo de onde se esta precisando e levando para onde não se tem o que abastecer. Que se pese o interesse em se levar água aos irmãos do sertão brasileiro, porém o momento não é adequado porque nós não temos nem para nós mesmos”, reclama o prefeito Lourival Simões.
No final de agosto, a candidata à reeleição pelo PT e o ex-presidente Lula percorreram o Sertão de Pernambuco para vistoriar as obras da Transposição do Rio São Francisco. Depois de passar por Cabrobó, a dupla seguiu para Floresta com o objetivo de gravar imagens para a propaganda eleitoral nas cidades cortadas pela obra. Quanto aos atrasos na entrega do projeto, previsto inicialmente para ser finalizado em 2010, Dilma foi categórica. “Só não atrasa obra quem não faz. Aqueles que nunca fizeram obra no Brasil, que nunca deixaram obras atrasadas, são aqueles que nunca planejaram”, afirmou a candidata.
De acordo com os levantamentos da municipalidade, os volumes da operação da ONS para esvaziar o Lago de Itaparica somente foi visto na Seca de 2001. “Esse esvaziamento do Lago de Itaparica é duvidoso do ponto de vista de otimização energética, dada a situação atual de nível de água dos reservatórios do Brasil, grau de geração eólica e térmica na região nordeste”.

Produção econômica em crise
“Hoje em Petrolândia os quase 5.000 hectares de área irrigadas estão sendo obrigados a funcionar no rodízio de bombeamento. Há comunidades já prejudicadas, como o Brejinho de Fora, sem que se consiga bombear água para consumo humano”.
“O perímetro irrigado as fruteiras já estão abortando seus frutos. Teremos uma queda muito grande na produção e aqui não se trata de grandes empresários. São pequenos agricultores como tantos e tantos outros espalhados por esse Brasil afora. Que se mude a estratégia de esvaziamento do Lago de Itaparica para produção de energia”, afirma o prefeito.
Na noite da última quarta-feira (7), o prefeito visitou a sede da Chesf em Recife para tratar da situação crítica da represa, mas saiu decepcionado.
“A Chesf sabe o que tem de fazer porém ela esta de pés e mãos atadas pela ONS e por conseguinte pela ANA.  Já fizemos comunicados, trocamos e-mail, reuniões porém a resposta seca esta na ponta daqueles que estão distantes de nós e que olham simplesmente números. Nossa preocupação maior é a geração de energia. Chega! Gente é mais importante”, diz.




dimas


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