Viagem às terras Payayá



Fotos do arquivo pessoal de Juvenal Payayá


A muito que se fazia necessário uma confirmação do resquício da cultura dos povos Payayá nas regiões historicamente reconhecidas. Os Payayá são povos Indígenas dados como desaparecidos, exterminados. Entre os séculos XVI e XIX dominavam o território vale do Rio Paraguaçu, bem como o território que compreende hoje a região onde estão os municípios de Morro do Chapéu, Jacobina, Saúde, Utinga  e Tapiramutá. Também se encontra a presença inconteste deste povo na região de Alagoinhas, onde existe o povoado de nome São José dos Payayá. Em Serra Preta, região de Feira de Santana, há um monte chamado Payayá. No município de Saúde há uma fazenda com esta denominação, em Jacobina existia um cinema, segundo seus construtores, em homenagem aos primitivos habitantes.


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Na verdade, os povos Payayá não desapareceram, misturaram-se. Devido sua enorme resistência ao colonialismo, os Payayá foram perseguidos por fazendeiros, mineradores, bandeirantes e autoridades em geral. Suas mulheres foram tomadas, estupradas, os homens foram dizimados. Sabe-se que as famílias Gonzaga, Góis e Martins de Cabeceira do Rio são frutos da união deste povo. A família que não trocava de nome sofria as sanções da polícia da época.

A luta para que os remanescentes Payayá sejam reconhecidos ressurgiu a partir da década de 90 com Juvenal Teodoro, da família Gonzaga da Cabeceira do Rio. Mesmo diante de incompreensões, naturais desconfianças por parte das organizações indígenas, desencontros com os intelectuais e historiadores, esta luta não teve trégua, nunca houve desânimo. Compreendendo que apesar da mistura seria necessário encontrar os remanescentes dos Payayá.

A luta do Cacique Juvenal Teodoro valeu. O município de Utinga que foi desmembrado do município de Morro do Chapéu em 1953, vale resaltar que o município de Morro do Chapéu foi desmembrado do município de Jacobina em 1864, que caracteriza toda esta região como território Payayá, está prestes a ser reconhecido pela FUNAI – Fundação Nacional do Índio a aldeia Payayá do município de Utinga com quase cinquenta famílias.

No trabalho de resgate e reconhecimento que o cacique Juvenal Teodoro vem realizando, narra-se um de extrema emoção: o encontro com os velhos Sr. Manoel Góis e dona Nega de Cocota; talvez os últimos índios vivos da região que confirmam a história deste povo. Pela fisionomia e convicção são remanescentes incontestes dos primitivos Payayá.

Após visitas, os índios seguiram para o pé da gameleira (cabendo ressaltar que a gameleira era a árvore sagrada para os Payayá). Quando foram forçados a trocar de nome eles adotaram o nome da árvore sagrada daí o nome de Yayá Gameleira (nome de dona Maria Gameleira morta com mais de 100 anos) que é uma forte lembrança entre os mais velhos, esta mulher foi a chefe do clã dos Góis e Gonzaga.
Queremos reforçar a luta dos povos indígenas dizendo que para o governo muitas etnias foram totalmente dizimadas, mas nós índios, sabemos que ainda existe muitos na zona urbana e muitas vezes precisando de apoio. Pessoas essas que tinham suas terras e que o homem branco foi e roubou e que para nós os Payayá estão vivos e vivendo na região da chapada. Reafirmamos que existem os índios Payayá.

E, com grande alegria recebi a notícia de que algumas famílias do povo Xakriabá, que atualmente habitam o norte de Minas Gerais, migraram para o município de Jacobina e buscam a reconquista de suas terras em nosso município.
Quem falou que Jacobina e região não tem índio? É com muita alegria que sou neto de dona Yayá (não a do fato narrado acima mas uma sua xará), campesina sem terra que criou os seus filhos catando licuri em propriedades de terceiros para quebrar,  vender e tirar o sustento da família que criou com dignidade.




3 comentários:

  1. Parabéns Almaks pelo seu interesse poor tão importante resgate de todos nós pelos nossos irmãos índios.
    Moacyr Lopes

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  2. Bela matéria que só vem reforçar o que de há muito se sabia sobre a expoliação que sofreram os povos tradicionais em todo o território brasileiro, obrigados a se ocultarem para conter a perseguição implacável que sofreram inclusive no conluio entre os coroneis e o poder público, com massacres históricos e um processo de cerceamento humano em grandes proporções, de forma truculenta, violenta e mortal.
    Nosso profundo respeito aos remanescentes que souberam se valer do anonimato para aplacarem a ção cruel de que foram alvo até então. Agora, mister se faz o resgate, o reconhecimento e sobretudo VEZ E voz a quem tanto devemos desde os tempos avoengos que se perdem na noite dos séculos!
    Luiz Dourado

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    1. Há os que desejam que a história do Brasilseja passada à limpo, inclusive, para além da lógica que chegou até nossos dais - eurocêntrica, etnocêntrica. A atual Miguel Calmon "foi" desde tempos imemoriais - terras de seus domínios, particularmente, contíguas ao que veio se chamar de Jacobina. Minha mãe nasceu ali e todos os seus descendentes - também nasci ali e trago minha porção Payayá!

      Que nos reconheçamos no que herdamos, nos somos e que em meio aos corrupios da época, da modern idade nos confundimos!

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