Nestlé está matando a água mineral de São Lourenço - MG

Há alguns anos a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões.

As águas minerais, de propriedades medicinais, e baixo custo, eram um eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em desuso, a partir dos anos 50, pela maciça campanha dos laboratórios farmacêuticos para vender suas fórmulas químicas através dos médicos. Mas o poder dessas águas permanece. Médicos da região, por exemplo, curam a anemia das crianças de baixa renda apenas com água ferruginosa.

Para fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde, desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente. A desmineralização de água é proibida pela Constituição. Cientistas europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e acrescenta sais minerais para fechar a reação.

Em outras palavras, a PureLife é uma água química.
A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando por não obedecer às normas de restrição de impacto ambiental, expondo a saúde da população a riscos desconhecidos. O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido.


Troca de dutos na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em níveis além do aceito está comprometendo os poços minerais, cujas águas têm um lento processo de formação. Dois poços já secaram. Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades. Durante anos a Nestlé vinha operando, sem licença estadual. E finalmente obteve essa licença no início
de 2004.

Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao governo e imprensa para combater o problema, conseguiu apoio, na Suíça, para interpelar a empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja Católica, Grupos Socialistas e a ong verde ATTAC uniram esforços contra a Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Suíça.


Em janeiro deste ano, graças ao apoio desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente, e em público, o presidente mundial do Grupo Nestlé. Este, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço.

No dia seguinte, o governo de Minas (PSDB), baixou portaria que regulamentava a atividade da Nestlé. Ao invés de multas, uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal. Sem aproveitar o apoio internacional para o caso, apoiou uma corporação privada de histórico duvidoso. Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão.

Em uma dessas matérias, o vereador Cássio Mendes, do PT de São Lourenço, envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu pressões do Governo Federal (PT), para calar a boca.

Teria sido avisado de que o pessoal da Nestlé apóia o Programa Fome Zero e não está gostando do barulho em São Lourenço. Diga-se também que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro.

A empresa, como estratégia de marketing, incentiva os consumidores a comprar seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero. E qual é a real participação da Nestlé no programa? A contratação de agentes e, parece, também fornecendo o treinamento. Sim, a famosa Nestlé, que tem sido há décadas alvo internacional de denúncias de propaganda mentirosa, enganando mães pobres e educadores para a substituição de leite materno por produtos Nestlé, em um dos maiores crimes contra a humanidade.

A vendedora de leites e papinhas "substitutos" estaria envolvida com o treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo informações e gerando lucros e publicidade nas duas pontas do programa: compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e informação. Mais preocupante: o Governo Federal anuncia que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralização "parcial" das águas. O que é isso? Como será regulamentado?

Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada
fez, como irão fiscalizar a tal desmineralização "parcial"? Além do que,
"parcial" ou "integral", a desmineralização é combatida por cientistas e
pesquisadores de todo o mundo. E por que alterar a legislação em um item que
apenas interessa à Nestlé? O que nós cidadãos ganhamos com isso?
Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo caminho da
Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água.
É para essas empresas que o governo governa?

NÃO USE ÁGUA DA NESTLÉ

Colabore. Transmita estas informações para outras pessoas. Mais informações
sobre o caso Nestlé em http://www.cidadaniapelasaguas.net/
http://mundoemcolapso.blogspot.com/2010/08/nestle-esta-matando-agua-mineral-de-sao.html

JORNAL A NOTÍCIA ESQUENTA NOTÍCIA E USA MATERIAL INDEVIDO

Uma amiga nossa me entregou ontem a noite um exemplar do jornal A Notícia de Ano 01, Nº 0027 de 11 de dezembro de 2010, dizendo que ficou chocada ao ler o referido Semanário, publicando uma foto de minha autoria, a qual ela esteve presente comigo tirando as fotos que usei no meu blog http://almacks.blogspot.com/2010/12/mineradora-provoca-o-maior-incendio-dos.html
Quando a Maria Rita transcreveu a nota que juntos colocamos no blog e confrontamos palavra por palavra a nota do Semario em seus parágrafos iniciais, é nitidamente uma NOTÍCIA ESQUENTADA sem dar o crédito do autor da foto, como também sem citar a fonte.
Más até ai tudo bem, parece que a jornalista responsável comeu mosca, e como não consta de quem é a matéria fica a cargo dos leitores avaliar a notícia, porém chamamos à atenção que fizemos a matéria em cima da transcrição da entrevista da Profª Kátia Leite em uma rádio local e da mãe do funcionário que entrou no ar via telefone em prantos.
Mas como sabemos que o jornal A SEMANA procurou mudar o foco do culpado, onde escrevemos que o fogo segundo a entrevistada da rádio, afirmou e a mãe do funcionário confirmou que o fogo partiu da mineração alí existente, ADULTEROU a nossa nota e afirma por escrito que partiu de uma Cerâmica. Quem encontrar alguma cerâmica na Serra do Coxo de dentro ganha um bom prémio.
Más como no mesmo Semanário logo após a manchete tem um comercial de uma cerâmica que é de propriedade de fato, não sei de direito do grupo dos neojacobinenses que adquiriram a Mina do Coxo, talvez isso explica o motivo do jornal A NOTÍCIA tentar arranjar um novo culpado para o fato.

O Planeta vai continuar com febre

Leonardo Boff
A COP 16 terminou na madrugada do dia 11 dezembro em Cancún com pífias conclusões, tiradas mais ou menos a forceps. São conhecidas e por isso não cabe aqui referi-las. Devido ao clima geral de decepção, foram até mais do que se esperava mas menos do que deveriam ser, dada a gravidade da crescente degradação do sistema-Terra. Predominou o espírito de Copenhague de enfrentar o problema do aquecimento global com medidas estruturadas ao redor da economia. E aqui reside o grande equívoco, pois o sistema econômico que gerou a crise não pode ser o mesmo que nos vai tirar da crise. Usando uma expressão já usada pelo autor: tentando limar os dentes do lobo, crê-se tirar-lhe a ferocidade, na ilusão de que esta reside nos dentes e não na natureza do próprio lobo. A lógica da economia dominante que visa o crescimento e o aumento do PIB implica na dominação da natureza, na desconsideração da equidade social (dai a crescente concentração de riqueza e a célere apropriação de bens comuns) e da falta de solidariedade para com as futuras gerações. E querem-nos fazer crer que esta dinâmica nos vai tirar das muitas crises, sobretudo a do aquecimento global.
Mas cumpre enfatizar: chegamos a um ponto em que se exige um completo repensamento e reorientação de nosso modo de estar no mundo. Não basta apenas uma mudança de vontade, mas sobretudo se exige a transformação da imaginação. A imaginação é a capacidade de projetar outros modos de ser, de agir, de produzir, de consumir, de nos relacionarmo-nos uns com os outros e com a Terra. A Carta da Terra foi ao coração problema e de sua possível solução ao afirmar:"Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isto requer uma mudança nas mentes e nos corações. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global".
Este propósito no se fez presente em nenhuma das 16 COPs. Predomina a convicção de que a crise da Terra é conjuntural e não estrutural e pode ser enfrentada com o arsenal de meios que o sistema dispõe, com acordos entre chefes de Estado e empresários quando toda a comunidade mundial deveria ser envolvida. A referência de base não é a Terra como um todo, mas os estados-nações cada qual com seus interesses particulares, regidos pela lógica do individualismo e não pela da cooperação e da interconexão de todos com todos, exigida pelo caráter global do problema. Não se firmou ainda na consciência coletiva o fato de que o Planeta é pequeno, possui recursos limitados, se encontra superpovoado, contaminado, empobrecido e doente. Não se fala em dívida ecológica. Não se toma a sério a crise ecológica generalizada que é mais que o aquecimento global. Não são suficientes a adaptação e a mitigação sem conferir centralidade à grave injustiça social mundial, aos massivos fluxos migratórios que alcançaram já a cifra de 60 milhões de pessoas, a destruição de economias frágeis com o crescimento em muitos milhões de pobres e famintos, a violação do direito à seguridade alimentar e à saúde. Falta articular a justiça social com a justiça ecológica.

O que se impõe, na verdade, é um novo olhar sobre a Terra. Ela não pode continuar a ser um baú sem fundo de recursos a serem explorados para benefício exclusivamente humano, sem considerar os outros seres vivos que também precisam da biosfera. A Terra é Mãe e Gaia, tese sustentada sem qualquer sucesso pela delegação boliviana, e por isso sujeita de direitos e merecedora de respeito e de veneração. A crise não reside na geofísica da Terra, mas na nossa relação de agressão para com ela. Nós nos tornamos numa força geofísica altamente destrutiva, inaugurando, como já se fala, o antropoceno, uma nova era geológica marcada pela intensiva intervenção descuidada e irresponsável do ser humano.

Se a humanidade não se acertar ao redor de alguns valores mínimos como a sustentabilidade, o cuidado, a responsabilidade coletiva, a cooperação e a compaixão, poderemos nos acercar de um abismo, aberto lá na frente.

Leonardo Boff - Teólogo, filósofo e escritor foi observador na COP - 16 em Cancún

 http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=53129

Almacks blogspot tem maior acesso de estrageiros em um único mês

QUANDO PASSADO E PRESENTE SE ENCONTRAM NO MUNDO DAS IDEIAS


Gustavo Mercês (Jacobinense)
Lembro de Robinson, dos tempos quando eu estava iniciando na militância política, onde já no Cefet, então garoto, eu atuava no movimento secundarista empolgado com as teses revolucionárias da Democracia Socialista, que reivindicava a Revolução Socialista Internacional, nos marcos do trotskismo, tendo como referências teóricas figuras com Michel Lowi, Enest Mandel, João Machado e Joaquim Soriano. Abrigado em um coletivo que tinha como expoentes parlamentares: Walter Pinheiro, Heloisa Helena e Neusa Cadore. Discutíamos o drama de ser uma esquerda petista que buscava reafirmar o socialismo e a necessidade de não abrir mão da coerência política na atuação parlamentar. Éramos contra alianças com setores que tinha como histórico o carlismo e o oligarquismo baiano. Não tínhamos chegado ao poder.
O tempo passou, as alianças se ampliaram, o PT agora governa e descontente fui tentar construir um “PT das origens” ou algo parecido, foi assim que ajudei a fundar o PSOL. Nos debates eleitorais deste ano, passado e presente se encontram em um cenário onde só se falava na tal governabilidade e na próspera fase econômica que refletia nos números governamentais.
Aqui pretendo dialogar com o camarada Robinson, hoje dirigente estatal, sem ressentimentos, sem deixar de reconhecer o quanto aprendi com ele, Afonso e Pinheiro, mas também, sem deixar de ousar na confrontação de ideias e rumos, tão necessária em tempos tão confusos dentro da esquerda brasileira. 
 
Inegavelmente bandeiras como ampliação dos direitos sociais, radicalização da democracia, ampliação da participação popular foram bandeiras históricas da esquerda brasileira. Uma esquerda consequente reconhece a necessidade de ampliar do acesso a determinados serviços públicos como cruciais para permitir a construção de uma nova ordem social. Mas o que se coloca em xeque aqui é qual “revolução democrática” pregada e quem são seus maiores beneficiários.
Sem deixar de reivindicar a inconciliável antagonismo de interesses entre capitalistas e trabalhadores, da real impossibilidade de ser governar para todos através de um “pacto social”, a esquerda marxista sempre demonstrou que seria um equívoco histórico transformar o espaço da luta institucional parlamentar como fim para luta política.
Acredito que ao reivindicar a aliança com Otto, histórico carlista, como parte de um projeto de transição histórica da política baiana, fica evidenciada também uma transição ideológica petista que se afasta de vez do internacionalismo socialista e adere a uma onda “moderna” da Social-democracia, agora reformada e que tem como discursos a ampliação do acesso ao consumo e desenvolvimentismo. Discursos que seguem perfeitamente a lógica perversa da Economia de Mercado e a do próprio capitalismo.
Evidentemente que depois de anos de neoliberalismo e recessão econômica que empobreceram nosso país e ampliaram as desigualdades sociais, uma nova etapa de austeridade econômica e estabilização monetária internacional permitiram aos governos federal e estaduais a possibilidade de ampliar as políticas na área social, tão defasadas pelos governos anteriores. Tempos de tranquilidade econômica que permitiram também a ampliação dos lucros das grandes empresas nacionais, principalmente aquelas que se beneficiam dos empreendimentos governamentais.
Assim o PT selou um novo pacto social onde mantêm políticas sociais assistenciais (que não mudam radicalmente o contraste social) sem abrir mão de governar com setores da elite econômica brasileira. Nós ainda acreditamos que para uma verdadeira emancipação social, é preciso que um governo se comprometa com uma inversão concreta de prioridades, tendo como pautas: reforma agrária, financiamento unicamente público da Educação e Saúde, reforma política, reestatização de setores estratégicos da economia, redução da jornada de trabalho sem redução de salário, investimentos sociais sem a limitação imposta pela política econômica fundamentada na garantia dos superávits primários. É desta revolução que prefiro não abri mão. Nada melhor que a própria história para demonstrar onde acertamos e erramos, estando abertos a discutir por quais caminhos a esquerda brasileira deve trilhar nas próximas décadas.
 
*Gustavo Mercês, é comunicólogo, sindicalista e um dos fundadores do PSOL na Bahia.
GUSTAVO MERCÊS

“COP 16 fortalece a importância do mercado na preservação ambiental”

AQUECIMENTO GLOBAL Para a pesquisadora Silvia Ribeiro, conferência da ONU sobre o clima assiste a “um avanço enorme na mercantilização da natureza”

Comparada com a Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática (COP 15) realizada em dezembro de 2009 em Copenhague (Dinamarca), a COP 16, que acontece entre os dias 30 de novembro e 10 de dezembro em Cancún (México), está bastante esvaziada. Pior, depois das frustrações geradas pelo fracasso nas negociações para redução de carbono no ano passado, o encontro deste ano pode caminhar para trás. Em entrevista, a pesquisadora Silvia Ribeiro, do Grupo ETC do México e do Canadá, explica que as conversações da COP 16 avançam no conceito de privatização dos recursos naturais como a principal forma de impedir o aquecimento climático. É a ideia de que é preciso dar valor à “floresta em pé”, para que assim o mercado regule a preservação. Ribeiro acredita que tal modelo está orientado somente para o lucro e que as populações serão esquecidas. Na entrevista, a pesquisadora ainda comenta as negociações em Cancún, a importância e os limites dos encontros da ONU e a situação do Brasil no cenário de novas tecnologias e privatização ambiental.

Brasil de Fato – Nas negociações nos fóruns da ONU, particularmente aqueles sobre mudanças climáticas, os países costumam atuar em blocos já constituídos há anos. Na COP 16, há alguma mudança nesse cenário?
Silvia Ribeiro – O novo é que os países do norte têm novos aliados chamados de Basic, que são Brasil, África do Sul, Índia e China. Esses países atualmente são grandes emissores de gases de efeito estufa, mas historicamente não. Eles têm menor responsabilidade do que os países do norte sobre a crise climática, mas eles têm encontrado convergências.

Dizia-se que o Brasil mudou de posição para somar-se aos países da Alba. E também que havia uma tentativa de isolar a Bolívia na COP 16.
Há um trabalho muito grande, sobretudo dos EUA, de isolar a Bolívia. A classificam como o país mais radical, quando na realidade o que ela está fazendo é pedir o mínimo, levando adiante os acordos de Cochabamba, da Conferência dos Povos, de abril de 2010, onde havia 35 mil pessoas de 142 países. Já o Brasil sempre teve uma posição ambígua, porque é um país muito grande, tem muitas ambições, muitas desigualdades internas. Na semana passada [a entrevista foi concedida na segunda-feira, dia 6], após o Japão dizer que não assinaria um segundo período de compromissos do Protocolo de Kioto – o que é uma típica mensagem para polarizar todas as discussões –, o Brasil imediatamente disse que se o Japão não assina, eles também não assinariam. Então, o Brasil não mudou de posição. Esse é o jogo dos países mais emissores para não ter nenhum compromisso legalmente vinculante. O que não se quer é ir ao núcleo do assunto, ou seja, há que se reduzir as emissões e isso não vai se fazer através do mercado. E, hoje, os que estão dizendo que o Protocolo de Kioto não é bom foram os mesmos que o fizeram. Dizem que há que se criar outro, mas, na verdade, o que querem é criar um vazio do ponto de vista jurídico internacional. O protocolo é muito débil, mas é o único com obrigações legais existente. Atualmente, os países têm que informar em cada COP as medidas que tomaram para reduzir as emissões e eles sequer querem prestar contas, querem fazer somente acordos voluntários, em que cada um faz o que quer e no ano seguinte podem dizer, “ah, eu queria, mas não pude”. Por outro lado, querem aprovar pequenos acordos para introduzir novos elementos, como florestas e agricultura, no mercado de carbono, o que não apresentará nenhuma redução real das emissões.

Ano após ano, os espaços da ONU acontecem sem definições relevantes. Que validade a senhora vê ainda nesses fóruns?
O problema é que esse é o único instrumento internacional neste momento de relações entre os países e onde há a relação de um país, um voto. Aqui, a Bolívia pode vir com os acordos de Cochabamba e fazer valer essas decisões, porque aqui as definições se tomam por consenso. Ao contrário da Organização Mundial do Comércio ou do Banco Mundial, nos quais as decisões são tomadas segundo a quantidade de dinheiro que cada país põe ou pelos interesses comerciais que existem. Há um trabalho para debilitar a ONU, para que ela não possa ter nenhum papel. Claro que, a partir dos movimentos, nós temos que seguir trabalhando a organização local, de base, entre as organizações e sempre desde baixo, mas são trabalhos paralelos. A questão se divide entre o sistema capitalista representado por suas transnacionais – uma centena delas representa mais da metade da economia mundial – e os governos que legislam para que essas transnacionais possam mover-se tranquilamente.

Como senhora caracterizaria esse discurso comercial-ambiental que vem ganhando força na ONU?
Há um avanço enorme na mercantilização da natureza. Eles já não se detêm ao que se chama de recursos naturais, avançam sobre tudo que há na natureza. O que se está discutindo na COP 16 é como privatizar o ar, quem vai ter acesso ao ar limpo que é necessário para controlar o clima do planeta. O capitalismo sempre faz novos negócios a partir dos desastres que provoca e, quanto maior é o desastre, maior é o negócio. Acabamos de lançar um documento que se chama “Os novos donos da biomassa” e nele dizemos que a ideia geral agora é: não existe natureza, plantas, florestas, rios, espaços públicos, comunitários. Tudo que tem celulose é biomassa e tudo é biomassa, até nós, na verdade. E, nessa nova visão do mundo, toda biomassa pode ser uma nova fonte de combustível ou de outras coisas, através da engenharia genética extrema, também conhecida como biologia sintética. Com isso, se pode digerir a celulose de qualquer coisa que a tenha. Isso já se está desenvolvendo no Brasil. Para que se entenda um pouco a lógica: hoje, nós vivemos em uma civilização baseada no petróleo, não só para combustíveis, mas toda a agricultura está petrolizada, sejam nos agrotóxicos, nas embalagens, nos plásticos. E o petróleo é matéria orgânica, ou seja, carbono. São hidrocarbonetos que estiveram milhões de anos na terra, é uma energia condensada muito forte. Das cadeias de hidrocarbonetos fazem outros polímeros. Então, a ideia é usar os carboidratos – uma matéria orgânica, mas que não esteve milhões de anos na Terra –, fermentá-los com açúcares e, assim, produzir os polímeros que se formam através do petróleo. E já estão fazendo combustíveis e plástico, por exemplo, com milho. Não deixarão de usar petróleo, porque as petroleiras são enormes empresas, vão seguir usando até que não haja mais e, além disso, vão usar biomassa como nova fonte.
Assim, a demanda de biomassa será enorme no futuro e isso significa demandas enormes de terra e água. De onde vão tirar? Vão tirar de onde estão os camponeses e indígenas. No Brasil isso é muito claro. O país já é um retalho: em um lado milho, em outro eucalipto, em outro soja etc. Com a biologia sintética, você poderá ter variados tipos de plantação e depois decidir se vai usá-la para fazer celulose para papel, para fazer agrocombustível ou para fazer medicamentos. Isso parece ficção científica, mas não é, já estão fazendo no Brasil e nos Estados Unidos.

Daí surge o que vocês chamam de bioeconomia?
Esse exemplo que dei é um caso extremo da bioeconomia. Há três bases dela. Uma que tem a ver com as funções da natureza, mercantilizada e transformada em serviços ambientais. O mercado de carbono é o típico exemplo desse modelo, onde se pode vender o ar, as florestas, separado de toda a gestão de um povo. Há outra que é a biotecnologia, feita dos transgênicos, da indústria farmacêutica. Por fim, está a economia da biomassa que mencionei. O resultado é terrível, porque a biomassa do planeta não é suficiente para a ambição das transnacionais. Alguns institutos de pesquisa calcularam que 24% da biomassa renovável terrestre está mercantilizada. O resto está na natureza ou sendo usado por comunidades, integrando um ciclo que, ao final, volta para a natureza.

E quais seriam as consequências do mecanismo REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação) ser incorporado nos acordos aqui?
A tentativa é por as florestas dentro dos mercados de carbono, sobretudo no mercado financeiro, já que ele se baseia na venda e revenda de créditos de carbono.  As florestas ainda não eram consideradas nesse mercado porque é difícil calcular a quantidade de carbono absorvido, já que elas absorvem e emitem carbono e isso varia entre diferentes vegetações, solos e manejos. Mas agora inventaram métodos terríveis para medir isso. Com a incorporação do REDD nos acordos da ONU, todos os bosques do mundo viram uma fonte de especulação em potencial. E isso é muito importante para um mercado financeiro em crise, pois se cria um mercado novo. Existem três modalidades distintas e complementares: o REDD, o REDD+ e o REDD++. O primeiro é basicamente a venda de serviços ambientais das florestas. É um incentivo para que os desmatadores deixem 10% do bosque em pé. O segundo é chamado de “manejo sustentável das florestas”. Dizem que se pode ganhar dinheiro vendendo esse serviço, mas em troca, não podem mais tocar na mata, então, na verdade é como tirá-las do território. E a terceira é, por exemplo, o maior projeto REDD do mundo, da Shell, que foi a Bornéu [ilha do sul asiático cujo território é administrado por Malásia, Indonésia e Brunei] para comprar 100 mil hectares de bosque, pagando cerca de 10 dólares pela tonelada de carbono sequestrado. Mercadoria que eles podem vender a 20 dólares na bolsa de valores. Então, além de ficar com o bosque e com o ar e de justificarem sua poluição com a compra de árvores que sequestram seu carbono, eles vão recuperar rapidamente o dinheiro investido vendendo os créditos na bolsa.

E o que há de terrível no método de calcular a quantidade de carbono absorvido?
Ele se baseia em um monitoramento por satélite, com sistema de imagens infravermelho. Foi com a tecnologia do infravermelho que acharam o Che Guevara na floresta e isso foi há décadas, agora estão muito mais avançados. Com isso, será possível controlar toda a movimentação da região, ter um controle total da vegetação, saber onde estão as plantas mais valiosas.

QUEM É
Uruguaia radicada no México, Silvia Ribeiro trabalha para a organização internacional Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC), que pesquisa a concentração coorporativa, novas tecnologias e os impactos que estas provocam.

Brasil de Fato – edição 406 - de 9 a 15 de dezembro de 2010
internacional - Vinicius Mansur Viviane Rojas
de Cancún (México)


MINERADORA PROVOCA O MAIOR INCÊNDIO DOS ÚLTIMOS ANOS NAS SERRAS DE JACOBINA

Clique na foto e vejam a situação que as serras ficaram

No último domingo dia 05, foi o dia que marcará a história das queimadas nas serras de Jacobina, especificamente as Serras do Coxo de Dentro, que ardeu em fogo nos dias 05 e 06, mas graças a Deus no dia 07 deu uma pequena chuva e apagou o incêndio de grandes proporções e prejuízos irrecuperáveis para a natureza e para as pessoas que vivem naquelas comunidades e têm as serras como fonte de riqueza (beleza, água, paisagem e extrativismo).
Não sei por que nenhum blog da cidade que às vezes taxam até de  malucos os que provocam fogo nas Serras, mas quando tiveram notícias de que o foco do incêndio veio da mineração conhecida como “Mina do Coxo”, que já foi propriedade do ilustre conterrâneo José Facho que passou a HStern e recentemente adquirida por um novo grupo. Não foi publicado nada, talvez para não perderem a fatia de comerciais que rolam nos blogs, principalmente os que dizem que não tem o rabo preso.
A Mina do Coxo que produz uma das mais belas Ametistas do Brasil era de propriedade do Grupo Financeiro HStern, que é uma das maiores redes de joalherias do mundo, e que segundo algumas pessoas da cidade e da comunidade relatam que a Mina do Coxo foi adquirida por um grupo de neojacobineses que vêm na antiga mina um bom negócio para investimento.
E, segundo depoimentos de pessoas da comunidade quem tem estado à frente da reativação da Mina do Coxo é o Sr. Peixoto, ex-chefe de segurança da Yamana Gold.
A Profª da UNEB Kátia Leite, residente na comunidade do Coxo de Dentro e pertencente a Associação daquela comuna, relata que os prejuízos são incalculáveis e que não há como recuperar em médio prazo os prejuízos para aquela biota, que é o conjunto de seres vivos, flora e fauna, que habitam ou habitavam um determinado ambiente geológico, além de que grande parte dos moradores daquelas comunidades tem no extrativismo de babaçu, mangaba e outros uma de suas fontes de sobrevivência.
Durante a entrevista que a Profª Kátia Leite concedia a uma emissora local, uma senhora entrou no ar através de telefone, e em prantos se identificou como moradora da região e se identificou como a mãe do funcionário da Mina do Coxo que teria provocado o incêndio, quando em práticas irregulares de manejo na área da mineradora pôs fogo em algum material.
Declaro que fiquei sensibilizado com a Senhora pela preocupação quanto a responsabilidade de seu filho, porém no Direito Ambiental existe alguns princípios básicos que é prevenção, precaução e poluidor pagador e com certeza o estado através do IMA – Instituto do Meio Ambiente,  o município (que nem lá apareceu nos dias do fogo) se não se pronunciarem, com certeza o Ministério Público da Bahia deverá se pronunciar e saberá punir os donos dos investimentos, mesmo sabendo que mais uma vez aparecerão os factoides divulgando o que divulgaram com a FPI – Fiscalização Preventiva Integrada, alegando apenas o fechamento de mineradoras.


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